Symfonia: O disco simplesmente não entrega o que promete
Resenha - In Paradisum - Symfonia
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 23 de setembro de 2011
Nota: 5 ![]()
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Juro que queria entender porque diabos a maior parte da imprensa especializada resolveu ser tão condescendente com "In Paradisum", o álbum de estréia do supergrupo Symfonia. Talvez seja algum tipo de apego emocional às bandas das quais seus integrantes são egressos: Angra, Stratovarius, Helloween, Sonata Arctica e por aí vai. Absolutamente injustificado. O disco, anunciado com toda a pompa e circunstância, simplesmente não entrega o que promete, como obra de músicos do calibre de André Matos e Timo Tolkki, só para citar os dois cabeças do projeto e seus nomes mais destacados. "In Paradisum" é apenas mediano, com faixas que se apóiam exageradamente nos clichês do metal melódico/power metal dos anos 90, fazendo com que o resultado final soe datado, envelhecido. Estamos falando de um disco "OK", muito longe de ser "excelente" ou "genial", mas que infelizmente tem cheiro de mofo.

Preciso dizer, antes que me acusem de julgamento apressado: sou fã de metal melódico – aquele estilo apelidado por Bruno Sutter (humorista que vive Detonator, vocalista do Massacration) de "o equivalente do hard rock farofa dentro do heavy metal". Gosto bastante de Stratovarius e sou daquele grupo que defende o nome de André Matos como um dos mais importantes frontmen do nosso metal brasileiro contemporâneo. E justamente por isso a experiência de ouvir "In Paradisum" me soou tão pouco inspirada. Não me entendam mal: acho que é compreensível (e até desejável, pensando no background da equipe) que o Symfonia vá buscar referências em suas experiências passadas. Mas toda vez que isso acontece, é de se esperar que a banda recicle as referências, bebendo do passado mas revestindo suas novas composições com uma roupagem mais moderna e atual – e por favor, que "moderno" não seja entendido como "eletrônico" ou qualquer coisa assim.
Um exemplo claro: "In Paradisum" abre com "Fields of Avalon", cuja pegada de guitarra inicial lembra claramente "Glory of the World", do Stratovarius. Tsc, tsc, Sr.Tolkki. E ao longo da audição das 10 faixas, esta não será definitivamente a única situação em que o ouvinte vai se pegar pensando "acho que já escutei isso antes...". O teclado de Mikko Härkin (ex-Sonata Arctica) que abre "Come by The Hills" e "I Walk in Neon" faz com que ele se torne uma mera emulação do trabalho de Jens Johansson na antiga banda de Tolkki. "Seriam estas algumas composições para o Stratovarius nas quais o seu líder e mentor vinham trabalhando antes de se afastar dos velhos companheiros?", pergunta-se o fã mais exaltado. Juro que não tenho a resposta.
Mesmo a ótima e vigorosa "Forevermore", ponto alto da bolacha, parece ser uma faixa nunca lançada antes na discografia do Angra. E a baladinha acústica "Don't Let Me Go", que encerra "In Paradisum", é previsível até a última nota: você sabe quando vão entrar os agudos, em que momento aparecem os violinos, quando ela vai subir o tom. Pura matemática.
Em uma entrevista recente para a revista brasileira Roadie Crew, Timo Tolkki afirmou que "In Paradisum" não traz o Symfonia em seu potencial total e absoluto, coisa que deve ser efetivamente explorada nos lançamentos futuros. A gente realmente espera que sim. Porque, meu caro Tolkki, a tradição que você e seus colegas de banda carregam na bagagem merece esta honraria. E deixe a obviedade em casa desta vez.
Line-up:
André Matos - Vocais
Timo Tolkki - Guitarra
Jari Kainulainen - Baixo
Mikko Härkin - Teclados
Uli Kusch* - Bateria
Tracklist:
1. Fields of Avalon
2. Come by The Hills
3. Santiago
4. Alayna
5. Forevermore
6. Pilgrim Road
7. In Paradisum
8. Rhapsody in Black
9. I Walk in Neon
10. Don't Let Me Go
* Atualmente, substituído por Alex Landenburg (At Vance)
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