Beatles: o pontapé inicial para a revolução musical

Resenha - Rubber Soul - Beatles.

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Por Elias Rodigues Emídio
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A vida passa por várias fases: infância, adolescência e vida adulta. A infância é caracterizada por um período no qual somos ingênuos e não conhecemos direito o mundo que nos rodeia. Porém, à medida que o tempo passa, nós passamos a nos preocupar mais com o que acontece as nosso redor e quando nós atingimos a fase adulta ampliamos o nosso campo de visão da realidade e passamos a lidar com questões e problemas mais profundos. Entre a fase da infância e da vida adulta há períodos de transição que caracterizam a adolescência, cheios de experimentalismo nos quais o mundo nos apresenta uma série de coisas novas, em que vamos descobrindo todas as nossas potencialidades.
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Com os grupos de rock acontece a mesma coisa, muitos grupos começam tocando um som ainda "bruto" no começo de sua carreira e com o passar do tempo e com a experiência acabam amadurecendo musicalmente acrescentando uma dose de sofisticação à sua música. Talvez o melhor exemplo disso sejam os Beatles. O FabFour britânico iniciou sua carreira em 1963 com o excelente álbum de estreia “Please, Please Me”, trilha sonora perfeita para o otimismo da era no inicio da década, no qual apresentam um som ainda meio cru. Nos anos que seguiram a sua estreia eles lançaram alguns discos que mantiveram uma sonoridade próxima a do seu início de carreira, neste caso enquadram-se os sensacionais “Help!”(1965), “Beatles For Sale” (1964) “With The Beatles” (1963) e “A Hard Day’s Night” (1964). Porém, no período que vai de 1965 a 1967 os Beatles lançaram três álbuns, “Rubber Soul”, “Revolver” e “Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band” que elevariam o estilo musical do que chamamos de Rock & Roll a um nível artístico jamais visto até então. Quer gostem, quer não O fato é que os Beatles foram os grandes responsáveis pela explosão do Rock & Roll mundo afora nas décadas seguintes e que sem eles o Rock & Roll não seria um décimo do que ele representa hoje no cenário musical mundial, pois seu trabalho foi inovador em todos os sentidos: tanto na gravação, quanto na experimentação e na composição de suas músicas. O objeto dessa resenha é o álbum que marca a estreia da fase psicodélica dos garotos de Liverpool, “Rubber Soul” de 1965.

Em 1965 os FabFour já eram Superstars do rock e já mandavam no estúdio de gravação: os melhores horários de gravação eram reservados para eles, opinavam na escolha das capas e dos nomes dos discos. A própria capa do disco mostrando-os em uma foto com uma cara deformada e aparentemente nada feliz é um caso a parte nesta obra, bem como o nome do disco “Rubber Soul” uma paródia com o nome da banda (Beatles = Beat +Beatles) "Rubber Soul" seria tanto uma referencia a Soul Music quanto a Rubber Sole - Sola de Borracha.

Apesar de terem pouco tempo para trabalhar no disco, devido à longa turnê do álbum anterior “Help!”, "Rubber Soul” é brilhante do início ao fim como uma coletânea de singles.

O disco abre com a excelente “Drive My Car” um rock escrito por Paul ainda no estilo dos primeiros álbuns que contém um refrão bem marcante e uma letra que faz referência ao pouco conhecimento de Paul sobre automóveis, um tema incomum na carreira do Beatles. A segunda faixa do disco “Nowergian Wood (This Bird Has Flown)” marca uma verdadeira ruptura na carreira dos "Besouros". Pela primeira vez George Harrison faz uso da Sitar (um instrumento indiano). A bela melodia proveniente da sitar acompanhada pelo violão aliada a letra um tanto quanto estranha (falando sobre um caso extraconjugal de John na época) fazem desta canção um dos pontos altos do disco. A terceira faixa "You Won’t See Me" é uma música no estilo do álbum anterior “Help!” e é a segunda música dos Beatles com mais de 3 minutos de duração, uma inovação para a época. O lirismo de “Nowhere Man” marca outra ruptura na carreira dos Beatles, a estranha e melancólica letra da canção provém do fato de John Lennon não ter tido inspiração para compor outra música para cobrir sua cota de faixas no disco e, por isso, se sentir deslocado como um homem de lugar nenhum. “Think For Yourself”, a próxima canção do disco, composta por George Harrison, tem como ponto forte o uso da distorção na guitarra, que seria uma grande marca na carreira dos Beatles daqui pra frente. A sexta canção, “Word”, composta por John Lennon e Paul MacCartney (segundo o próprio sob efeito de maconha) traz pela primeira vez o tema amor sob um conceito universal. Esta canção se tornou um verdadeiro jargão do movimento Hippie. “Michelle” é a sétima canção do disco, mais uma excelente balada escrita por Paul MacCartney. A partir de "Help!" em cada álbum Paul nos presentearia com uma nova balada, vide “Yesterday” (de “Help!”), “Michelle” e “Eleanor Rigby” (de “Revolver”). “What Goes On” próxima faixa do disco marca a estreia de Ringo como compositor dentro dos Beatles. Juntamente com McCartney, ele ajeitou uma antiga canção de Lennon ao seu estilo de cantar. A oitava faixa do disco, um country rock que passa um pouco despercebido no meio de outras músicas do álbum, é apenas uma pequena mostra de todo o potencial de Ringo nos vocais que seria mais bem expresso nos dois álbuns que se seguiriam. “Girl”, escrita por John, é mais uma canção escrita por John que fala de um possível amor, sobre uma garota irreal, porém mais uma vez inovando nesta canção ele faz uma pequena divagação sob o cristianismo. “I’m Looking Through You” é mais uma canção de Paul na qual ele dá voz a sua revolta contra sua namorada Jane Asher que o abandonou temporariamente. A próxima canção do disco é simplesmente “In My Life”. Uma das mais belas letras escritas por John e um belíssimo trabalho vocal fazem desta canção junto com “Nowergian Wood (This Bird Has Flown)” um dos pontos altos deste disco. A próxima canção do disco “Wait” é uma composição Lennon-McCartney do álbum anterior “Help!"” que foi abandonada e finalizada para este disco. Mais uma canção ainda no estilo “Help”. A penúltima canção do disco “If I Nedeed Someone” é a segunda de Harrison no disco é precursora do sucesso “Here Comes The Sun” já que o vocal de Harrison é baseado no riff de guitarra, um dos mais memoráveis de Harrison em sua carreira nos Beatles. A última canção do disco é “Run For Your Life”. Escrita por John que acabou detestando-a, é uma canção que também passa despercebida em meio a outras canções do disco.

As gravações de “Rubber Soul” iniciaram-se em Outubro de 1965 e em 03 de Dezembro do mesmo ano o álbum já havia sido lançado no Reino Unido, com produção de George Martin. Além das 14 canções do disco foram lançadas mais duas músicas em um single, “Day Tripper” e “We Can Work It Out”, um duplo lado A não incluído no disco.

“Rubber Soul” pode até não ser o melhor disco do Beatles, porém até o seu ano de lançamento foi o disco mais revolucionário lançado na história. Além disso, este álbum foi o pontapé inicial para a revolução musical que o quarteto britânico iria promover nos dois álbuns seguintes “Revolver” de 1966 e “Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band” de 1967, que marcam o auge do experimentalismo no rock.

Disco básico em qualquer discografia.

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