Beatles: surpreendente para os ouvidos despreparados da era

Resenha - Rubber Soul - Beatles

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Paulo Severo da Costa
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em 1965, três anos após aparecem para o mundo por meio do single "Love Me Do", os BEATLES já tinham atingido o ápice comercial da época: após o lançamento de "Help!" no ano anterior, o quarteto já tinha criado o videoclipe, feito uma mega turnê (para os padrões da época) pela América, lançado "Yesterday", fumado maconha com BOB DYLAN no banheiro do Palácio de Buckingham (apesar de, segundo LENNON essa não ter sido a primeira experiência deles com o fumo , conforme foi difundido) e por aí vai. Diante disso, poderia se pensar no comodismo e na repetição de fórmulas como uma continuidade na carreira, certo ? Errado. Para a esmagadora maioria dos fãs e da crítica, começava ali, o período que criaria o mito.
547 acessosBeatles: Sgt. Peppers vai ganhar versão mega especial de 50 anos5000 acessosAvenged Sevenfold: "Mike Portnoy não queria sair da banda"

O primeiro dos registros da banda da chamada fase da "pós inocência" é "Rubber Soul" lançado em dezembro de 1965. McCartney nomeou o álbum após ouvir da crítica que JAGGER cantava com "alma de plástico" (o termo também aparece em "I´m a Down" registrada como single em meados daquele ano.) Com a psicodelia estampada no título e na capa (cuja lenda afirma tratar-se de um efeito acidental que chamou a atenção da banda), "Rubber Soul"- sarcasticamente apelidado por LENNON como o "disco da maconha"- abriria alas tanto para os experimentalismos orientais de "Revolver"(1966) quanto para o surrealismo de "Sgt. Pepper´s" (1967) ou a maturidade lírica do "Álbum Branco" (1968). Abrindo com a testosterona de "Drive My Car", uma homenagem pétrea a LITTLE RICHARD e FATS DOMINO, o disco segue por terrenos tão arenosos quanto surpreendentes para os ouvidos ainda despreparados dos anos 60.

"Norweggian Wood", regravada por Deus e o mundo, abre com a cítara que, se hoje aparece até nos piores momentos da música pop, na época era tão estranho quanto a presença de uma sanfona em uma banda de death metal. As linhas criadas por HARRISON são econômicas e precisas, dando um caráter totalmente inovador a uma canção simples em essência. Aliás, no quesito pioneirismo, fica difícil comparar o álbum (é válido lembrar que a carreira de FRANK ZAPPA começaria, em caráter autoral e experimental, com "Freak Out" em 1966) com o que existia até o momento: que tal misturar cravo, solo barroco e levada pop ("In My Life"), letra em francês e harmonias jazzísticas ("Michelle", uma brincadeira de PAUL com frases de efeito na língua de MONTAIGNE) e estrutura musical grega (!) em tom menor ("Girl") ?

No aspecto lírico, novidades na mesma medida: conforme se descobria como um compositor acima da média, LENNON absorvia influências literárias mais densas, saindo do esquema "amores perdidos" em todas as canções: "Nowhere Man" talvez seja a pioneira de suas composições em tratar com mais profundidade sobre as reflexões da vida (Ele é um autêntico Homem de Lugar Nenhum\Sentado em sua terra de lugar nenhum\Fazendo todos os seus planos inexistentes\Para ninguém) e abriu precedentes para dramas líricos de primeira grandeza - "Blackbird" que o diga - nos anos posteriores. Em contraste, "What Goes on" e "Run for Your life", são praticamente os últimos registros de "raiz" feitos pela banda até a retomada da pegada em "Abbey Road"(1969). Recheadas daquela guitarra "western swing" que HARRISON aprendeu com SCOTTY MOORE e CARL PERKINS são de uma simplicidade e uma entrega proporcional ao efeito que causam no ouvinte.

Como diz um conhecido árbitro: "a regra é clara" – se não fossem os Beatles as regras da música não seriam a que conhecemos hoje. A difusão de ELVIS e do som negro no Reino Unido não teriam acontecido na mesma proporção, a indústria da música teria levado mais tempo para se edificar, a idéia de turnês , recursos de gravação , capas originais, etc, idem; e por aí vai. Não se trata de gostar ou não; se trata, simplesmente, de constatação.

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Outras resenhas de Rubber Soul - Beatles

2698 acessosBeatles: o pontapé inicial para a revolução musical

Paul McCartneyPaul McCartney
De volta ao Brasil no final do ano, diz jornal

547 acessosBeatles: Sgt. Peppers vai ganhar versão mega especial de 50 anos1983 acessosRingo Starr: quem é maior, Beatles ou Justin Bieber?3559 acessosBeatles: documentário será lançado no cinema em Maio1022 acessosThe Beatles: tracklist detalhado da nova edição do "Sgt. Peppers"0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Beatles"

The BeatlesThe Beatles
Como seriam os Fab Four se fossem gordos?

Q MagazineQ Magazine
Leitores elegem as 100 Maiores Estrelas do Século XX

Ogro do MetalOgro do Metal
Os álbuns mais importantes da história do Rock

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 22 de outubro de 2012

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Beatles"

Avenged SevenfoldAvenged Sevenfold
"Mike Portnoy não queria sair da banda"

CensuraCensura
53 nomes que você não pode dizer em uma rádio

MetallicaMetallica
Noiva toca "Master..." na bateria no casamento

5000 acessosOficina G3: Juninho Afram critica líderes evangélicos por ódio5000 acessosSlash: Alucinações, sexo, dinheiro e armas de fogo no auge do vício5000 acessosMarty Friedman: "Guitarristas, não percam seu tempo com música instrumental"5000 acessosGuns N' Roses: Duff McKagan diz que é melhor tocar sóbrio5000 acessosSlipknot: "Não nos repetiremos como artistas!"5000 acessosBandas de Velhos Gordos: elas acabarão com o metal, teme produtor

Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

Mais matérias de Paulo Severo da Costa no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online