Beatles: surpreendente para os ouvidos despreparados da era
Resenha - Rubber Soul - Beatles
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 22 de outubro de 2012
Em 1965, três anos após aparecem para o mundo por meio do single "Love Me Do", os BEATLES já tinham atingido o ápice comercial da época: após o lançamento de "Help!" no ano anterior, o quarteto já tinha criado o videoclipe, feito uma mega turnê (para os padrões da época) pela América, lançado "Yesterday", fumado maconha com BOB DYLAN no banheiro do Palácio de Buckingham (apesar de, segundo LENNON essa não ter sido a primeira experiência deles com o fumo , conforme foi difundido) e por aí vai. Diante disso, poderia se pensar no comodismo e na repetição de fórmulas como uma continuidade na carreira, certo ? Errado. Para a esmagadora maioria dos fãs e da crítica, começava ali, o período que criaria o mito.
O primeiro dos registros da banda da chamada fase da "pós inocência" é "Rubber Soul" lançado em dezembro de 1965. McCartney nomeou o álbum após ouvir da crítica que JAGGER cantava com "alma de plástico" (o termo também aparece em "I´m a Down" registrada como single em meados daquele ano.) Com a psicodelia estampada no título e na capa (cuja lenda afirma tratar-se de um efeito acidental que chamou a atenção da banda), "Rubber Soul"- sarcasticamente apelidado por LENNON como o "disco da maconha"- abriria alas tanto para os experimentalismos orientais de "Revolver"(1966) quanto para o surrealismo de "Sgt. Pepper´s" (1967) ou a maturidade lírica do "Álbum Branco" (1968). Abrindo com a testosterona de "Drive My Car", uma homenagem pétrea a LITTLE RICHARD e FATS DOMINO, o disco segue por terrenos tão arenosos quanto surpreendentes para os ouvidos ainda despreparados dos anos 60.
"Norweggian Wood", regravada por Deus e o mundo, abre com a cítara que, se hoje aparece até nos piores momentos da música pop, na época era tão estranho quanto a presença de uma sanfona em uma banda de death metal. As linhas criadas por HARRISON são econômicas e precisas, dando um caráter totalmente inovador a uma canção simples em essência. Aliás, no quesito pioneirismo, fica difícil comparar o álbum (é válido lembrar que a carreira de FRANK ZAPPA começaria, em caráter autoral e experimental, com "Freak Out" em 1966) com o que existia até o momento: que tal misturar cravo, solo barroco e levada pop ("In My Life"), letra em francês e harmonias jazzísticas ("Michelle", uma brincadeira de PAUL com frases de efeito na língua de MONTAIGNE) e estrutura musical grega (!) em tom menor ("Girl") ?
No aspecto lírico, novidades na mesma medida: conforme se descobria como um compositor acima da média, LENNON absorvia influências literárias mais densas, saindo do esquema "amores perdidos" em todas as canções: "Nowhere Man" talvez seja a pioneira de suas composições em tratar com mais profundidade sobre as reflexões da vida (Ele é um autêntico Homem de Lugar Nenhum/Sentado em sua terra de lugar nenhum/Fazendo todos os seus planos inexistentes/Para ninguém) e abriu precedentes para dramas líricos de primeira grandeza - "Blackbird" que o diga - nos anos posteriores. Em contraste, "What Goes on" e "Run for Your life", são praticamente os últimos registros de "raiz" feitos pela banda até a retomada da pegada em "Abbey Road"(1969). Recheadas daquela guitarra "western swing" que HARRISON aprendeu com SCOTTY MOORE e CARL PERKINS são de uma simplicidade e uma entrega proporcional ao efeito que causam no ouvinte.
Como diz um conhecido árbitro: "a regra é clara" – se não fossem os Beatles as regras da música não seriam a que conhecemos hoje. A difusão de ELVIS e do som negro no Reino Unido não teriam acontecido na mesma proporção, a indústria da música teria levado mais tempo para se edificar, a idéia de turnês , recursos de gravação , capas originais, etc, idem; e por aí vai. Não se trata de gostar ou não; se trata, simplesmente, de constatação.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
43 roqueiros que morreram em 2026, segundo a Loudwire
Aerosmith publica novas fotos e confirma retorno do baterista Joey Kramer
O disco do Iron Maiden que fez integrantes do Metallica perderem o controle dentro de um avião
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Por que King Crimson é melhor do que Dream Theater, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
Os três melhores solos do Rush segundo Alex Lifeson, incluindo um que até ele acha difícil
Blaze Bayley traz turnê comemorativa "Iron Maiden 30th Anniversary" ao Bangers Open Air
A diferença dos fãs de metal nos EUA e Europa e no Brasil, segundo produtor do ProgPower
A banda dos anos 1990 que não tocava depois do Motörhead ou Slayer
Mateus Asato elege o último guitar hero que existe e compara com Slash e Van Halen
Rhapsody anuncia Brasil na turnê de despedida em 2027
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro


A curiosa opinião de Eddie Van Halen sobre os Beatles; "Ele odiava a própria voz"
Projeto promete transformar o centro de Liverpool em espaço temático dos Beatles
Duas músicas dos Beatles entram para o Clube do Bilhão do Spotify
O melhor show que Ringo Starr dos Beatles viu em todos os tempos, segundo o próprio
A banda que Ozzy venerava, James Hetfield odiava e Bruce Dickinson ridicularizava
Crise financeira leva atração turística dos Beatles em Liverpool a ser colocada à venda
A música do Nirvana que surpreendeu Dave Grohl e poderia estar num disco dos Beatles
Como um alto-falante destruído e um acidente de fábrica ajudaram a criar o heavy metal
O problema em Abbey Road que ajudou o Pink Floyd a criar um de seus grandes álbuns
A música dos Beatles que Taylor Momsen, do The Pretty Reckless, considera perfeita
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman


