Lordi: monstrengos arranjaram tempo para quinto álbum

Resenha - Deadache - Lordi

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Por Ben Ami Scopinho
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Depois que venceu o Eurovision Song Contest, o Lordi atingiu tal sucesso que resolveu expandir sua área de atuação. Os finlandeses montaram sua própria empresa, abriram um restaurante temático, têm sua imagem estampada em cartão de crédito do Sampo Bank, fizeram um filme de terror (cheio de potencial, mas cuja estória não dá em nada...) onde aparecem para atazanar a vida de uma garotinha, e, oras vejam, possuem até seu próprio refrigerante, o sugestivo ‘Lordi Cola’.

Ainda que aparentemente cheios de compromissos com seu novo império comercial, os monstrengos arranjaram tempo para refazer o visual e liberar seu quinto álbum, "Deadache". Extravagâncias à parte – e isso é possível em se tratando deste circo dos horrores à base de borracha...? – ao longo da audição fica claro que há algo de diferente por aqui. Talvez, em função de todas essas atividades extramusicais, não tenha havido o devido tempo para arejar as idéias e permitir que a conhecida inspiração resultasse em um repertório realmente carismático. Sei lá...

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Mas o certo é que "Deadache" está aquém do carisma de seu antecessor, o pra lá de grudento "The Arockalypse" (06). É claro que há grandes arranjos, bem primitivos. Boa parte daquele Hard Rock deliciosamente fantasmagórico se faz presente em faixas como "Man Skin Boots" e "Missing Miss Charlene", além do single muito bem selecionado "Girls Go Chopping", onde as linhas de voz de Mr Lordi continuam muito bacanas com sua divertida rispidez.

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Em contrapartida, é como se a vida do Lordi dependesse de seus refrões. As excessivas tentativas de torná-los vibrantes culminaram em ocasiões por demais acessíveis, pop mesmo. Exemplos? "Bite It Like A Bulldog" ou "Raise Hell In Heaven" seriam incríveis se não se perdessem com os tais refrões. Outro ponto que compromete é o desinteresse que suas tantas faixas lentas exercem sobre o ouvinte – aliás, não consigo visualizar tantos monstros cantando a açucarada "Evilyn" ao vivo!

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A maestria que o Lordi sempre apresentou em absorver e adaptar as lendárias sonoridades do Hard Rock oitentista pode ter atingido seu limite? "Deadache" mostra que nem este limite foi alcançado, infelizmente. É claro que, mesmo abaixo das expectativas, não dá para considerá-lo um álbum sem consistência, mas os finlandeses podem fazer muito melhor. E isso já foi comprovado num passado nada distante...

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Formação:
Tomi ‘Mr. Lordi’ Putaansuu - voz
Amen (Jussi Sydänmaa) - guitarra
OX (Samer el Nahhal) - baixo
Awa (Leena Peisa) - teclados
Kita (Sampsa Astala) - bateria

Lordi – Deadache
(2008 - Sony / BMG – importado)

01. SGC IV
02. Girls Go Chopping
03. Bite It Like a Bulldog
04. Monsters Keep Me Company
05. Man Skin Boots
06. Dr. Sin Is In
07. The Ghosts Of Heceta Head
08. Evilyn
09. The Rebirth Of Countess
10. Raise Hell In Heaven
11. Deadache
12. The Devil Hides Behind Her
13. Missing Miss Charlene

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Homepage: www.lordi.org


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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