Motorocker: álbum de estréia do ACDC brasileiro
Resenha - Igreja Universal do Reino do Rock - Motorocker
Por André Molina
Postado em 27 de dezembro de 2007
"Igreja Universal do Reino do Rock" é o nome do primeiro disco autoral da banda curitibana Motorocker. Gravado em 2006, o trabalho já emplacou alguns sucessos nas noites da capital paranaense e nas rádios locais como a faixa título, "Blues do Satanás" e "Salve a Malária". Antes de estrear com um trabalho próprio, o grupo adquiriu maturidade com o lançamento de um disco tributo ao AC/DC no circuito underground de Curitiba.
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O trabalho assume destaque devido à honestidade do Motorocker. Em nenhum momento a banda demonstra que deseja fazer uma música inovadora, que soe diferente de seus ídolos australianos: o AC/DC. Vale lembrar que, antes de seguir o caminho de composições próprias, a banda se consagrou como a principal banda tributo de AC/DC do mundo, recebendo o aval dos integrantes originais. Na turnê do disco Ballbreacker (1996), realizada também em Curitiba, os irmãos Young e Brian Johnson afirmaram que "era a melhor banda tributo que ouviram até então".
Para provar a fidelidade aos australianos, a bolachinha é encerrada com bônus track da cover "Back in Black". É incrível a dificuldade que se tem para diferenciar a versão da original. A canção também inspirou a concepção visual do CD. A capa preta com o logo da banda em branco lembra o disco "Back in Black", que se tornou o segundo mais vendido da música pop no início da década de 80, atrás somente de "Thriller" de Michael Jackson.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O trabalho tem dez canções. Metade é cantada em português e o resto é em inglês. Nas faixas em português, é que a banda demonstra seu estilo. Nas faixas em inglês como "Rock ‘N’ Roll Old Fashioned" e "Shadow Road" não é difícil confundir com a banda dos australianos.
Em "Igreja Universal do Reino do Rock", o grupo celebra a ideologia musical de maneira bem humorada. "Rogai por nós ó deuses do Rock. Mantenham-nos longe da música pop. E que se explodam essas modas do inferno. Estas drogas passam mas o rock é eterno", diz trecho da letra. Segundo a banda, a faixa título "cria o mundo ideal para os seus seguidores".
Na maioria das canções, o grupo homenageia o público que acompanha o trabalho desde meados da década de 90, principalmente, em "Salve a Malária".
Às vezes dá a impressão de se escutar Brian Johnson cantando em português, o que é engraçado e acaba imprimindo uma atmosfera de originalidade na música do Motorocker. Mesmo sem a intenção de ser diferente, o grupo consegue acidentalmente criar um estilo próprio.
O vocalista Marcelus Motorocker mantém o pique sem dificuldades. Fato justificado pelos inúmeros shows que realizou nas casas noturnas de Curitiba. Os riffs e solos do guitarrista Luciano Pico, como não poderiam deixar de ser, são inspirados no trabalho de Angus Young. A bateria de Juan exibe uma levada simples e segura como de Phil Rudd. O baixo marcante de Sílvio colabora com a cozinha que mantém o peso do Motorocker.
A produção do disco não pode deixar de ser mencionada. O som extremamente limpo não compromete o peso e só colabora com a qualidade final do trabalho. As dez faixas do CD resumem o estilo do Motorocker. Muito AC/DC somado ao bom humor brasileiro.
O disco de estréia da banda serve como um aviso à indústria da música. Em tempos de vacas magras no rock brasileiro, as grandes gravadoras poderiam deixar a exaustiva busca pela novidade e encontrar a felicidade no "bom e velho Rock ‘N’ Roll".
Marhceco/Rock Brigade Records
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