Van Canto: Heavy Metal sem guitarras é Heavy Metal?

Resenha - A Storm To Come - Van Canto

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Ben Ami Scopinho
Enviar Correções  

8


Putz, é cada coisa que aparece... O Van Canto se formou na Alemanha em 2006, e vem sendo alvo de muitos comentários entre o público e crítica pelo simples fato de ser um conjunto que não faz uso de guitarras, contrabaixo ou teclados. É somente uma bateria e cinco vocalistas, que se encarregam, com o complicado trabalho de suas vozes, de passarem ao ouvinte toda a instrumentação inerente de uma banda de Heavy Metal. E até já batizaram isso como "metal a capella", o que, convenhamos, é uma denominação que procede.

E como esta ousadia toda acaba soando? Afinal, Heavy Metal sem eletricidade não é Heavy Metal. Ou é? Bom, neste ambiente de incertezas o Van Canto consegue ser criativo, muito intenso e, principalmente, pesado. Se fôssemos transferir a sonoridade de seu primeiro álbum, "A Storm To Come", para o Heavy Metal propriamente dito, ele se enquadraria tranqüilamente no Power Metal Melódico e Épico, com direito a todos os arranjos manjados que fizeram – e ainda fazem – história.

publicidade

Mas, como tudo é construído em função das harmonias vocais, a coisa toda acaba se tornando imprevisível. Algo que é naturalmente curioso e que dá gosto de se observar é a maneira com que seus músicos resolvem alguns problemas ‘técnicos’ com uma habilidade notável. Os caras até inventaram (sim, inventaram!) o termo 'Rakkatakka', que é o som vocal que reproduz os riffs das guitarras, que se escuta no decorrer de praticamente todas as canções e das mais variadas formas.

publicidade

Assim sendo, o Van Canto estreou com um disco muito interessante, com destaque para a pegajosa "The Mission"; ou os ótimos duetos entre a voz de Dennis e Inga em "Starlight" e "She´s Alive", esta última até mesmo com simulação de solos de guitarras. E para sanar as eventuais dúvidas de que são capazes de reproduzir o Heavy Metal com suas vozes, os alemães reformularam "Battery", do álbum "Master Of Puppets" (86), clássico de ninguém menos que o Metallica, com resultado bastante satisfatório. A versão nacional traz um clipe para "The Mission", que satisfaz a curiosidade em saber como funciona todo este aglomerado de vozes.

publicidade

Entre o cômico e o curioso, e independente dos preconceitos e equívocos que possam surgir daí, "A Storm To Come" é uma tentativa bem sucedida de sair da mesmice ao fazer uso do instrumento mais primitivo e natural possível: a voz. Com certeza merece ser mais do que um mero item curioso que toda coleção geralmente possui.

... Sem falar nas possibilidades que este tal de 'Metal a Capella' pode proporcionar no futuro! Já pensaram o Therion ou o Haggard fazendo uso deste recurso em algumas de suas composições?!?

publicidade

Formação:
Dennis Schunke - voz principal
Inga Scharf - voz principal
Stefan Schmidt - vocais baixos ‘rakkatakka’ e solos vocais de guitarra
Ross Thompson - vocais altos ‘rakkatakka’
Ingo Sterzinger - vocais ‘dandan’ baixos nos refrões
Dennis Strillinger - bateria

Van Canto – A Storm To Come
(2006 / General Schallplatten - 2007 / Laser Company - nacional)

publicidade

01. Stora Rövardansen
02. King
03. The Mission
04. Lifetime
05. Rain
06. She´s Alive
07. I Stand Alone
08. Starlight
09. Battery

Homepage: www.vancanto.de


Outras resenhas de A Storm To Come - Van Canto

Van Canto: cinco vocais, música descartável




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Angra: como fica Carry On nas vozes do Van CantoAngra
Como fica "Carry On" nas vozes do Van Canto

Andre Matos: assista vídeo de Carry On com Van Canto no WOAAndre Matos
Assista vídeo de Carry On com Van Canto no WOA


Linkin Park: 20 coisas que você não sabe sobre a bandaLinkin Park
20 coisas que você não sabe sobre a banda

Suzi Quatro: a importância da linda baixista para o rockSuzi Quatro
A importância da linda baixista para o rock


Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

Mais informações sobre Ben Ami Scopinho

Mais matérias de Ben Ami Scopinho no Whiplash.Net.

WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin