Resenha - Acoustic Verses - Green Carnation
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 09 de dezembro de 2006
Nota: 8 ![]()
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Formado na Noruega em 1990 e ressuscitado oito anos depois, o Green Carnation sempre foi conhecido pelas freqüentes mudanças em sua formação e direcionamento musical camaleônico. Seus álbuns são ambiciosos (que o diga "Light Of Day, Day Of Darkness"...) e difíceis de categorizar, mas a habilidade com que incorporam o Doom, Death, Power Metal, Hard, etc, os tornou respeitados pela mídia, e formaram uma fiel base de admiradores ao longo dos anos.

Depois de explorar vários estilos nestes quinze anos, estava faltando algo no formato acústico. Tchort, o único membro fundador que sobrou da formação inicial do Green Carnation, conta com mais seis músicos e decidiram liberar este "The Acoustic Verses", renunciando em grande parte aos muitos experimentos que os aproximavam do rock progressivo. E detalhe importante: o disco apresenta somente faixas inéditas, nada das manjadas releituras de velhas canções.
Embora os violões sejam predominantes, este não é um registro inteiramente acústico, pois conta com um contrabaixo e outros instrumentos elétricos, além de alguns efeitos eletrônicos que criam uma atmosfera belíssima em torno das canções, enriquecida ainda mais pela presença de músicos convidados tocando violino, viola e cello. Além da eficácia e sutileza destes arranjos, o vocalista Kjetil (Trail Of Tears) mostra total confiança, cantando de forma limpa e cheia de paixão – lembra até mesmo Bono Vox (!!!) em certos momentos – sendo o ponto alto desta atual formação.
Em geral a maioria das faixas são consideravelmente melancólicas ou descontraídas, mesmo com vários momentos de grande intensidade. Algumas canções trazem nuances folk, como "Alone", com um violino lhe injetando um charme todo especial, e a própria faixa-bônus "Six Ribbons". "Burning Is Mine... Alone" é outro grande destaque, que se caracteriza por ter o baixista Stein Roger a cantá-la.
"The Acoustic Verses" é repleto de bons momentos, mas "9-29-045" é o ponto onde o Green Carnation mostra toda sua desenvoltura em mais de 15 minutos, onde combinam a calmaria dos sons acústicos com parte das tendências progressivas que a banda sempre apresentou. Dividida em três movimentos da mais pura tranqüilidade, o momento mais belo acaba por ser quando entram em cena os teclados viajantes e introspectivos da segunda parte.
Chega a ser irônico – mas não estranho – que Tchort, que já passou por bandas extremas como Emperor, Satyricon ou Carpathian Forest, libere um trabalho tão sensível como "The Acoustic Verses", enquanto algumas "grandes" estrelas do mainstream soltaram, há algum tempo, álbuns acústicos pra lá de preguiçosos. Aí vemos a diferença gritante entre arte propriamente dita e meros produtos que não passam de lixo caça-níqueis...
Finalizando: o Green Carnation mostra grande disciplina e o disco acaba por ser orientado a um público mais, digamos, adulto. E aqueles que rapidamente criticam conjuntos de metal que liberam álbuns neste formato: segurem sua língua ferina, abram os ouvidos e dêem uma cuidadosa atenção a estas canções. É um lançamento que vale a pena ser conhecido tanto pelos apreciadores quanto detratores de discos acústicos.
Formação:
Kjetil Nordhus - voz
Tchort (Terje Vik Schei) - guitarra acústica
Bjørn H. - guitarra acústica, slide, ebow
Kenneth Silden - piano, cordas e mellotron
Michael S. - guitarra acústica
Stein R. - baixo
Tommy Jackson - bateria
Green Carnation - The Acoustic Verses
(2006 – Sublife Productions / Hellion Records – nacional)
01. Sweet Leaf
02. The Burden is Mine ... Alone
03. Maybe?
04. Alone
05. 9-29-045
- My Greater Cause (parte I)
- Home Coming (parte II)
- House Of Cards (part III)
06. Childs Play
07. High Tide Waves
08. Six Ribbons (faixa-bônus)
Homepage: www.greencarnation.no
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