Resenha - Bad Words And Evil People: The Transatlantic Anthology - Skin Alley

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9


Oriundo da cena hard/prog inglesa do final dos anos 60, o Skin Alley teve carreira curta mas produtiva entre 1969 e 1974, período no qual lançaram 4 LPs. Esta compilação ora lançada inclui o terceiro e o quarto discos por completo, e ainda alguns singles da mesma época.

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Originários da cena underground londrina, mais precisamente da região de Notting Hill/Landbroke Grove, que também incluía bandas como Hawkwind (incluindo Lemmy Kilmister em sua carreira pré-Motörhead), Cochise e Pink Fairies, o Skin Alley se notabilizou por seus shows em universidades e festivais gratuitos (leia-se, onde não ganhavam um tostão furado). A maré começou a virar quando o famoso DJ John Peel, da rádio BBC, assistiu a um show deles e os indicou a executivos de gravadoras. Fecharam um acordo com a CBS para lançarem seus 2 primeiros LPs. Em março de 1970, saiu o primeiro, auto-intitulado, com a formação incluindo Thomas Crimble (vocais, baixo), Bob James (guitarra, saxofone, flauta), Krzysztof Henryk Juskiewicz (teclados) e Alvin Pope (bateria). A formação perdurou por algum tempo, sendo que já durante as gravações do segundo álbum, "To Pagham And Beyond" (lançado em dezembro de 1970), Crimble deixou o grupo para se juntar ao Hawkwind, sendo substituído então por Nick Graham (baixo, vocais, flauta).

As vendas não decolaram apesar de uma extensa agenda de shows por casas como Marquee e The Roundhouse. Como conseqüência, a parceria com a CBS chegou ao fim após os 2 primeiros discos. Para completar, Pope deixou o grupo, sendo substituído pelo baterista Tony Knight.

De qualquer forma, conseguiram algum destaque em festivais de renome na Inglaterra, e acabaram por assinar um novo contrato com a Transatlantic Records, notadamente um selo dedicado à música folk, mas que estava buscando novidades em outros estilos como forma de sensibilizar a juventude universitária inglesa e nela se imiscuir. O Skin Alley caiu bem nesse estilo, com sua mistura de hard rock, folk music, rock progressivo e até jazz.

Em outubro de 1972, lançaram o disco "Two Quid Deal", um inspirado disco recheado de diferentes influências e estilos. Um pouco de Jethro Tull aqui, outro tanto de Paladin ali, o fato é que o Skin Alley conseguiu soar ao mesmo coeso e eclético neste trabalho. O primeiro CD desta coletânea aqui resenhada contém em sua plenitude este disco por inteiro, acrescido do single "You Got Me Danglin'" (um "hardão" setentista de primeira!). Da abertura tipicamente hard/prog com "Nick's Seven" a mais intimista "Sun Music", que fecha o disco, passamos por vários climas, incluindo alguns altamente "grooveados" e outros um tanto quanto jazzísticos, com os instrumentos de destaque se alternando, seja o indefectível órgão Hammond, a guitarra, ou mesmo a flauta e o sax.

Já no ano seguinte, precisamente em novembro de 1973, lançaram seu quarto disco, "Skintight", aqui presente por completo no segundo CD. No final deste estão ainda 2 singles da época: "In The Midnight Hour" (versão para o clássico de Steve Cropper e Wilson Pickett) e um take alternativo de "Broken Eggs". Mais comercial que os discos anteriores, esse trabalho apresentou algumas interessantes novidades de qualquer maneira. Arranjos com a adição de cordas e sopros deram um ar mais profissional, numa tentativa de se obter maior apelo em rádios e afins. O estilo das músicas mais uma vez variava bastante, entre o "boogie" de "At A Quarter To One", levada no piano à la Elton John em seus melhores momentos, e baladas inspiradas como "If I Had The Time" e "How Long?". Em comparação ao disco anterior, parece faltar um pouco de "energia", salvo algumas exceções como os bluesões "Maverick Woman Blues" e "The Heap Turns Human", que se sucedem no disco e mostram uma liberdade que aparentava estar um tanto quanto perdida, presa entre um esquema de produção mais elaborado, porém capaz de cercear a criatividade. Para finalizar o disco original, um ótimo tema instrumental, denominado "Instermental", contendo uma ativa participação da flauta de Nick Graham e da guitarra de Bob James.

Após este lançamento e mais uma vez sem atingir o sucesso desejado, o grupo acabou se separando. Uma pena, pois se tratava de um bom exemplo do que o efervescente cenário inglês era capaz de produzir. Tal fato, contraditório por si só, era o que possivelmente explicava porque tantas excelentes bandas daquela época não vingaram: a concorrência era enorme.

CD 1 (disco "Two Quid Deal")

1. Nick's Seven
2. So Many People
3. Bad Words And Evil People
4. Graveyard Shuffle
5. So Glad
6. A Final Coat
7. Skin Valley Serenade
8. The Demagogue
9. Sun Music

Bonus Track:
10. You Got Me Danglin'

CD 2 (disco "Skintight")

1. If I Only Had Time
2. At A Quarter To One
3. How Long?
4. Surprise Awakening
5. Broken Eggs (LP Version)
6. Maverick Woman Blues
7. The Heap Turns Human
8. What Good Does It Do?
9. Mr. Heavy
10. Instermental

Bonus Tracks:
11. Broken Eggs (Single Version)
12. In the Midnight Hour




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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D'Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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