Reflexo de Saturno e a veia festiva e vibrante do hard rock nacional
Resenha - Ruína interna - Reflexo de Saturno
Por Marcelo R.
Postado em 02 de julho de 2025
Os irmãos sorocabanos Ricardo Campos e Alan Campos lançaram-se, recentemente, a uma empreitada conjunta, com indiscutível potencial para alçar voos elevados. O projeto: Reflexo de Saturno.
O trabalho de estreia, Ruína Interna – um EP formado por 4 canções –, impressiona pela maturidade musical espelhada ao longo dessa agradável audição, que soma aproximadamente 15 minutos.
A proposta musical apresentada por Reflexo de Saturno deita raízes, predominantemente, em elementos de hard rock, em sua vertente mais vivaz. Entrega, assim, no aspecto geral da sua musicalidade, uma veia festiva e vibrante, sem, porém, excessos ou estrepolias.
Em termos de andamento, as faixas ritmam-se em cadências que se alternam entre o moderado e o veloz.
No comando vocal, o ouvinte expõe-se ao protagonismo de uma surpreendente versatilidade. Desfilam, nesse aspecto, exibições – aqui, no melhor dos sentidos! – que exploram ora feições limpas e cristalinas, ora incursões mais agressivas e roucas, com drives tão belos quanto viscerais, sem exageros ou extremos. Isso tudo, no melhor estilo noventista do gênero.
As duas primeiras faixas do EP, Sonho de Voar e Contraminhos, são especialmente representativas do direcionamento acima bordado e abordado. Desenvolvem-se com vocais potentes e riffs de guitarra marcantes, prontamente assimiláveis.
Ainda, o trabalho de bateria é técnico e preciso, permitindo-se, porém, a alternâncias de ritmos e de movimentos. Tudo isso, na justa medida ao alcance de um resultado cuidadosamente executado e que, em termos de apreço sonoro, permite agradável degustação de uma ambiência cantarolante e, no melhor dos sentidos, pegajosa/grudenta.
Em resumo: uma soma bastante eficaz de ideias que, coesamente executadas, entregam um produto esculpido fora de clichês ou de estereótipos (ainda que, naturalmente, algumas influências do gênero sejam facilmente percebidas e, ao longo da audição, resgatadas).
A segunda faixa, Contraminhos, é, por sinal, a minha favorita, em Ruína Interna. O refrão, emocionante clímax e um dos apogeus do trabalho, remeteu-me ao estilo A.O.R do gênero, resgatando-me influências como W.E.T e Eclipse, apenas para citar o paralelo de dois expoentes.
A segunda metade de Ruína Interna é formada pelas igualmente vivazes canções Lágrimas e Abismo da Razão. Mantendo, na essência, a estrutura hard rock, as composições são, porém, salpicadas, daqui em diante, por influências mais simples e diretas, num estilo à la pop punk / skate punk, que popularizou o rock nacional especialmente no início dos anos 2000. Nostálgica rememoração, agradavelmente revisitada, com muito bom gosto, por Reflexo de Saturno.
Como já pressagiam os títulos, o EP Ruína Interna é inteiramente cantado em português, elemento que, por certo, facilitará a projeção da banda no mercado nacional.
As letras voltam-se a olhares interiores. Moldadas com contornos líricos, tematizam apelos subjetivamente íntimos, espelhando um extravasamento que apenas a arte, na sua tábua de salvação, permite desafogar.
Com um trabalho maduro já no nascedouro, aguarda-se, com animação e elevada expectativa, os próximos passos reservados por Reflexo de Saturno. O projeto demonstrou, já nessa linha de largada, não apenas potencial, mas efetivo repertório de boas ideias, combustível propulsor para um material completo (full-length), desde logo desejado. E para um futuro breve...
Nesse ainda incipiente surgimento, Reflexo de Saturno já merece especial atenção pelo elogioso resultado alcançado.
Mantidas a qualidade e a criatividade composicionais desse cartão de entrada, e dedicando cuidado à otimização dos aspectos de produção e de gravação, Reflexo de Saturno poderá ocupar, por mérito e por justiça, espaço prestigioso nas fileiras do gênero, após o lançamento de um futuro, e já aguardado, material completo.
À continuação do projeto, que acompanharei a curta distância, meus votos de longevidade e, especialmente, de inesgotável inspiração.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A saga de Christopher Lee no Heavy Metal
Prestes a completar 80 anos, baterista Chris Slade (AC/DC, The Firm) anuncia aposentadoria
A música dos Beatles que Paul McCartney considerava tão esquecível que mal lembrava dela
Falece Barry Mitchell, ex-baixista do Queen
A canção amaldiçoada do The Who que Roger Daltrey nunca mais vai cantar
Marcelo Adnet realmente ajudou a acabar com o rock no Brasil?
A canção do Led Zeppelin que Robert Plant acha difícil cantar até hoje
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
Os melhores discos de rock e metal lançados em 1982, segundo a Louder
A opinião de Regis Tadeu sobre o show do Manowar em que fãs queimaram camisas
A canção de Neil Young que deixa Roger Waters praticamente sem palavras
O guitarrista que Brian May achava ser louco e perigoso; "muito à frente de todos nós"
O lendário baterista com quem Keith Richards odiou tocar: "Não tocava p*rra nenhuma!"
Roger Waters explica por que o Pink Floyd descartou participação de Paul McCartney no "Dark Side"
Mick Jagger elege seus álbuns e músicas favoritos dos Rolling Stones


Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão


