Beatles: 45 anos de "Sgt. Peppers Lonely Hears Club Band"
Por Eduardo Schereder
Postado em 03 de junho de 2012
Quarenta e cinco anos atrás. Talvez, nem seus pais eram nascidos nessa época, o que não faz diferença. Em 1967, a modernidade transbordava em forma de música em "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, oitavo álbum de estúdio dos BEATLES.
O que era para ser um álbum conceitual acabou virando um amálgama de sons e experimentações que ultrapassam qualquer narrativa linear. Se em "Revolver", os rapazes de Liverpool haviam mostrado ao mundo que a psicodelia havia vindo para ficar, em "Pepper" eles redefiniam sua própria cria. É impossível não pensar nas inúmeras bandas que seguiram seus passos na experimentação, de Hendrix a Os Mutantes.
No disco, os efeitos servem à boa música, não o contrário. O engenheiro de som Geoff Emerick testou diversas modalidades de captação de som, George Martin alinhou os arranjos perfeitos, tornando a figura do produtor essencial em um bom disco de rock a partir de então. Além da abertura fora do comum, com Billy Shears nos sendo apresentado, temos em "Lucy in the Sky with Diamonds" a sonorização dos efeitos lisérgicos, em plena era do LSD (se era apenas um desenho de Julian Lennon, a mística permanece intacta). Em "Getting Better", uma narrativa em tom irônico, em "She’s Leaving Home", a beleza harmônica tão conhecida dos Beatles, em "Mr. Kite", Lennon mostra todo o seu experimentalismo e, em "A Day in the Life", a atmosfera surrealista que engloba o disco vem ainda mais à tona, trazendo diversas sensações (lembram do "lisérgico" mencionado?). Isso sem esquecer de George Harrison e sua transcendental "Within You Without You".
Falar em Beatles é chover no molhado. Que eles são geniais, isso todo o mundo sabe. Mas, reconhecidamente, foi aqui que eles fizeram jus à fama. "Sgt. Peppers" pode ser considerado o melhor disco de rock, mas não o melhor dos Beatles, para muitos. Uma contradição das melhores no mundo da música, mas perfeitamente explicável: é um álbum que representa muito mais a situação cultural de uma época, do que a música propriamente dita. E é isso que o diferencia de seu nobre concorrente (e, segundo McCartney, também inspirador), "Pet Sounds", dos BEACH BOYS.
Se você não conhece ainda o "Sgt. Peppers", não se faça de rogado. Vá atrás (principalmente da versão em mono, que vale a pena), escute e escute novamente. O resultado é o vício imediato, mas também certa frustração: dificilmente teremos algo assim nos próximos quarenta e cinco anos.
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