Raul Seixas: 10 importantes obras do Maluco Beleza

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Por André Molina
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O maior expoente do rock brasileiro deixou uma legião de fãs por todo o país. Raul Seixas foi vítima de uma pancreatite aguda no dia 21 de agosto de 1989. O consumo excessivo de álcool aliado à diabete foi fatal para o roqueiro baiano, que faleceu aos 44 anos. Em 22 anos de carreira, Raulzito deixou seu talento em quase 20 discos autorais. A música dele era única por se tratar do primeiro roqueiro de grande relevância a sair da Bahia, a terra do Axé e da Lambada. Ele não se enquadrou em nenhum movimento musical. No fim da década de 60, rivalizou com a Tropicália de Caetano Veloso e Gilberto Gil, e na década de 70 se tornou o principal nome do gênero nacional com um rock originalmente nordestino. Elvis Presley e Luiz Gonzaga eram notadamente suas principais influências em canções com muitas metáforas para driblar a ditadura militar. Em homenagem ao verdadeiro rei do rock brasileiro, o whiplash expõe 10 importantes obras de Raulzito.

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Gita (1974)

Não é fácil eleger qual é o melhor disco de Raul Seixas. A exposição de “Gita” vale mais como uma sugestão. Além de ser um grande sucesso comercial, o trabalho emplacou clássicos como a faixa título, “Sociedade Alternativa”, “SOS”, “O Trem das Sete”, “Medo da Chuva” e “As Aventuras de Raul Seixas Na Cidade de Thor”. Nas letras percebe-se ainda o envolvimento de Raul e do mago parceiro Paulo Coelho com o ocultismo. Em “Sociedade Alternativa”, é citada a obra “A Lei” de Alester Crowley, conhecido como principal divulgador da filosofia satanista. Antes de gravar o LP, Raul anunciou que iria adquirir um terreno em Minas Gerais para a construção da “Cidade das Estrelas” (local em que desejava fundar uma comunidade paralela). A intenção do cantor chegou ao fim após ser torturado pelo DOPS e exilado nos Estados Unidos. Com o álbum, Raulzito conseguiu o primeiro disco de ouro (600 mil cópias vendidas). Ele voltou ao país após a canção “Gita” se tornar um grande sucesso nas rádios.


Krig-ha, Bandolo! (1973)

Após iniciar a carreira com trabalhos autorais que não tiveram um bom desempenho comercial e uma coletânea com interpretações de canções da década de 50, o roqueiro baiano lançou seu primeiro grande sucesso. Com a canção “Ouro de Tolo”, o álbum "Krig-ha, Bandolo!" consagrou Raul. A música foi uma dura crítica à classe média que se alienou diante do Milagre Econômico. O trabalho ainda conta com canções que se tornaram populares como “Metamorfose Ambulante”, “Mosca na Sopa”, “Al Capone”, “As Minas do Rei Salomão”, “How Could I Know” e “Rockxixe”.


Há Dez Mil Anos Atrás (1976)

Depois de não conseguir manter o sucesso de “Gita” com o sucessor “Novo Aeon” (somente 60 mil cópias vendidas), Raul Seixas se recuperou com o disco “Há Dez Mil Anos Atrás”. O trabalho também marcou o fim da bem sucedida parceria entre Raulzito e o mago Paulo Coelho. O disco conta com os sucessos “Eu Também Vou Reclamar”, “Meu Amigo Pedro”, “Há Dez Mil Anos Atrás” e “Canto Para a Minha Morte”.


Novo Aeon (1975)

Apesar de “Novo Aeon” ter frustrado comercialmente Raul Seixas e a sua gravadora é inegável que o trabalho tenha registrado grandes clássicos. Muitas canções são veneradas por diversos fãs. Entre elas “Tente Outra Vez”, “Rock do Diabo”, “Eu Sou Egoísta” e as bem humoradas “Tu és o MDC da Minha Vida” e “É Fim do Mês”, que lembra o estilo de “Ouro de Tolo”.


Panela do Diabo – Raul Seixas e Marcelo Nova (1989)

“Panela do Diabo” foi lançado pouco antes da morte de Raul Seixas e contou com a parceria do baiano Marcelo Nova (Camisa de Vênus). O líder do Camisa de Vênus foi responsável por tirar Raul do ostracismo e motivar a criação de um grande disco do rock brasileiro. Antes de lançar o trabalho, Raul tinha gravado dois discos pela gravadora Copacabana que foram fracassos de vendas. O LP demonstra grande influência do rock tradicional da década de 50. Destacam-se as canções “Rock ‘n’ Roll”, “Século XXI”, “Quando Eu Morri” e os eternos sucessos “Pastor João e a Igreja Invisível” e “Carpinteiro do Universo”. Os fãs têm um carinho especial pelo trabalho por ter fechado de maneira emblemática a carreira do rei do rock brasileiro.

É importante lembrar que a primeira parceria musical de Raul e Marcelo Nova foi na música “Muita Estrela, Pouca Constelação” do disco “Duplo Sentido”, da banda Camisa de Vênus. O bom resultado incentivou a união dos dois músicos para a realização de “Panela do Diabo”.


O Dia Em Que a Terra Parou (1977)

O álbum foi o primeiro após o fim da parceria de Raul com Paulo Coelho. A ausência do mago foi sentida. A crítica não gostou do disco e o cantor realizou menos shows de promoção do trabalho. Mesmo assim, o disco emplacou grandes sucessos como “Maluco Beleza” (canção mais conhecida do cantor), a faixa título, “Sapato 36” e “No Fundo do Quintal da Escola”.


Por Quem os Sinos Dobram (1979)

O LP foi o último na gravadora WEA. Apesar de não contar com grandes sucessos e indicar que Raul não tinha a mesma popularidade do início da década de 70, o disco apresenta grandes canções como a faixa título, “Movido a Álcool”, “O Segredo do Universo” e “Ilha da Fantasia”. O trabalho conta ainda com a participação do guitarrista dos Mutantes, Sérgio Dias.


Mata Virgem (1978)

É o álbum menos rock ‘n’ roll da discografia solo de Raul Seixas. O trabalho conta com ritmos como baião, forró e às vezes lembra música caipira. Na época, Raul sofreria as primeiras crises de pancreatite. Belas canções compõem o LP, como a pesada Disco Music, “Judas”, “Pagando Brabo” e “Todo Mundo Explica”. O LP marca também o retorno da parceria de Paulo Coelho e tem a participação de Pepeu Gomes na guitarra.


Raulzito e os Panteras (1968)

É o primeiro registro discográfico de Raul Seixas. Ao lado da banda “Os Panteras”, o baiano fez um álbum que se aproxima do estilo Jovem Guarda. O LP, gravado em 1967 e lançado em 1968, expôs uma versão em português de “Lucy in The Sky With Diamonds” (Você Ainda Pode Sonhar) dos Beatles. A estréia de Raul não foi bem sucedida. O disco vendeu pouco, motivando a separação precoce do grupo.


Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (1971)

A segunda banda comandada por Raul Seixas também lançou outro fracasso de vendas. Ninguém entendeu o disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”, que foi gravado quando Raul era produtor da CBS. As músicas não foram sucesso de público, crítica e a gravadora mal divulgou. O LP foi praticamente engavetado. Como influências, Raul Seixas e os integrantes Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star utilizaram os Beatles da fase “Sgt Peppers”, Frank Zappa e o movimento da Tropicália. Nos anos seguintes o LP se tornou raro e virou cult. Até hoje é difícil encontrá-lo no mercado. A mistura de samba, seresta e rock custou o emprego de Raul na CBS. Percebe-se no disco que Raul buscava sua identidade, que finalmente foi encontrada em “Krig-ha, Bandolo!”

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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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