O cara que ajudou a inventar o heavy metal e ninguém sabe do seu atual paradeiro
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de agosto de 2025
Em qualquer discussão sobre as origens do heavy metal, nomes como Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward aparecem com justiça. Mas o som que definiu o gênero — sombrio, pesado e inconfundível — teve um arquiteto por trás dos bastidores: Rodger Bain. Produtor dos três primeiros álbuns do Black Sabbath, Bain foi peça-chave para que a banda transformasse sua energia ao vivo em discos que mudaram a história da música. E, apesar disso, seu nome caiu no esquecimento.
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Rodger Bain e Black Sabbath
De acordo com matéria do Ultimate Guitar, em 1970, ainda sem saber que estava criando um gênero, o Black Sabbath entrou em estúdio pela primeira vez com Rodger Bain, então um jovem produtor da Vertigo Records. O álbum homônimo, Black Sabbath, foi gravado em apenas um dia. A banda tinha pressa — precisava estar em um show na Suíça no dia seguinte. Sem tempo para arranjos elaborados ou debates criativos, Bain apenas sugeriu: "Toquem como tocam ao vivo."
O disco, lançado naquele mesmo ano, foi um sucesso imediato e deu à banda a confiança para seguir em frente. No segundo álbum, "Paranoid", Bain teve mais liberdade. Foi dele, por exemplo, a ideia de passar a voz de Ozzy por um Leslie speaker em "Planet Caravan", criando um efeito etéreo e inédito na época.
Sua abordagem era minimalista, mas extremamente eficaz. Bain soube destacar a percussão ameaçadora de Bill Ward, os riffs monstruosos de Iommi e os vocais hipnóticos de Ozzy. Ele também incentivou o uso de overdubs, o que enriqueceu a sonoridade com guitarras em canais separados, como no solo da faixa "Paranoid".
Rodger Bain e "Master of Reality"
No terceiro álbum da banda, "Master of Reality" (1971), Rodger Bain estava no auge de sua criatividade. A banda experimentava novos sons: Iommi e Butler "downtunaram" seus instrumentos, criando uma atmosfera ainda mais densa. Bain entendeu o novo caminho e reforçou o peso com camadas de som, trabalhando em parceria com o engenheiro Vic Smith.
O resultado foi um álbum que serviu de modelo para o doom metal e outras vertentes pesadas. Segundo Geezer Butler, Bain foi o primeiro a compreender a proposta da banda. Em entrevista antiga, o baixista resumiu:
"Rodger Bain era como o quinto membro do Black Sabbath. Ele entendeu o que queríamos fazer antes de todo mundo. Só disse: ‘Toquem como fazem ao vivo.’"
Onde está Rodger Bain?
Mesmo com sua importância, Bain foi deixado de lado quando Tony Iommi passou a assumir a produção da banda. Depois disso, ele ainda trabalhou com outros grupos como o Budgie — cujos dois primeiros discos também trazem o peso e a estética que ajudou a consolidar com o Sabbath.
Na sequência, produziu "Rocka Rolla" (1974), álbum de estreia do Judas Priest. Mas a relação não foi boa. Bain pediu que a banda retirasse músicas como "Genocide", "Tyrant" e "The Ripper", que depois se tornariam clássicos. Também foi dele a decisão de reduzir ‘Caviar and Meths" de uma suíte de 14 minutos para uma vinheta instrumental de dois.
Desgastado e cada vez mais distante dos grandes projetos, Bain deixou a produção. Na década de 1980, criou o selo Blue Chip/Cygnet Records, onde trabalhou com bandas de menor expressão.
Desde então, Rodger Bain sumiu dos holofotes. Pouco se sabe sobre sua vida atual. Há boatos de que está vivo, mas se recusa a falar sobre o passado. Em uma história contada nos bastidores, alguém teria tentado entrar em contato com ele por telefone, mas foi atendido pela esposa, que disse que ele não queria conversar.
Apesar do sumiço, a influência de Bain é incontestável. Sem ele, talvez não existisse o heavy metal como o conhecemos. Sua contribuição segue gravada, literalmente, nos discos que ajudaram a moldar o gênero.
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