Vida de rockstar: sexo, drogas e mau comportamento

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Por Márcio Ribeiro
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Já reparou como existe entre nós que amamos o rock ‘n’ roll, um certo fascínio por histórias de mau comportamento por parte de nossos músicos prediletos? Como se ao adicionar uma dose de mítica ao ídolo, sua importância multiplicasse. Vou contar algumas histórias soltas, sem ligação uma com a outra, exceto por serem ações onde o comportamento do artista não é exemplar. Na maioria dos casos o incidente de alguma forma ajudou a moldar a imagem do artista.

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Ozzy Osbourne

Com Ozzy Osbourne curtindo tanta atenção por parte da mídia, pensei em começar com ele. O velho Oz praticamente instituiu um novo conceito de reality show na televisão. O sucesso inesperado do seu programa sui generis na MTV Americana acabou causando uma coqueluche destes tipos de programas.

Bem, muita gente sabe que Ozzy Osbourne mordeu a cabeça de um morcego. Ele mesmo conta que jogaram o bicho no palco e a princípio ele pensou que era de plástico. Sem pensar muito a respeito ele o mordeu e arrancou a cabeça fora. Mas esta não foi a primeira vez que ele fez isto. A fama de arrancador de cabeças nasceu de uma famosa reunião em sua nova gravadora.

Ozzy com o pombo decapitado nas mãos
Ozzy com o pombo decapitado nas mãos

Depois de gravar o disco Blizzard of Oz, houve uma recepção (não exatamente uma festa) em uma das salas de reunião no prédio de escritórios da gravadora. Sharon, sua esposa e empresária, havia lhe dado alguns pombos brancos para guardar no bolso e em determinado momento jogá-los no ar. Foi o que Ozzy fez. Com o disco novo tocando na vitrola, ele cumprimentou todos os ternos que lá estavam, tirou dos bolsos alguns pombos e os jogou pro ar. Os pombos voaram pela sala procurando um lugar para pousar e pousaram. Ficaram na deles, enfim, programa de pombo. Um deles pousou no descanso da cadeira onde sentava uma secretária. Ozzy sem maiores cerimônias sentou-se no colo desta mulher, que não gostou mas não pode falar nada. Ozzy então pegou o pombo, pôs a cabeça do animal na boca e arrancou a cabeça fora, soltando o pássaro em seguida.

O pombo decepado batia as asas furiosamente e Ozzy, com um sorriso travesso, olhava para o fotógrafo enquanto ele batia uma foto que ficaria famosa. Um filete de sangue descendo pelo lado direito da boca. A mulher quase desmaiou, alguns executivos embecados vomitaram de nojo, e o incidente catapultou a carreira solo de Ozzy Osbourne, tido a partir de então como um dos loucos mais engraçados do rock.


Pete Townshend - The Who

Um músico que não é maluco mas fica insano quando no palco é Pete Townshend do The Who. Ele é o primeiro a dizer que para fazer o show que ele faz, ele precisa estar em um estado mental tal que se, por ventura, qualquer pessoa tentar invadir o palco, ele é capaz de matar. De fato, Pete já retirou do palco à base de chutes e pontapés um policial que tentava avisar que o teatro estava pegando fogo e um político esquerdista radical que teve a infeliz ideia de aproveitar um momento de pausa entre canções para discursar para o público em Woodstock.


Iggy Pop

Iggy Pop era considerado o melhor baterista de sua cidade, Ann Arbor, e portanto chamava atenção das meninas. Mas era tão tímido que nunca tirou o devido proveito da sua situação. Começou a se destacar como baterista aos 15 anos, tocando em uma das melhores bandas da região, The Prime Movers. No entanto, ele só foi perder sua virgindade aos 19 anos, época em que estava formando os Stooges. O que torna esta estória engraçada é o motivo das inibições de Iggy. Ele tem desde pequeno um pênis tão grande e tão grosso que se achava um deformado, e ficava sem graça de aparecer nú para quem quer que fosse. Levou muito tempo e amadurecimento para entender que seu defeito era na verdade uma vantagem rara.

GTO

Já que estamos falando de sexo, vamos falar da banda GTO, formado exclusivamente por groupies conhecidas da área de Los Angeles em 1970. Gravaram um disco produzido por Frank Zappa e Lowell George, chamado "Permanent Damage", que é pra lá de raro. O nome GTO é um acrônimo para Girls Together Outrageously. O conjunto original é de um septeto formados por Miss Christine, Miss Pamela, Miss Lucy, Miss Sparkey, Miss Cynderella, Miss Mercy e Miss Sandra. Muitas destas mulheres se tornariam famosas de uma maneira ou de outra.

A mais badalada delas é possivelmente a Miss Pamela, hoje conhecida como Pamela Des Barres, autora do livro ‘I’m With The Band’ que supostamente conta tudo. Em seus dias de mulher liberada, ela teve casos famosos com todo mundo. Foi babá dos filhos de Frank Zappa, Moon e Dweezil, e participou junto com Miss Lucy, das filmagens do épico Zappiano, "200 Motels".

Zappa por volta de 1969 estava pensando em escrever um livro sobre groupies, o conceito lhe fascinando. Miss Christine foi a primeira babá de Moon Unit Zappa, filha mais velha do compositor. Nesta epoca, Christine posou para a capa do disco "Hot Rats" e anos depois reapareceu na capa de "Runt", de Todd Rundgren. Sua graça e carisma também inspiraram The Flying Burrito Brothers a escreverem a canção "Christine’s Tune (She’s A Devil in Disguise)".


The Rolling Stones

Mick Jagger é famoso pela quantidade de amantes que já teve. Em 1969, por exemplo, a namorada principal durante a excursão americana era Miss Pamela. Já na excursão americana seguinte em 1972, passou a ser Miss Mercy. Não que nenhuma delas durassem por toda a excursão. Porém enquanto os Stones estiverem estacionados na California, elas estavam na adianteira.

Um dos casos mais badalados na imprensa foi supostamente com a esposa do primeiro ministro do Canadá, Margaret Trudeau. Isto aconteceu no inicio de 1977, mesma época em que os Rolling Stones excursionaram pelo Canadá e Keith acabou preso por porte de cocaína. Era verdade que a Sra. Trudeau adorava ir assistir os shows da banda e invariavelmente era vista conversando com alguém nos bastidores. Mick Jagger sempre negou o romance, embora fazendo-o com um sorriso moleque no rosto, deixando todos sempre em dúvida. Na verdade, Mick de fato nunca teve um caso com Margaret Trudeau. Ronnie Wood teve.

Bom, lembrando os Stones e falando de comportamento ruim, não pode faltar uma do Keith Richards. Às vésperas do show no Hyde Park, que foi realizado dois dias depois da morte de Brian Jones, o evento foi transformado em uma homenagem póstuma ao ex-guitarrista e fundador da banda. Em dado momento, descendo um corredor qualquer, um jovem repórter se esforçava em tentar arrancar uma declaração do guitarrista. Depois de uma saraivada de perguntas sensacionalistas, sem conseguir nenhuma resposta explosiva, o reporter perguntou se não era de mau gosto fazer um show póstumo para uma pessoa que nem fora enterrada ainda. Keith parou, olhou para o repórter e, sem a mínima cerimônia, desferiu-lhe um soco no meio do nariz. O rapaz saiu cambaleando ensangüentado.


Poison

A banda Poison estourou primeiro em Los Angeles. Alugaram um apartamento que ficava em cima (ou ao lado) do bar Whiskey A-Go-Go. Moravam todos juntos e enquanto ainda pobres, comiam graças ao que as fãs da banda traziam com elas para a casa. A base de alimentação de todos era basicamente pizza e perereca. Algumas destas fãs, ainda estudantes de 2º Grau, cresceram para se tornarem atrizes pornô.

O Poison tinha o hábito de antes de seus shows mandar um roadie com uma câmera de vídeo gravar as meninas na audiência. Eram feitas gravações das meninas contando o que fariam caso fossem escolhidas para freqüêntar os bastidores e ficar com a banda. Depois, os rapazes assistiam a fita e escolhiam as vadias que mais achassem interessantes. O rapaz então voltaria com passes especiais e distribuiria para uma pequena dúzia de meninas escolhidas. Lá dentro, as mulheres disputavam entre si a atenção dos músicos.


Kiss

O Kiss estourou mesmo, dentro dos Estados Unidos e no exterior, depois do sucesso de seu álbum "Kiss Alive", que chegou a disco de platina três vezes. No entanto, houve um incidente em particular que serviu para chamar atenção para o fanatismo que o Kiss provocava em seus fãs.

Rádios continuavam a ignorar o Kiss, não tocando seus discos em nenhuma programação. Um certo fã no interior do país telefonou para a principal rádio de público estudantil e decretou que se a estação não tocasse nenhuma música do Kiss até determinada hora, o prédio da estação seria cercado pelos fãs. Não sendo levado a sério, de fato uma legião de jovens cercou a tal estação de rádio, muitos com maquiagem Kiss, gritando e exigido Kiss na programação. Este fato foi devidamente comentado em todos os noticiários do país à noite, o que efetivamente colocou os holofotes em cima do disco novo e da banda. Kiss passou de uma banda com uma boa reputação ao vivo, para uma banda que vendia horrores. Não muito depois surgiu a Kissmania.

Detalhe: o álbum "Kiss Alive" não é totalmente ao vivo. Apesar do interesse original ser de oferecer um show ao vivo, ao ouvir as gravações depois, concluiram que haviam erros demais. Um desconto para a banda em que parte de sua presença de palco está nos pulos e gesticulações de todos. Em meio a tanta encenação, é compreensível haver uma quantidade de notas fora, tanto por parte dos instrumentos como de voz. O disco famoso e promovido por reter a essência de um show ao vivo do Kiss tem overdubs em tudo! Inclusive o som da platéia foi amplificado e dobrado.

Ozzy - saideira

Começando e terminando com Ozzy. Conta-se que Ozzy estava excursionando com o Motley Crüe. Depois de uma noitada, as duas bandas haviam acabado de retornar ao hotel ao amanhecer. No caminho entre o estacionamento e a entrada principal, Tommy Lee comentou algo sobre uma fileira de formigas que cruzavam o pavimento. Ozzy de onda, se ajoelhou diante da fileirinha de formigas e, com um canudinho, as aspirou narina acima, como quem cheira uma carreira de cocaína. Comentando a respeito do incidente, Ozzy teria dito apenas, “É! Nessa época eu fiz muita merda!”

Ozzy, nos o adoramos...

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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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