Modos Gregos - Parte II

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Por Victor H. Guidini
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Falae galera! Veremos nesta segunda parte da coluna alguns exercícios para a improvisação sobre os modos gregos.

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Cada modo possui um acorde característico, ou uma cadência de acordes que representam sua sonoridade. Esta sonoridade pode ser obtida pela tríade da tônica do modo, mais sua nota característica. Utilizaremos somente tríades nestes exemplos, mas sinta-se à vontade para adicionar todas as extensões diatônicas que quiser.

Jônio

A sonoridade do modo jônio é a mesma da escala maior natural. Uma cadência IV - V – I define bem esta sonoridade.

A sonoridade do jônio é dada, basicamente, pelo repouso da harmonia no I grau do campo harmônico. Podemos citar Let It Be, dos Beatles e a primeira parte de Always With Me, Always With You do Satriani como exemplos deste modo.

Dórico

O modo dórico possui uma sonoridade “jazzística”, um acorde menor com uma sexta maior (nota característica) define o modo. Uma cadência bem comum mostrando a sonoridade do dórico é um IIm – V. (cadência do inicio de Wave de Tom Jobim).

No caso acima, Cm é o segundo grau do campo harmônico de Sib Maior natural e F é o quinto grau desta mesma escala. O acorde de Cm isolado não define a sonoridade do dórico, pois não apresenta a sexta maior. A sexta maior de Cm (a nota Lá) aparece no próximo acorde (F) como sua a terça maior. Nesta cadência, poderíamos substituir o acorde de F por qualquer outro acorde do campo harmônico de Sib maior para obtermos a sonoridade do dórico, desde que este acorde apresente a nota Lá em sua formação.

Uma boa maneira de pensar em sonoridades modais é tocando a tríade da tônica do modo seguido de um outro acorde contendo as extensões do acorde anterior. Ex: ré dórico: Toca-se o acorde de Dm e em seqüência Em. Podemos aplicar no Dm os modos de ré dórico, ré frígio ou ré eólio. Porém o próximo acorde mostra algumas notas que caracterizam o ré dórico: a tônica de Em, que vem a ser a segunda maior do acorde de Dm, portanto não podemos ter o modo frígio neste caso. A nota si, quinta do acorde de Em, é a sexta maior de Dm, indicando que este Dm é dórico e não eólio ou frígio.

Assim afirmamos que o acorde característico do modo dórico é o m6. Ex: Cm6. O som isolado deste acorde nos remeterá a este modo. Sempre que encontrar um acorde m6, utilize o modo dórico para improvisar sobre ele.

OBS: o acorde m6 isolado também pode ser encarado como o primeiro grau da escala menor melódica.

Frígio

O modo frígio é um modo menor, com a segunda menor como nota característica. É empregado com alguma freqüência no Heavy, como nas músicas Wherever I May Roam do Metallica e Trust do Megadeth.

Uma cadência de acordes que caracteriza o modo frígio é a IIIm – IV.

No caso acima temos Cm, que é terceiro grau da escala de Ab maior, e Db que vem a ser o quarto grau desta escala. A tônica de Db, é uma segunda menor em relação a Cm, caracterizando o frígio.

O modo frígio também é caracterizado pelo acorde sus4(b9).

Lídio

O Lídio é o único modo que apresenta a quarta aumentada e uma quinta justa ao mesmo tempo. Cadência comum deste modo é IV – V.

C é o quarto grau da escala de Sol Maior e D é o quinto grau. A terça maior do acorde de D, a nota fá#, é uma quarta aumentada em relação ao acorde de C.

Encontramos o modo lídio freqüentemente no rock e afins. Answears e The Riddle do Steve Vai, assim como o início de Overture 1928 do Dream Theater são bons exemplos deste modo.

O acorde característico do modo lídio é o maj7(#11). Ex: Cmaj7(#11)

Vale também ressaltar que este modo pode ser aplicado em qualquer acorde maior com sétima maior.

Mixolídio

O mixolídio é o quinto grau da escala maior natural. Uma cadência V – IIm é um bom exemplo da sonoridade do mixolídio.

C e Gm são respectivamente o quinto e o segundo graus do campo harmônico de Fá maior. A terça menor de Gm (a nota Sib) é a sétima menor de C, a nota característica do modo mixolídio.

O acorde característico do modo mixolídio é o acorde dominante “7” (ex: C7) . Estes acordes estão presentes em qualquer blues de tonalidade maior. Ex: Scuttle Buttin e Pride and Joy do Stevie Ray Vaughan.

Eólio

Modo característico do metal... para mostrar a sonoridade deste modo, utilizaremos a famosa cadência VIm – IV – V, que consagrou a sonoridade “Iron Maiden”. Fear of the dark, Hallowed be thy name, Running Free e Still Life são alguns exemplos que utilizam esta cadência.

Cm, Ab e Bb são respectivamente VI IV e V graus do campo harmônico de Mib Maior. O acorde de Ab em relação ao Cm define a uma sexta menor e o acorde de Bb define uma segunda maior em relação ao acorde de Cm, caracterizando o modo eólio.

O acorde m(b6) é o acorde característico deste modo.

Lócrio

O modo lócrio é o único modo que possui uma quinta diminuta, dando a este modo uma sonoridade bem peculiar. No rock, o único exemplo que me vem na cabeça é a primeira parte da música Painkiller, do Judas Priest. Podemos sentir a sonoridade do lócrio na seqüência VIIIm(b5) - V.

O sétimo grau do campo harmônico de Db Maior é Cm(b5). Este acorde sozinho já gera toda a sonoridade do modo lócrio, o outro acorde (Ab) foi colocado para não criar um movimento de tensão – resolução.

O acorde m7(b5) é o acorde característico do modo lócrio.

Tocando...

A primeira parte do exercício consiste em improvisar sobre os sete modos de dó, utilizando a harmonia característica de cada modo vista anteriormente. Grave um playback com a cadência de acordes de dó Jônio, crie um loop e improvise sobre eles com a escala de dó maior. Depois faça o mesmo sobre o modo dó dórico, utilizando a escala de Bb maior. No dó frígio, toque a escala de Ab maior e assim por diante.

Um erro freqüente dos estudantes é ficar preso ao “shape do modo”. Os shapes geram a sonoridade do modo quando tocados sozinhos. Nesta parte do processo você já está improvisando sobre uma harmonia, o que importa é a relação de cada nota que você toca em relação ao(s) acorde(s) da harmonia.

Ex: as notas da escala de ré mixolídio (ré, mi, fa#, sol, la, si, dó), são as mesmas notas que compõem a escala de dó lídio, que também são as mesmas de fa# lócrio. Estas notas “funcionam” perfeitamente sobre todos os acordes do campo harmônico de Sol Maior natural (G Am Bm C D Em F#m(b5)).

Portanto a grande jogada neste exercício é você “passear” pelo braço inteiro da guitarra, utilizando todos os shapes dentro da escala.

Um software-seqüenciador bem interessante para fazer este exercício é o Band in a Box. Caso você não tenha como gravar as progressões manualmente, você pode utilizar este programa para seqüênciar as cadências de cada modo.

Pratique bastante os exemplos, e se realmente quiser ir fundo no assunto, toque os exemplos em todos os tons.

Na próxima coluna veremos a última parte sobre os modos, que é o improviso utilizando diferentes centros tonais.

Abraço pra vocês... e bons sons!

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Sobre Victor H. Guidini

Músico, guitarrista e professor de música formado pela UDESC. Começou a ouvir rock quando descobriu os vinis do AC/DC de seu irmão. Aos 13 conheceu o Van Halen e começa a incomodar os vizinhos com sua primeira guitarra. Tocou em várias bandas de Florianópolis. Atualmente, mora em São Paulo e segue como professor de música e tocando por ai. Entre muitos outros, curte Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Dr Cipó, Cama de Gato, Tribal Tech e Led Zeppelin.

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