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A partir do lançamento desse disco, tudo mudou no Metal: pro Metallica, pros fãs de Metal, pros fãs do Metallica e pras pessoas que não eram nem fãs de Metal e muito menos de Metallica. Esse produto – difícil chamá-lo somente de ‘disco’, já que foi um dos últimos lançamentos épicos que abrangeram vinil, CD e cassete (e vídeo cassete também, uma vez que tanto o longo e custoso processo de gravação como a infindável turnê para promovê-lo foram lançados em duas fitas VHS e dois Laser Discs separadamente à época) – tem, dentre duas muitas qualidades, uma escolha muito feliz na sequência e cronologia das faixas, algo que se torna meio intangível em tempos de função shuffle e playlists. Tal seleção faz do ‘Black Album’ uma audição coesa e com uma unidade orgânica raramente capturada por uma banda – além de até hoje, mesmo com os avanços tecnológicos que a informática trouxe para a fonografia desde então, poder facilmente levantar a taça de melhor qualidade de som num disco de Heavy Metal na história.
‘Metallica’ fez com que muito mais pessoas que jamais cogitariam sequer chegar perto de uma banda com tal nome fossem atrás dos trabalhos anteriores da banda do que o contrário – fãs egressos que se ofenderam com a ascensão da banda ao megaestrelato cujo trono a banda ainda ocupa.

O Black Album tirou a pecha de banda underground do grupo. De repente, o material da banda não era mais trocado em fitas cassete obtidas através do amigo de um amigo de um colega de trabalho. Ao invés disso, você podia ouvir o Metallica na rádio, a começar pelo primeiro single de trabalho, “Enter Sandman”. Até a presente data, estima-se que somadas, as vendas de CDs, vinis, e cassetes, ‘Metallica’ cheguem a 12 milhões de cópias. Isso não contabiliza as vendas de singles, EPs, camisetas, revistas, pôsteres, patches, bonés, moletons, cadernos, fitas VHS, Laser Discs, DVDs-Audio, downloads legalizados, etc. Antes de irem para casa e começarem a pensar no sucessor para o trabalho, o Metallica tinha feito quase 400 shows para promovê-lo. Dificilmente qualquer outra banda terá, até onde o futuro nos permita ver, um volume de exposição e comercialização tão maciço e intenso.
Diga você o que quiser sobre ‘Metallica’, e sobre tudo que eles tenham lançado depois nos últimos vinte anos: o ‘Black Album’ ainda soa tão forte quanto nunca, e para a maioria que está lendo isso, permanece sendo uma memória essencial de sua infância ou juventude.
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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