A razão que levou Paulo Ricardo a nunca tocar ao vivo um de seus projetos de maior sucesso
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de março de 2025
Durante entrevista concedida à Rádio Rock Goiânia, o cantor Paulo Ricardo revelou por que jamais apresentou ao vivo as músicas que gravou para a trilha sonora brasileira da animação "Spirit – O Corcel Indomável" (2002), um dos projetos mais elogiados e, ao mesmo tempo, menos conhecidos do grande público dentro de sua carreira.

A trilha original do filme foi composta por Hans Zimmer, com letras e interpretações de Brian Adams. Como se tratava de um longa infantil, a DreamWorks decidiu buscar intérpretes em diferentes países, garantindo que a emoção das canções fosse compreendida por crianças que ainda não sabiam ler legendas. No Brasil, o escolhido foi Paulo Ricardo.
"O projeto é um projeto infantil da DreamWorks, que foi um projeto incrível lá fora. Quem fazia a voz do cavalo era o Matt Damon — os pensamentos, né, do Spirit — e quem cantou as canções que narravam a história foi o Brian Adams.", contou Paulo Ricardo. "Eles buscaram intérpretes no mundo todo porque a historinha teria que ser contada na língua de cada país. Então existe um Brian Adams francês, português de Portugal, alemão… Na Itália, quem fez foi o Zucchero. E eu fui chamado para fazer aqui no Brasil."
Pela performance, Paulo Ricardo foi premiado pela DreamWorks como Best International Vocal Performance. Ainda assim, nunca apresentou ao vivo nenhuma das sete faixas que gravou para o longa. O motivo, segundo ele, está no contexto do projeto e no público-alvo da época.
"Foi feito exclusivamente para o desenho. Nunca houve um contexto em que essas músicas coubessem num show meu. Em 2001, quando o trabalho foi feito, eu estava lançando o álbum ‘Imagine’. Em 2002 teve o projeto RPM MTV. Não faria sentido eu cantar para crianças de sete anos que não estavam ali."
Apesar disso, ele não descarta retomar esse material em alguma apresentação especial. "Agora que o tempo passou, essas crianças têm quase 30 anos. Eu até pensei em montar um espetáculo interativo, com a projeção do filme e as músicas sendo feitas ao vivo. Essa conversa acabou morrendo por causa da pandemia, mas acho que seria uma coisa muito legal."
O cantor também falou sobre as dificuldades técnicas enfrentadas durante as gravações, já que precisou atingir notas muito agudas em sincronia com as cenas da animação.
"Apesar do meu timbre ser semelhante ao do Brian Adams, o alcance vocal dele é mais agudo que o meu. Para atingir aquelas notas, me deu muito trabalho. Foi algo que eu nunca tinha feito antes."
A produção contou com regência de maestro, equipe internacional e exigiu precisão absoluta. "Cada nota estava ligada a um frame. Eu não tinha nenhuma liberdade, nenhum espaço para respirar fora da partitura."
Mesmo com os desafios, Paulo Ricardo guarda o projeto com carinho e reconhece sua importância: "Ficou maravilhoso. Foi um trabalho muito exigente, mas de uma qualidade incrível. Acho que vale a pena apresentar isso ao vivo algum dia."
Confira a entrevista completa abaixo.
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