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Por Duff McKagan para o Seattle Weekly de 19/01.
Traduzido por Nacho Belgrande.
Sentado na mesma cadeira de sempre, assistindo às notícias da manhã na CNN nessa quarta-feira, eu, como todo outro estadunidense ligado a qualquer tipo de mídia, fui inundado com opiniões sobre a legislação antipirataria conhecida como PIPA e SOPA.
Tais legislações são para combater o roubo de trabalhos criativos como filmes e música por meio de sites no exterior. Mas quando eu me voltei pro Twitter e pro Facebook, eu vi uma avalanche de oposição contras as propostas de lei. Com licença, mas onde vocês estavam quando a pirataria começou a dizimar a indústria musical? Por que vocês não se manifestaram contra isso? Aqueles discos de graça eram bons, NÉ?
A fúria da classe profissional da internet é baseada no argumento que a abrangência de tais leis será ruim para os iniciantes, pode impedir o próximo YouTube, ou dar ao governo a habilidade de tirar do ar um site inteiro por causa de um link para trabalhos com registro autoral. Resumindo, eles são contra a lei porque acham que será ruim para os negócios relacionados à internet.
Ruim pros negócios. A legislação antipirataria poderia ser ruim pros negócios da Internet. Isso quase me deixa sem fôlego. A pirataria pela internet já matou metade dos negócios relacionados à música, e fez o prospecto de viver de música mais difícil para artistas de todo tipo. Por que o Google, o Facebook ou o Wikipedia nunca se solidarizaram com músicos, atores e escritores – a maioria dos quais nunca conheceu fama e fortuna – enquanto os trabalhos deles eram roubados sem dificuldade alguma em seus sites?
Onde estão os ‘fãs’, os amantes da música? Por que eles nunca fizeram um levante em nome dos homens e mulheres à frente e por trás dos microfones? Sim, sim, isso tudo é muito chato, não? É típico que o ‘roqueiro ricão’ fique esbravejando do palácio dele. Mas permitam-me que eu lhes diga algo, os peões que trabalhavam em estúdios e lojas de discos que tiveram que fechar graças à crescente pirataria nunca foram ricos, mas estão sem emprego.
As pessoas estão mesmo putas porque a Wikipedia vai sair do ar por um dia? Porque as pessoas sentem que seus direitos assegurados pela primeira emenda da constituição estão sendo ameaçados mesmo? Ou é porque elas estão com medo de perder acesso livre a Deadwood e ao Black Keys? Ou elas estão preocupadas que o próximo YouTube não conseguirá se estabelecer devido ao caro investimento em material registrado que os usuários carregam de graça enquanto investidores e iniciantes afirmaram que não poderiam ser responsabilizados por ações dos usuários? O Wikipedia tem milhares de voluntários e se gaba de que as informações contidas no site são precisas. Por que eles não podem regular violações a direitos autorais mais rigorosamente também? Muita encheção de saco?
O governo deveria poder fechar o Facebook porque um usuário posta links para conteúdo registrado? Claro que não. Mas deveriam o Facebook e o Google fazerem um serviço melhor ao monitorar – e pararem de lucrar – o acesso de seus usuários a conteúdo ilegal? Com certeza. E quer saber, eles são espertos o bastante pra dar um jeito.
Quando os assuntos são as indústrias que lidam com criatividade, não estamos falando hipoteticamente. Estúdios de gravação ao redor do mundo tiveram que fechar. Assim como lojas de discos. Estúdios cinematográficos sofreram. Muitos, muitos empregos foram perdidos. A subsistência de muitos foi afetada. As pessoas que fazem ou faziam dinheiro de vendas de discos não são ‘ o bandido’, quem pirateia e o rouba, sim. Então, cadê o grito do povo?
Como um músico praticante que viu essa indústria virar de pernas pro ar, e ver como a pirataria afetou todo artista desde os figurões do topo das paradas até os iniciantes independentes, essa reviravolta da PIPA é um tapa na cara.
Se, como se diz, as massas provenientes das mídias sociais conseguiram derrubar o regime de um ditador egípcio, elas podem certamente reverter a situação da pirataria pela internet.
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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