Dave Grohl elege o maior compositor de "nossa geração"; "ele foi abençoado com um dom"
Por Bruce William
Postado em 22 de outubro de 2025
Nos bastidores do rock, listas de "maiores" sempre rendem discussão. Ainda assim, quando quem opina é alguém que carregou a bateria de uma banda que mudou a década de 1990 e depois comandou outra por estádios mundo afora, vale ouvir. Como aponta a Far Out, Dave Grohl partiu desse lugar de quem viveu tudo por dentro para fazer um balanço que não tinha a ver com técnica, e sim com canções.
Na conversa com o Medicine at Midnight Radio, da Apple Music, ele voltou ao início dos anos 1990, ao estouro de Seattle e ao fim que todos conhecem. Falou sobre a ascensão vertiginosa, o impacto cultural e, principalmente, sobre a ausência que nunca deixou de pesar. "É uma das maiores dores da minha vida", disse, ao lembrar de Kurt Cobain, o amigo que não está mais aqui para escrever.

Grohl não ficou no nostálgico. Ele disse que, qualquer que fosse o nome do projeto hoje, a expectativa seria a mesma: ouvir novas músicas daquele compositor. "Se seria chamado de Nirvana ou outra coisa... é uma das maiores dores da minha vida que Kurt não esteja aqui para escrever mais canções incríveis", afirmou. "É bem óbvio que ele foi abençoado com um dom."
A definição veio clara, sem o viés de alguém quem é fã: "Acho seguro dizer que ele foi o maior compositor da nossa geração. Tenho muito orgulho de ter sido o baterista dele e de tocar aquelas músicas todas as noites." A afirmação não tenta encerrar debate, mas mostra o tamanho da convicção de quem esteve ali, no palco e no estúdio, quando tudo aconteceu.
Entre 1989 e 1994, do primeiro álbum de estúdio até a notícia que gelou quem acompanhava a banda, esse repertório virou trilha de muita gente. Era barulho, melodia, raiva, fragilidade - e letras que pareciam falar de perto com quem tinha 15, 20, 25 anos. O choque do fim interrompeu a história, mas não apagou o efeito.
Quem esteve na estrada também sente falta de tocar junto. Pat Smear contou a Howard Stern que ainda rola uma espécie de reencontro informal: "De vez em quando, eu, o Krist e o Dave nos juntamos e tocamos como se fôssemos o Nirvana... Se estamos na mesma cidade, a gente se encontra e faz um som." Não se trata de tentar continuar com o legado, é só uma lembrança que insiste em ganhar volume quando dá.
Grohl sabe que não há como reescrever 1994. O que dá para fazer é manter as músicas em circulação e reconhecer, sem receio, o que elas significaram. No fim das contas, é isso que fica da fala dele: o orgulho de ter tocado aquelas canções e a certeza de que o autor delas, para ele, foi o melhor da turma.
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