O álbum brasileiro que é "a maior gravação de metal" de todos os tempos para Dave Grohl
Por Bruce William
Postado em 18 de outubro de 2025
Dave Grohl sempre fez questão de dizer que ouve de tudo, mas, quando o assunto é metal, há um álbum que ele coloca acima dos demais: "Roots", do Sepultura (1996). Em fala destacada na Far Out, ele chama o disco de "a melhor gravação de uma banda de metal que já ouvi" e destaca dois nomes por trás do som: Ross Robinson (produção) e Andy Wallace (mixagem).
O curioso é que a preferência dele não é pelos solos cheios de notas, e sim pela batida que "empurra" a música pra frente. Grohl sempre gostou de metal que anda: grooves que arrastam a música para frente. "Roots" acerta nisso porque realoca o foco: menos malabarismo, mais corpo. As guitarras constroem paredes, a bateria conduz pra frente e a percussão
brasileira entra não como enfeite, mas como motor.

Por que o álbum soa tão distinto? Primeiro pelo conceito rítmico: o Sepultura amplia o idioma do metal adicionando texturas de terreiro (alfaia, repique, timbres orgânicos). Depois temos a produção de impacto: Robinson grava tudo no talo, perto de saturar, e Wallace organiza o caos sem polir demais. Por último, temos a identidade própria: não é "metal com tempero exótico"; é metal que incorpora outra matriz rítmica.
Grohl chegou a descrever a faixa-título como "um som de metal com um carnaval atravessando o meio". A imagem é boa porque traduz o que se ouve: ritual e pancada convivendo no mesmo compasso. Não à toa, ele levou esse DNA adiante em momentos específicos: o riff arrastado de "Stacked Actors", a busca de calor e crueza em "Wasting Light". Claro que é apenas uma influência, pois ele não "virou" um Sepultura.
Anos depois, quando montou o Probot, Grohl finalmente tirou do bolso a vontade de fazer metal como fã, e chamou Max Cavalera para selar a influência na prática. É a prova de que a admiração não era só discurso: "Roots" virou referência de estúdio e também funcionou como gatilho criativo.
A verdade é que Grohl talvez não esteja dizendo que "Roots" é "o mais técnico" ou "o mais rápido", mas sim que é o mais "vivo": um disco em que o peso tem cheiro de chão, em que o groove manda mais que a destreza, e em que a mistura de mundos resulta em algo que o metal raramente consegue: soar inevitável.
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