A clássica canção do Queen que Elton John detestou e achou o título "absolutamente ridículo"
Por Bruce William
Postado em 24 de outubro de 2025
Antes de virar onipresente em rádios, casamentos e filmes, "Bohemian Rhapsody" parecia um tiro no escuro: longa, sem refrão tradicional e costurada como uma pequena ópera de bolso. Do lado de fora do estúdio, poucos sabiam o que fazer com aquilo; do lado de dentro, a intuição artística falava mais alto - e foi nesse choque entre formato e ousadia que Elton John teve seu primeiro contato com a faixa.
Em 1975, Elton John ouviu um test pressing da canção e ficou perplexo. Nas memórias, reproduzidas pela Far Out, ele registra a primeira reação: "Ouvi a música e balancei a cabeça, incrédulo. Em seguida, virou-se para John Reid, empresário que dividia com o Queen, e perguntou: "Vocês não vão mesmo lançar isso, vão?"

Para quem vivia rádio e paradas, a pergunta fazia sentido. A indústria trabalhava com singles curtos e fórmula clara; "Bohemian Rhapsody" era outra coisa: balada, trecho operístico, hard rock e um epílogo fantasmagórico, tudo costurado em seis minutos. Elton resumiu o choque com ironia: "Primeiro, ela tem umas três horas de duração. Depois, é a coisa mais camp que já ouvi na vida. E o título também é absolutamente ridículo."
O próprio Queen hesitou em algum momento, mas Reid decidiu bancar a aposta. Ao ouvir as objeções, cravou: "Um dos maiores singles de todos os tempos." Vista de fora, a canção parecia desafiar o manual do FM; para a banda, era exatamente a forma que a ideia pedia. Freddie Mercury concebeu a peça como uma suite em miniatura, Brian May ergueu camadas de guitarra em diálogo com o coro, e a base de Roger Taylor e John Deacon manteve o terreno firme para cada virada.
O lançamento refletiu essa tensão. No Reino Unido, a faixa chegou ao topo; nos Estados Unidos, parou em nono na estreia. O tempo tratou do resto: a música atravessou décadas, voltou às paradas com o filme homônimo e se tornou onipresente sem que ninguém tentasse repetir a fórmula ponto por ponto.
O que Elton chamou de "camp" e "ridículo" acabou registrando o traço que a faria durar: o exagero calculado, a colagem de estilos, a recusa a obedecer a um molde. O que soou como "três horas" era a sensação de atravessar vários cenários dentro de uma única canção - algo estranho naquele momento, mas que estava prestes a soar inevitável no futuro.
A história também revela a distância entre o cálculo comercial e a intuição artística. Elton olhava para o formato; o Queen e Reid olhavam para a possibilidade. Quando ele perguntou "Vocês não vão mesmo lançar isso, vão?", a resposta estava em como o público reagiria à ousadia de uma obra que parecia teatro portátil: abertura, coro, tempestade e cortina.
No fim, a anedota virou peça do mito. "Bohemian Rhapsody" consolidou-se como marco que continua a surpreender mesmo depois de milhões de execuções. E aquelas frases registradas por Elton John sobrevivem como lembrança de que, às vezes, o que parece absurdo no nascimento é justamente o que a cultura precisa para se mover.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Slipknot e Marilyn Manson se apresentarão no The Town 2027
O curioso conselho de James Hetfield para vencer a bebida e ficar sóbrio para sempre
Bangers Open Air 2027 revela mais três atrações internacionais
Curitiba ganha "Cidade do Rock" e recebe festival com gigantes do rock nacional anos 1980
Ricardo Confessori anuncia "Realm Breaker", álbum conceitual com grandes vozes do metal
Organizadores do The Town falam sobre vinda de Marilyn Manson em 2027
A melhor introdução de bateria de todos os tempos, segundo Gastão Moreira
O clássico do U2 que Bono admite ter "errado" e mesmo assim resistiu ao tempo
Como aconteceu a segunda separação entre Ronnie James Dio e Black Sabbath, segundo Geezer Butler
Kiko Loureiro respeita muito Tony Iommi, mas acha que guitarrista do Black Sabbath é "quadrado"
A reação de Dirk Verbeuren ao anúncio do fim do Megadeth
James Hetfield revela sua maior influência como guitarrista de metal: "É o mestre dos riffs"
Fabio Lione e Anette Olzon surgem juntos e legenda da foto indica nova parceria musical
A banda que deixou Joan Jett "morrendo de medo" antes de subir ao palco
O grande clássico do Metallica em que Kirk Hammett não tocou uma única nota

O hit do Queen que Freddie Mercury compôs na banheira e vendeu milhões de cópias
As três músicas do Queen que Brian May coloca entre suas favoritas da banda
A música emocionante dos anos 2000 que foi considerada a nova "Bohemian Rhapsody"
O clássico do Queen que melhor representa a banda, segundo Brian May
As bandas que mais inspiraram o lado pesado do Queen, segundo Brian May
O solo mais complexo de Brian May segundo análise que vai além da dificuldade técnica
Brian May (Queen) admite ter mudado de ideia em relação à IA
O cantor jovem que assustava Freddie Mercury e a quem ele não tinha nada a ensinar
Brian May diz que ele e Tony Iommi estão no novo álbum do Capitão Kirk
O real significado de "We Are The Champions", segundo Freddie Mercury


