O rock que tem oficialmente 2min74s - e não 3min14s - para parecer mais curto
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de outubro de 2025
Você já ouviu falar de uma música que tem 2 minutos e 74 segundos? Pois é, o número não faz sentido - mas foi exatamente essa a estratégia usada por Paul Simon, da dupla Simon & Garfunkel, para driblar as limitações impostas pelas rádios norte-americanas nos anos 1960.
Lançada em 1967, "Fakin' It" é uma das faixas mais inventivas da dupla, misturando folk e rock psicodélico. O problema é que ela durava 3 minutos e 14 segundos - tempo demais para as rádios AM da época, que evitavam tocar qualquer música acima de três minutos.
Para burlar a regra, Paul Simon teve uma ideia inusitada: mandou imprimir no rótulo do single o tempo de duração como "2:74", e não 3:14. Na prática, o número "enganava" os programadores de rádio, já que 2:74 parecia mais curto que 3:14, mesmo somando o mesmo total.
O próprio Simon explicou anos depois que as rádios "resistiam fortemente a tocar músicas longas", e que essa pequena manipulação foi o jeito que encontraram de fazer a canção tocar. Deu certo - "Fakin' It" acabou ganhando espaço nas rádios FM, que valorizavam álbuns e cortes mais experimentais.
"O tempo listado como 2:74 foi uma brincadeira e uma forma de contornar o sistema", escreveu um fã em uma discussão recente no Reddit, destacando que "a rádio era tão restrita que até segundos faziam diferença para definir o que seria ou não tocado".
Curiosamente, Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii, citou essa mesma história em entrevista ao podcast Potter Entrevista para refletir sobre o sucesso de "Infinita Highway", outra música longa que, contra todas as probabilidades, virou hit radiofônico.
"O lance não é 'Infinita' ter pintado com seis minutos. A questão é: como uma música de seis minutos toca numa rádio popular?", disse Gessinger.
"O Paul Simon lançou um disco e tinha uma música com três minutos e alguma coisa. A gravadora, em vez de botar 3:14, colocou 2:74. E aquilo fez com que a música tocasse nas rádios."
Na época, Billboard elogiou a produção de "Fakin' It", enquanto Paul Simon preferia a versão do álbum, que ele considerava "muito melhor mixada". Mesmo sem grande sucesso nas paradas, a faixa virou um símbolo da ousadia criativa da dupla - e do jeitinho que o rock sempre deu para burlar as regras do mercado.
Confira a entrevista completa abaixo.
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