Aquele Hard Rock que se consagrou na década de 1980 gerou pouquíssimos grupos brasileiros relevantes, mas eis que agora surge o Slippery, natural de Campinas (SP), que está estreando com o independente “First Blow” e chamando muito a atenção do público e mídia especializada. Assim sendo, o Whiplash.Net foi conversar com Kiko Shred (guitarra) e Rod Rodriguez (bateria) para conhecer melhor seu trabalho. Confiram aí!







Kiko: Não existe essa preocupação por parte da Slippery. Nós somos fãs das bandas citadas e, consequentemente, influenciados pelas mesmas. É natural que nosso som tenha bastante do Hard Rock/Heavy Metal oitentista por ser nosso estilo de música favorito.
Whiplash.Net: “Follow Your Dreams” e “Two Young Hearts” são ótimas composições. Que espécie de aproximação vocês queriam para “First Blow” e o quanto Átila Ardanuy (Anjos da Noite, Dr. Sin) contribuiu para o resultado final do repertório?
Kiko: “First Blow” é um disco que, mesmo respeitando essa vertente Hard/Heavy do começo ao fim, possui muita variedade em suas composições e isso se deve à liberdade que todo integrante da Slippery possui em apresentar suas idéias e composições. Já a música “First Blow“ é a única que fizemos juntos e começou mais ou menos como uma jam session durante um período em que estávamos no estúdio. Foi uma composição muito natural com a participação de todos os integrantes.
Kiko: Quanto à produção do Átila, foi de suma importância! Ele conhece tudo de Hard Rock, foi excelente trabalhar com ele. Nossas idéias são muito parecidas, além de ele ser um exímio guitarrista e isso foi importantíssimo pra definirmos nossos timbres de guitarra.
Whiplash.Net: Uma das características do Hard Rock nos anos oitenta era o fato de muitos artistas manterem a imagem de símbolos sexuais em detrimento da música em si. Como o Slippery absorveu isso?
Rod: O nosso principal objetivo sempre foi a música, nunca pensamos em fazer nada diferente disso e nem em crescer como banda em função de atributos físicos.
Whiplash.Net: O release do Slippery parece questionar as bandas que tentam, mas não conseguem criar algo novo. Afinal, como vocês encaram as propostas da nova geração?
Kiko: Nós sempre dizemos que há espaço para todos. Se as bandas novas fazem sucesso é porque existem pessoas que gostam do que elas fazem. Eu particularmente não aprecio a maioria das bandas novas pela falta de identidade.
Whiplash.Net: Muitos alegam que foi o grunge que acabou com o Hard Rock no começo dos anos 90, mas creio que essa alegação simplifica demais a situação. Afinal, o que Hard pode ter feito de errado para que grande parte do público simplesmente lhe virasse as costas na ocasião?
Rod: A meu ver, principalmente no fim dos anos 80, a mesmice que virou o hard rock foi o principal motivo para a decadência do estilo na época. Creio que pelo modismo do estilo acabou aparecendo muita banda oportunista sem o comprometimento de fazer simplesmente música, era apenas negócio, se tornou algo pasteurizado, culminando com a chegada de um novo estilo de som. Com isso acabou o interesse do grande público pelo hard rock.
Whiplash.Net: Atualmente, quais as maiores dificuldades que o Slippery enfrenta em uma cena que, além limitar em muito o espaço às bandas autorais, também não conta com muitos grupos de Hard Rock para se ajudarem mutuamente?
Rod: Acho que não só a Slippery, mas todas as bandas de som autoral sofrem com a falta de apoio da galera em geral. No Brasil não temos a cultura de apoiar o que é fruto de nossa terra, a impressão que dá é que tudo que vem de fora é melhor do que temos aqui. Temos muitas bandas boas aqui, muitas bandas que não devem nada para as bandas gringas. Com essa falta de apoio acabamos tendo poucos lugares para apresentarmos nosso trabalho. Sem publico, não tem show! Às vezes, temos que nos sujeitar a abrir shows de bandas covers (nada contra) para aproveitarmos o público, mostrarmos o nosso som e angariar mais fãs para a banda. Assim é que a banda de som autoral acaba sobrevivendo sem o apoio que muitas merecem.
Whiplash.Net: “First Blow” conseguiu boa repercussão até entre as mídias especializadas da Europa. Pois bem, quais as prioridades do Slippery para os próximos meses?
Rod: Nossa prioridade, no momento, continua sendo os shows de divulgação do “First Blow”. Paralelamente a isso, já estamos em processo de composição e estruturação de novas músicas. Temos também como objetivo, ainda esse ano, gravar um vídeo clipe para alavancar ainda mais a divulgação do álbum.
Whiplash.Net: Ok, pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos. Se quiserem dizer algo para finalizar, a hora é agora...
Rod: Primeiramente, a banda toda agradece a oportunidade da entrevista. Fica o recado para que a galera procure conhecer a Slippery, principalmente quem bebe na veia dos anos 80, essa é a possibilidade de escutar uma banda nova fazendo o que se fazia nos anos 80. Música com alma, coração e muita energia.
FORMAÇÃO:
Fabiano Drudi (Vocal)
Dragão (Guitarra)
Kiko Shred (Guitarra)
Érico Moraes (Baixo)
Rod Rodriguez (Bateria)
DISCOGRAFIA:
Follow Your Dreams EP (2007)
First Blow (2012)
ENDEREÇOS OFICIAIS NA INTERNET:
http://www.slippery.com.br
http://www.facebook.com/slipperytheband
http://www.twitter.com/slipperymusic
http://www.myspace.com/slipperytheband
http://www.youtube.com/slippery80s
http://www.palcomp3.com.br/slippery

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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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