Como uma trágica história de horror deu origem a um dos hinos mais sombrios do Metallica
Por Bruce William
Postado em 18 de fevereiro de 2025
Lançada em 1988, "One" se tornou uma das músicas mais impactantes do Metallica. A faixa faz parte do álbum "... And Justice for All" e se destaca não apenas pela estrutura musical marcante, mas também pela letra sombria. A canção narra a história de um soldado que, após ser gravemente ferido na guerra, perde todos os seus sentidos e se vê preso dentro do próprio corpo. Seus braços, pernas, olhos, boca, nariz e orelhas se foram e ele não tem mais nenhum sentido, porém ele foi resgatado e embora bastante mutilado, sua mente funciona perfeitamente, deixando-o preso em seu próprio corpo.

Inspirada no livro "Johnny Vai à Guerra", de Dalton Trumbo, a música se tornou um dos maiores clássicos da banda. A introdução suave e melancólica da guitarra, seguida pelo peso crescente da música, reflete a jornada do personagem, que passa da confusão ao desespero. O bumbo acelerado, que imita o som de uma metralhadora, foi incluído sem a intenção inicial de remeter à guerra, mas acabou se encaixando perfeitamente na atmosfera da música. James Hetfield revelou que a ideia dos acordes iniciais surgiu após ouvir "Buried Alive", do Venom, mostrando a influência de diferentes vertentes do metal na construção da canção.
Além do impacto sonoro, "One" marcou a história do Metallica ao ser a primeira música da banda a ganhar um videoclipe. O clipe mescla cenas da banda tocando com trechos do filme "Johnny Got His Gun", lançado em 1971 e baseado no livro de Trumbo. O Metallica adquiriu os direitos do longa para garantir que o material pudesse ser utilizado sem restrições. A combinação entre a música e as imagens ajudou a reforçar o impacto da mensagem, tornando o vídeo um dos mais lembrados do metal.
A recepção de "One" consolidou o Metallica em um novo patamar. A música se tornou presença constante nos setlists da banda e rendeu ao grupo seu primeiro Grammy, em 1990, na categoria Best Metal Performance. Desde então, a faixa tem sido considerada um dos maiores hinos do metal, influenciando inúmeros músicos e sendo referência em termos de composição e peso emocional.
A letra intensa e a abordagem da música continuam gerando interpretações. Hetfield já comentou que muitas pessoas o abordam para falar sobre "One", especialmente familiares de soldados. A sensação de isolamento e impotência retratada na canção ressoa fortemente entre aqueles que viveram ou testemunharam as consequências da guerra. Esse fator contribuiu para que "One" fosse além do heavy metal, tornando-se um símbolo da brutalidade dos conflitos e da fragilidade da condição humana.
"Essa música foi o seguinte: Meu irmão mais velho Dave também tocava em uma banda. Ele tocava bateria. Ele me contou essa história sobre um livro que ele leu chamado 'Johnny Vai à Guerra'. Ele me contou sobre um cara que era prisioneiro em seu próprio corpo. Eu me identifiquei com isso, porque sentia isso. Não que eu não pudesse falar, ou escutar ou usar meu corpo, mas por alguma razão me conectei com isso. Estar preso em sua própria pele e como isso pode ser desconfortável. Esse poderia ser um auge do inferno. Não poder me conectar com ninguém", disse Hetfield.
Mais de três décadas após seu lançamento, "One" segue sendo um dos momentos mais aguardados nos shows do Metallica. Sua construção progressiva, que leva a um desfecho caótico, faz com que a música continue relevante e impactante para diferentes gerações. O peso da sua mensagem, aliado à execução magistral da banda, mantém "One" como um dos maiores clássicos da história do metal.
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