A banda pouco conhecida que por pouco não se tornou um grande nome do metal mundial
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de fevereiro de 2025
Nos anos 1980, enquanto bandas americanas como Bon Jovi, Guns N’ Roses e Skid Row dominavam o hard rock, o Reino Unido buscava novos representantes além do já consagrado Def Leppard. Entre os nomes promissores, o Wolfsbane chamava atenção pelo estilo cru e irreverente. Com Blaze Bayley nos vocais, o grupo parecia ter tudo para se tornar um gigante do metal britânico.
Formado em 1983 em Tamworth, o Wolfsbane reunia Blaze Bayley, o guitarrista Jase Edwards, o baixista Jeff Hateley e o baterista Steve "Danger" Ellett. O visual lembrava o Mötley Crüe, mas com um toque mais suburbano e despretensioso. A banda construiu uma base fiel de fãs, apelidados de "Howling Mad Shitheads", e chamou a atenção do produtor Rick Rubin, responsável por trabalhos com Slayer e Beastie Boys.

Rubin assinou com a banda para sua recém-criada gravadora Def American. Mas a parceria não saiu como o esperado. O álbum de estreia, "Live Fast, Die Fast" (1989), perdeu a energia das apresentações ao vivo devido à produção excessivamente controlada. "Acabamos odiando Rick Rubin", revelou Blaze Bayley em entrevista à Metal Hammer. "Ele não entendeu o que fazia a banda funcionar e foi longe demais na produção, tirando toda a potência do nosso som." As falas da matéria foram compiladas pela Loudersound.
Apesar do desapontamento, o Wolfsbane persistiu. A grande virada veio no ano seguinte, quando gravaram o miniálbum "All Hell’s Breaking Loose Down at Little Kathy Wilson’s Place" (1990), desta vez sem a interferência de Rubin. No comando da produção estava Brendan O’Brien, que mais tarde trabalharia com Pearl Jam, Rage Against The Machine e Bruce Springsteen.
"Brendan nos entendeu desde o começo", contou Bayley. "Ele era um músico completo e sabia exatamente como capturar a energia da banda." O álbum foi gravado no Roundhouse Studios, em Londres, um local de peso onde Queen registrou parte de "Bohemian Rhapsody" e AC/DC gravou "Highway to Hell". Diferente da experiência em Los Angeles, onde haviam feito "Live Fast, Die Fast", a banda se sentiu em casa. "Chegamos pela manhã, montamos tudo à tarde e, no mesmo dia, já estávamos gravando", relembrou Bayley. "Ouvindo o disco, parece que estamos tocando ao vivo."
O lançamento do miniálbum trouxe bons frutos. A faixa "I Like It Hot" chamou a atenção do Iron Maiden, que escolheu o Wolfsbane para abrir seus shows. "Acho que Steve Harris nos escolheu porque o clipe da música tinha futebol", brincou Bayley.
Mesmo com a crescente popularidade, a banda enfrentou dificuldades com sua gravadora. Segundo Bayley, a Phonogram, que distribuía os álbuns da Def American no Reino Unido, não via o Wolfsbane como prioridade. "Eles odiaram o título do miniálbum e a capa. No fim, conseguimos o que queríamos, mas talvez isso tenha nos prejudicado. Pode ser que a gravadora tenha nos rotulado como problemáticos."
Sem apoio para expandir sua turnê pela Europa e os Estados Unidos, o Wolfsbane viu suas chances de estourar internacionalmente se reduzirem. O álbum seguinte, "Down Fall The Good Guys" (1991), não entrou no Top 50 britânico. Já "Massive Noise Injection" (1993), um disco ao vivo gravado no lendário Marquee Club, passou despercebido.
O golpe final veio em 1994, quando Blaze Bayley aceitou o convite para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden. Seus ex-companheiros se sentiram traídos, e o Wolfsbane se desfez pouco depois. Bayley permaneceu no Maiden por cinco anos, gravando "The X Factor" (1995) e "Virtual XI" (1997), até a volta de Dickinson em 1999.
Os membros remanescentes do Wolfsbane seguiram caminhos distintos, mas se reuniram em 2007 para um show na cidade natal, Tamworth. Desde então, a banda voltou a fazer apresentações esporádicas.
Hoje, Blaze Bayley e seus antigos colegas olham para o passado com orgulho, especialmente pelo impacto de "All Hell’s Breaking Loose Down at Little Kathy Wilson’s Place". "Esse foi o disco que melhor representou quem éramos", afirmou Bayley. "Brendan O’Brien entendeu nossa essência. Não me surpreende que tenha se tornado um dos maiores produtores do rock."
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