Alice Cooper: Som simples, sem arranjos mirabolantes ou overdubs

Resenha - Eyes Of Alice Cooper - Alice Cooper

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Por Neimar Secco
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Qual a vantagem, se é que há alguma, para um artista que já esteve entre os mais vendidos, mais citados, mais influentes do mundo do rock de assinar com uma pequena gravadora, vender pouco em comparação com seu auge e ser pouco badalado pela mídia? Para ele, sossego, liberdade de produzir o que bem queira da forma que mais lhe agrade. Para os fãs? Música sincera e de qualidade!
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Em 2003, Alice Cooper já estava na metade da quarta década de sua carreira. Já tinha visto e passado por tudo no mundo da música: sucesso meteórico, picos de popularidade, arenas lotadas, ingressos esgotados em pouco tempo, avalanche de entrevistas para rádios, TVs, aparições em programas tão populares quanto Top Of The Pops, The Muppet Show, etc, etc.

Dito isso, deduzo que Alice Cooper, em 2003, estava mais era querendo fazer o seu som, o seu show e, quem quisesse que o acompanhasse. Ele estaria ali, com sua banda, para proporcionar o melhor do garage rock, com um som simples, sem arranjos mirabolantes, sem overdubs.

THE EYES OF ALICE COOPER é a volta às origens, uma espécie de LOVE IT TO DEATH volume 2.

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A foto da contracapa de "The Eyes" foi inspirada na da contracapa do álbum LOVE IT TO DEATH, de 1971

O CD abre com “What Do You Want From Me?” Guitarras e uma cozinha sonora sob medida para Alice questionar metaforicamente para seus fãs: O que querem de mim? A letra que fala de uma amante exigente que questiona e denuncia defeitos e “vícios” de seu amor bem que pode ser aplicada ao fã que nunca se satisfaz plenamente com o que seu ídolo tem para oferecer.

“Between High School And Old School” relembra os velhos tempos de colégio. Mesmo sem nenhuma referência mais direta, Alice retrata sua posição naquele momento do rock: preso entre a juventude própria do colégio (High School) e a tradição (old school).

E olha o Alice Cooper irônico dos velhos e melhores tempos se manifestando em “Man Of The Year”. Devemos concordar. Nada mais distante de um cidadão modelo que o personagem de Alice Cooper dos anos 70 até meados dos 80. Por outro lado, nosso personagem foi amadurecendo (ou seria “amansando sua fera interior”) sua persona ao longo das décadas. Em 2003 Alice já era quem é hoje em dia: um pai de família, cumpridor dos seus deveres cívicos e familiares e voltado à religião. Decepcionado? Por que? Talvez o passar dos anos ainda venha a ter efeitos semelhantes na maioria de nós, admiradores desse grande personagem do rock, que é Alice Cooper.

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“Novocaine” é o momento mais radiofônico do CD. Seria essa música uma tentativa um tanto frustrada de confessar a dependência alcoólica e (durante algum tempo, mas só há pouco assumida e divulgada de cocaína e crack) de Alice durante as décadas de 70 e 80? O que nos importa aqui é o resultado coeso e bem executado de uma canção honesta e muito agradável, sem ser piegas.

“Bye Bye Baby” tem um luxuoso acréscimo de metais no melhor estilo jazzístico e é, certamente, uma das músicas que se destacam nesse cd, apesar de, no todo, se tratar de um dos álbuns mais lineares de Alice Cooper.

“Be With You Awhile” é a indefectível balada desse trabalho. Uma celebração do amor maduro, numa letra e melodia sensíveis e de bom gosto.

“Detroit City” homenageia a cidade natal de Alice Cooper e celebra seus tempos de início de carreira ao lado de amigos como as bandas MC 5 e The Stooges, capitaneadas respectivamente pelos amigos Wayne Kramer e Iggy Pop. Refrão potente e muita energia também nessa faixa.

“Spirits Rebelious” dá sequência, sem deixar cair o pique do disco que, a esse ponto, já valeu seu investimento. Ops, você baixa CDs? Então, cada segundo aguardado pelo fim do download.

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“This House Is Haunted” traz uma pitada maior da já tão citada teatralidade de Alice em seus vocais. Uma bem sacada inserção de oboé, dica do amigo Bob Ezrin, proporciona uma sonoridade interessante à canção.

“Love Should Never Feel Like This” traz uma constatação um tanto óbvia. Amar é sofrer. Que bom que isso não se aplica à música em questão. “The Song That Didn’t Rhyme” brinca com a possibilidade de se executar mal uma música, tanto instrumentalmente como nos vocais. A brincadeira talvez seja uma provocação às bandas e cantores de baixa qualidade que povoam as rádios e a mídia de forma geral. Não fique indignado. Os erros ouvidos na música são propositais, Ok?
“I’m So Angry” e “Backyard Brawl” formam uma excelente dobradinha raivosa para fechar esse CD cujos adjetivos mais adequados talvez sejam: Simples e Eficiente. Mas um simples Muito Bom ou Sonzeira também caberiam bem.

NOTAS:
Lançamento: 22/09/2003 (Europa) 30/09/2003 (USA)

FAIXAS:
01. What Do You Want From Me? (Alice Cooper/Eric Dover/Mikal Reid) [3:24]
02. Between High School & Old School (Alice Cooper/ Eric Dover/Ryan Roxie) [3:01]
03. Man Of The Year (Alice Cooper/ Eric Dover/Ryan Roxie) [2:51]
04. Novocaine (Alice Cooper/ Eric Dover/Ryan Roxie) [3:07]
05. Bye Bye, Baby (Alice Cooper/ Eric Dover/Ryan Roxie) [3:27]
06. Be With You Awhile (Alice Cooper/Eric Dover) [4:17]
07. Detroit City (Alice Cooper/Ryan Roxie/Chuck Garric) [ 3:58]
08. Spirits Rebellious (Alice Cooper/Eric Dover/Ryan Roxie) [3:35]
09. This House is Haunted (Alice Cooper/Eric Dover/Ryan Roxie) [3:30]
10. Love Should Never Feel Like This (Alice Cooper/Eric Dover/Ryan Roxie) [3:32]
11. The Song That Didn't Rhyme (Alice Cooper/Eric Dover/Ryan Roxie) [3:17]
12. I'm So Angry (Alice Cooper/Eric Dover/Ryan Roxie) [3:36]
13. Backyard Brawl (Alice Cooper/Eric Dover/Ryan Roxie) [2:37]

MUSICIANS:
Guitars - Ryan Roxie, Eric Dover
Bass - Chuck Garric
Drums - Eric Singer
Keyboards, Accordion & Percussion. - Teddy Zig Zag
Backing Vocals, Theramin -Calico Cooper
Saxophones, Clarinet & other instruments - Scott Gilman
Additional Guitar on 'Detroit City' - Wayne Kramer

FICHA TÉCNICA:
Produced and mixed by Andrew `Mudrock` Murdoch
Engineered by "The Gatekeepers" - Mudrock and Fred Archambault
Recorded at Mates Studio, North Hollywood, CA
Mixed at Track Record, North Hollywood

CURIOSIDADES:

Outros títulos cogitados para esse álbum foram: "American Idle", "Man Hole" "Recipe For Disaster" e "Man Of The Year"

A foto da capa (e do cd) foi lançada em várias edições com cores diferentes para os olhos de Alice: vermelhos, verdes, azuis e roxos

O álbum foi gravado em um periodo de cerca de duas semanas no esquema “ao vivo no studio”. Segundo Alice, depois de ensaiadas o suficiente todas as músicas foram gravadas em um “take” cada uma.

A tour de divulgação desse álbum foi a Bare Bones Tour.

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THE TOUR BAND:
Ryan Roxie – Guitars
Eric Dover – Guitars
Eric Singer – Drums
Chuck Garric – Bass

Calico Cooper - Backing Vocals/Nurse etc

SETLIST:
01 Black JuJu (Intro Tape)
02 Hello Hooray
03 Man Of The Year (or No More Mr Nice Guy)
04 No More Mr. Nice Guy (Or Man Of The Year)
05 Between High School & Old School
06 Billion Dollar Babies
07 Long Way To Go
08 Be My Lover
09 Lost In America
10 What Do You Want From Me?
11 I'm Eighteen
12 Desperado
13 Halo Of Flies
14 Welcome To My Nightmare
15 Cold Ethyl
16 Only Women Bleed
17 Ballad Of Dwight Fry
18 School's Out
19 Poison
20 Novocaine
21Detroit City Or I'm So Angry or Bye Bye Baby
22 Under My Wheels

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Sobre Neimar Secco

Welcome to my nightmare. Sou professor de inglês e de português e também tradutor eventual. Rock sempre foi e continua sendo a minha trilha sonora de todas as horas. Minhas preferências são hard rock, progressivo e classic rock em geral (anos 60, 70 e 80). Bandas favoritas: Alice Cooper, Led Zeppelin, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Pink Floyd, Beatles, Creedence, The Doors, Dire Straits, entre muitas outras.

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