Antes de qualquer coisa, eu não nego que tenho o MORBID ANGEL como uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos. Chego a incluir os norte-americanos de Tampa, Flórida, naquela que denomino a Profana Trindade do Death Metal, ao lado do IMMOLATION e DEATH. Pura opinião pessoal, mas qualquer pessoa que seja fã do estilo citado jamais deixaria de inclui-los em suas listas de grupos mais importantes do Metal Extremo.
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Quem digitar o nome MORBID ANGEL na famosa Wikipedia (versão em português) irá encontrar logo no início o seguinte texto: "Eles são os inovadores, os líderes, os que transcendem limitações. Convicção e verdadeiro senso de propósito só possuído por poucos, quebrando os limites musicais, espirituais e ideológicos, retendo o elemento inquestionavelmente brutal de sua música que se tornou uma das mais influentes do Death metal mundial." - Ora, do que adiantariam essas palavras se as mesmas não partissem à prática? Francamente, se há uma banda que JAMAIS temeu ousar e um músico que sempre foi sinônimo de "estar a frente de seu tempo", estes são o MORBID ANGEL e seu líder, mentor, guitarrista e compositor principal, Trey Azagthoth, respectivamente. Mesmo os três primeiros trabalhos - o já citado Altars of Madness, Blessed Are the Sick (1991) e Covenant (1993) - traziam sons bem diversificados e fora do "padrão Death Metal" da época. Até hoje encontramos ali elementos que muitas bandas não teriam a coragem (isso mesmo!) de fazer uso. Quando o quarto disco foi lançado em 1995, as críticas negativas começaram a ganhar força. Se Domination não mostrava ainda o que Trey & Cia. trilharia dali em diante, pelo menos serviu para dar um susto em uma boa parcela de fãs e na imprensa especializada.
Com a saída do vocalista e baxista David Vicent no ano seguinte, vieram novos membros (o guitarrista Erik Rutan e o baixista/vocalista Steve Tucker para sermos mais precisos), mudanças na sonoridade e muita criatividade, apesar de algumas composições sem tanto poder. O nome da banda continuava em evidência, mas os fãs queriam Vincent de volta. E foi o que aconteceu em 2004. De lá pra cá os shows foram constantes e a promessa de um novo disco de estúdio ecoava em todo o mundo.
Eis que a espera chega ao fim em 2011 e Illud Divinum Insanus chega ao mundo cheio de expectativas. No entanto, também carregava em si duas tarefas ingratas: nascer já clássico e agradar aos fãs mais puristas, até por não contar com Pete Sandoval na bateria, mas o eficientíssimo Tim Yeung (All That Remains, Hate Eternal, Vital Remains, Divine Heresy, World Under Blood, etc.).
Pois bem, mal a bolachinha saiu do forno e a chuva de críticas negativas foi implacável. "O disco é uma merda!", foi a frase que mais li e ouvi nas últimas semanas. Querem saber? INGRATOS! O disco não nasceu clássico e provavelmente jamais será, mas está longe de ser o fiasco que a maioria vem afirmando. Em minha opinião o erro do MORBID ANGEL está na ordem do track-listing. Se "Too Extreme!" fosse a faixa de número 10 a coisa não teria sido tão brutal pro lado deles. Sim, porque "Existo Vulgoré" é uma típica canção da banda, bem melhor do que algumas dos dois álbuns anteriores, assim como as seguintes, "Blades for Baal" e "I Am Morbid" - ambas muito poderosas e cheias de inspiração; "Nevermore" já era uma velha conhecida, pois vem sendo tocada há um par de anos pelo menos, ótima faixa! "Destructos Vs. the Earth / Attack" retoma a dose de modernidade do CD, mas não passa despercebida. "Beauty Meets Beast" poderia estar fácil no Covenant, bem como a última "Profundis - Mea Culpa" entraria no Formulas Fatal to the Flesh (1998) se a bateria não fosse eletrônica, digamos assim.
Ou seja, não criemos pânico. O MORBID ANGEL continua fazendo o de sempre: musicar arte de vanguarda. Pra mim conseguiram novamente.
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Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.
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