Resenha - Humanity: Hour 1 - Scorpions

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Resenha - Humanity: Hour 1 - Scorpions


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Trinta e cinco anos (e mais de 22 milhões de cópias vendidas) depois de seu primeiro disco, “Lonesome Crow”, a verdadeira instituição do hard rock conhecida como Scorpions apresenta o sucessor de “Unbreakable”, de 2004, na forma do recente “Humanity: Hour 1”. É fato que o disco pode não ser exatamente a seqüência que os fãs mais devotados do quinteto alemão esperavam. “Caramba. Finalmente eles deixaram os álbuns acústicos e com orquestras de lado e resolveram voltar ao seu hard rock old school com o ‘Unbreakable’. Agora, eles mudam tudo de novo e metem na cabeça que são o U2?”. Esta declaração indignada saiu diretamente da boca de um grande amigo, e pode traduzir exatamente o que parte dos fãs vai pensar. Mas, pela nota conferida, creio que você percebe nitidamente que eu discordo radicalmente do sujeito, não?

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A comparação do amigo em questão com o U2 se deve ao fato de que este “Humanity: Hour 1” é uma produção introspectiva, quase sombria, que funciona como uma espécie de reflexão social e política sobre os rumos da humanidade e seu futuro daqui por diante. Mas é um exagero sugerir que, em “Humanity: Hour 1”, Klaus Meine e cia. evocam a jornada de Bono Vox para salvar o mundo. Injusto, até. Não crie ou pré-julgamentos babacas acerca do CD, rotulado por parte da imprensa como panfletário. Bobagem. É apenas um olhar reflexivo sobre o mundo, exatamente como foi o hino “Wind of Change”. No entanto, sou obrigado a concordar com o mesmo amigo quando ele deixa clara a diferença entre “Unbreakable” e “Humanity: Hour 1”. Realmente, existe uma mudança nítida. Mas eu considero que para melhor, muito melhor. Uma evolução, isso sim.

”Unbreakable” é mesmo um puta disco legal, tudo bem. Aquele hard rock clássico da década de 80, cheio daqueles bons riffs e refrões grudentos, como só estes escorpiões poderiam voltar a fazer. Mas “Humanity: Hour 1” é mais do que uma homenagem a um passado de glórias, uma repetição de fórmulas de sucesso e que vão contentar toda uma horda de fãs. “Humanity: Hour 1”é um passo à frente na carreira dos Scorpions. É um disco que inova, que surpreende, que tem coragem de misturar influências diversas, das pitadas de eletrônico ao groove do new metal (não caia da cadeira, eu escrevi isso mesmo e nem fiz o sinal da cruz). E no qual, por mais que alguns foristas aqui e acolá tenham ficado incomodados, o resultado final ainda soa muito hard rock. Hard rock potente, energético, virulento, contagiante. E que, cheio de identidade, ainda consegue soar 100% Scorpions, com suas marcas mais destacadas. As maiores delas, por sinal, representadas pela performance sempre emocionante de Meine (e o desgraçado continua afiadíssimo) e pela eficiência da dupla de guitarras formada por Schenker-Jabs - que, em uma afinação mais baixa do que a costumeira, mostra desenvoltura ímpar e uma versatilidade incomum.

"Welcome to humanity, this is hour 1", diz em voz robótica a introdução de "Hour 1", antes da surpreendente entrada das pesadíssimas guitarras da dupla das seis cordas, em pegada quase thrash (pois é, acredite nisso!), gerando umas das músicas mais brutas e duras de toda a carreira do grupo. E olha que isso é só o começo do disco! "The Game of Life" é uma canção tipicamente Scorpions, naquele modelo feito de um refrão fácil e um riff de guitarra matador e devidamente cantante para bater cabeça de maneira quase dançante. Nada muito complicado. Mas veja "We Were Born To Fly" - cujas guitarras sérias, sisudas, quase soturnas, podem parecer deslocadas à princípio, mas que cabem perfeitamente no refrão mais contagiante de toda a bolacha, daqueles para repetir durante uma semana sem parar.

Já "You're Lovin'Me to Death" (e sua letra açucarada) e "321" (e seu eficiente e irresistível "321, are you ready to rock?") têm guitarras carregadas do peso e da energia furiosa do mais puro heavy metal tradicional. E para deixar o negócio ainda mais diferente do que já foi feito em outras ocasiões por estes tiozinhos da Bavária, que tal "We Will Rise Again" e sua cozinha com groove de new metal (Meu Deus, escrevi isso de novo, onde está a chibata???)?

Se estamos falando de Scorpions, temos que falar das baladas. "The Future Never Dies" é uma balada rasgada e com um consistente teclado quase onipresente que traz bons ecos do Queen - além dos mais inspirados momentos dos próprios rockers germânicos nestes quesito, uma de suas especialidades. Por outro lado, "Love Will Keep Us Alive" é uma daquelas baladinhas doces e suaves que o vocalista sussurra com tanta delicadeza que quase dá para sentir o vento soprando no seu rosto enquanto, de olhos fechados, você descansa a cabeça delicadamente no colo da pessoa amada em um dia de sol, embaixo da sombra de uma frondosa árvore. E sejamos sinceros: quando uma música suscita este tipo de imagem assim tão detalhada, é sinal de que ela é boa MESMO! :-)

Não fique assustado com a informação de que Billy Corgan, o frontman careca dos Smashing Pumpkins, é a participação especial em "The Cross". É puro pré-conceito (assim mesmo, com hífen). A faixa não se parece em nada com o grupo de origem de Corgan, que faz apenas alguns backing vocals e uma espécie de vinheta lá para o meio da execução. É um hard rock de pegada, pesado, com uma letra inteligente e que disputa o título de melhor momento do disco justamente com a música que vem na seqüência e que encerra o álbum: "Humanity", que apesar de também ser acusada de ter influências new metal (três vezes num único texto? Eu deveria ser preso!), tem um excelente trabalho percussivo e a entrega mais profunda de Meine naquela que é a letra mais séria e triste de todo o trabalho. Ou você não concorda que "no-one can save us from ourselves"?

Não sou de sair dando nota 10 para qualquer disco, sabe? Mas acho que é consenso que, quando você ouve as onze faixas de um álbum e repete, ao final de cada uma delas "pombas, mas esta música é boa pra dedéu", é sinal de que tens em mãos (e ouvidos) um dos melhores lançamentos do ano. Ainda mais quando é oriundo de uma de suas dez bandas favoritas. Merece o destaque.

Line-Up:
Klaus Meine - Vocal
Rudolf Schenker - Guitarra
Matthias Jabs - Guitarra
Paweł Mąciwoda - Baixo
James Kottak - Bateria

Tracklist:
1. Hour 1
2. Game of Life
3. We Were Born to Fly
4. Future Never Dies
5. You're Lovin' Me to Death
6. 321
7. Love Will Keep Us Alive
8. We Will Rise Again
9. Your Last Song
10. Love Is War
11. Cross
12. Humanity

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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