Hype. Hype. Hype. O Canadá é a meca mundial dos hypes musicais (tá, a Grã-Bretanha vence de longe em quantidade, mas os canadenses são mais cults – é o que diz a lenda). Em três anos o Arcade Fire saiu do limbo existencial para o mais alto conceito da crítica. Neste meio tempo, até uma passadinha pelo Brasil eles deram.
Nota: 10 









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Intenso, sombrio, fantasmagórico (x3), sublime e tocante são alguns dos adjetivos que cabem bem aqui. Impossível não se ver completamente envolto pelas atmosferas criadas nas diversas texturas da voz de Win Butler. É incrível como a fórmula – se é que se pode dizer isto de uma banda tão múltipla e talentosa – funciona perfeitamente bem: ultrapassando as fronteiras do rock e indo do pop a toques de música clássica, a variedade de instrumentos (violinos, acordeons, sintetizadores, teclado, percussão, xilofones e tudo mais que servir para tocar o ouvinte) também colabora para o rico resultado final.
A melancolia do grupo nunca descamba para a depressão. Antes, apostam muito mais em tons reflexivos e transformadores – tente ouvir “Intervention” inerte – gerando uma autêntica experiência emocional. Ouso dizer que, desde os Smiths, poucas vezes se viu uma banda com tanta sensibilidade pop quanto esta, só que num mosaico ainda mais sombrio, chuvoso e arrebatador. Realmente, não há como não se render. “Neon Bible” merece ser destrinchado e absorvido nos mínimos detalhes. A primeira obra prima do ano.
Lançamento nacional pela Slag Records.
Site Oficial: www.arcadefire.com
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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