O curioso motivo que leva Robert Smith a ser fã de Jimi Hendrix e David Bowie ao mesmo tempo
Por Bruce William
Postado em 13 de outubro de 2025
Com música, às vezes a simplicidade acerta em cheio. The Cure nem sempre seguiu por esse caminho, mas há momentos em que uma linha melódica clara resolve tudo: vibra entre euforia e melancolia e gruda na cabeça sem precisar de firula.
E quando cita suas referências, Robert Smith vai direto ao que interessa: personalidade. "Gosto de guitarristas com um estilo muito distinto. Acho o Bowie um guitarrista subestimado. Adorava a guitarra rítmica nos primeiros discos dele, tipo 'Hunky Dory'. Quando eu era muito, muito jovem, ouvia Beatles e Rolling Stones, e curtia a guitarra rítmica dos singles do começo dos anos 1960."

Depois veio o ponto de virada, que lhe foi apresentado em casa, pontua a Far Out. "Meu irmão mais velho me mostrou o Hendrix quando eu tinha oito ou nove anos, e ele virou meu favorito. Os outros garotos na escola aprendiam os solos do Hendrix, mas eu me interessava mais em como ele juntava os acordes. Achei o jeito de deixar notas soando muito esquisito e muito bom. Hendrix deu o tom para tudo o que eu faço."
Faz sentido que Smith tenha fisgado os acordes de Hendrix. Nos discos do The Cure, especialmente com Pearl Thompson na parceria, o sentimento costuma nascer das sequências harmônicas: camadas de notas que permanecem, vozes abertas que respiram e um toque de dissonância bem colocado. É ali que a canção encontra cor e menos pelo solo exibido, mais pela arquitetura que sustenta a melodia.
Os três nomes que moldaram a mão direita e o ouvido de Robert Smith aparecem nítidos: a batida rítmica do Bowie, a escola de Beatles/Stones nos primórdios e, por cima de tudo, o jeito de harmonizar de Jimi Hendrix. Dessa mistura saíram linhas simples com assinatura imediata - coisa que qualquer um poderia escrever, mas que, nas mãos certas, passa a ter endereço.
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