Resenha - Tyranny of Souls - Bruce Dickinson

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Muito estardalhaço foi feito em torno de “Tyranny of Souls”, o novo disco solo de Bruce Dickinson, o eterno vocalista do Iron Maiden. ‘Releases’ e notas saíam na Internet dando por conta que quando chegasse às lojas, encontraríamos um dos mais surpreendentes discos da carreira solo do cantor, além de inovador e pesadíssimo. Ei, mas vamos com calma, apesar de eu ser um fanático por Iron Maiden e Bruce Dickinson, preciso fazer uma análise nem um pouco passional sobre este disco...
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Após sete anos desde o lançamento de “The Chemical Weeding” (este sim, um disco pesado), Bruce esteve mais ocupado com o Iron Maiden do que com a sua carreira solo. Com o fim da turnê de “Dance of Death”, Bruce estava livre para trabalhar em um novo projeto solo ao lado do produtor/guitarrista Roy Z. Pela sua agenda apertada graças a compromissos profissionais (incluindo o recente “Angel of Retribution”, do Judas Priest), ambos tiveram que compor e gravar um disco em pouco tempo, o que realmente acabou sendo feito. E aparentemente, pela capa, a idéia que dá é que estamos diante de uma continuação da temática do “The Chemical Weeding”. Liricamente isto se comprova, a não ser por algumas exceções (as letras diferenciadas do álbum), ora baseadas em ficção científica, ora baseadas em aviação. Mas então, vamos direto às músicas, já que é redundante ficarmos analisando e elogiando o trabalho de Bruce e Roy Z, e por conseqüente dos novos músicos contratados – o misterioso tecladista italiano Maestro Mistheria e o baterista David Moreno.

Após a introdução “Mars Within”, o disco abre com uma de suas melhores composições, “Abduction”. Retratando assuntos ligados à ficção científica, esta é uma das músicas que com facilidade nos relembra, pelo seu clima, o disco “Accident of Birth”. Heavy metal direto e com riffs empolgantes. “Soul Intruders” possui uma introdução à lá Primal Fear, uma composição igualmente pesada, mas que possui alguns climas mais arrastados e cadenciados. É uma música interessante, sem dúvida, mas leva algum tempo até nos habituarmos com o seu andamento e suas melodias de voz. “Kill Devil Hill” parece para mim uma das músicas mais fracas deste recente CD. Não por sua execução, mas sim pela sua falta de originalidade e maiores inspirações. “Navigate of the Seas of the Sun”, a próxima, esta sim parece ser inovadora. Totalmente acústica, parece estarmos diante de uma novidade a se tratar de Bruce Dickinson. Mas basta analisarmos melhor seus álbuns antecessores e veremos que não é bem por aí, já que as baladas “Tears of the Dragon”, “Man of Sorrows”, por exemplo, são bem conhecidas. “River of No Return” parece ser uma composição tradicional e sem grandes novidades. E realmente é verdade, aqui a outra faixa que pouco se destaque no material.

Já “The Power of the Sun” é uma música com o quê do álbum “Piece of Mind” e que merece a atenção, mesmo sendo razoável ela tem aqueles momentos empolgantes. Já “Devil on a Hog”, bem, esta irá relembrar a fase mais hard rock da carreira do Bruce, especialmente a época de “Tattoed Millionaire”, na minha opinião. O refrão é o momento de destaque, como “Believil”, candidata a melhor do álbum ao lado de “Abduction”. Com uma áurea mais atmosférica e novamente climas mais arrastados, a música tem aqueles seus momentos de puro peso e riffs pesadíssimos, conforme “prometido” nos primeiros ‘releases’...

Fechando, “A Tyranny of Souls”, que parece ser fortemente influenciada pelo disco antecessor a este. Esta também merece uma atenção maior, certamente irá figurar entre as favoritas de muita gente e possui características similares a “Believil”.

Enfim, acredito que “Tyranny of Souls” seja um disco muito bom, porém acredito também que pode ser uma decepção para muitos que esperam encontrar “a” obra-prima da carreira solo de Bruce Dickinson aqui. O disco é bom mesmo, mas longe de ser o melhor. Lançamento nacional pela Century Media, desta vez não há motivos para deixar de lado, já que você pode encontrar com grande facilidade em qualquer parte do Brasil. Compre e tire as suas próprias conclusões...

Site oficial: www.screamforme.com

Line-up:
Bruce Dickinson (vocal);
Roy Z (guitarra/baixo);
Maestro Mistheria (teclado);
David Moreno (bateria).

Track-list:
01. Mars Within (Intro)
02. Abduction
03. Soul Intruders
04. Kill Devil Hill
05. Navigate the Seas of the Sun
06. River of No Return
07. Power of the Sun
08. Devil on a Hog
09. Believil
10. A Tyranny of Souls

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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