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Disco Destroyer - Tankard

Por Maurício Gomes Angelo | Em 26/12/05
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A Encore Records segue relançando álbuns interessantíssimos do metal mundial. E nada mais adequado do que fazer justiça a uma das bandas mais bacanas de thrash metal do planeta. O bom humor sempre diferenciou o pessoal do Tankard. O bom humor e a posição "fuck of it all" diante do mundo. Veja a capa. Piada, não? "Nós vamos destruir a música disco". Era o que o Tankard dizia.

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Impossível deixar de pensar que este álbum não deveria ter sido lançado no final da década de 90, mas sim no início dos anos 80, o que faria muito mais sentido. Estes alcoholics alemães já se diferenciam por suas letras, divertidíssimas e sarcásticas, alfinetando a hipocrisia, brincando com o cotidiano e glorificando aquilo que gostam. Ou seja, fazem questão de ficar a anos-luz do modorrento, batido e risível "discurso apocalíptico" que 99% das bandas thrash pregam há mais de 20 anos.

"Disco Destroyer", de 1998, foi considerado a volta do Tankard aos seus áureos tempos de puro thrash metal (abandonando a verve mais melódica do disco anterior, auto-intitulado). Voltaram ao thrash e dali não saíram mais. O álbum marcou também a despedida do guitarrista, e um dos principais compositores do grupo, Andy Bulgaropulos, com 15 anos de Tankard.

As influências punk, que sempre os caracterizaram, estão em grande evidência neste registro, como em “Hard Rock Dinosaur” e “Tankard Roach Motel”. No mais, descrever cada música seria desnecessário, já que a estrutura é praticamente a mesma, traduzindo: riff de abertura / paulada instrumental incessante / pequena decaída para valorizar o refrão (ponte) / refrão / talvez algum solo / riff / pau até o fim. Claro, com a notabilíssima veia punk já citada, deixando o thrash oitentista desses caras com um clima um pouco diferente. “Serial Killer”, “Death By Whips” – a melhor – e “Face Of The Enemy” se sobressaem.
Dos integrantes, o que obtém maior destaque é o baterista Olaf Zissel, além do vocal sempre cativante de Gerre.

Esta época, 1998, era um tempo onde ou as bandas thrash estavam em decadência (Kreator, Destruction, Megadeth, Anthrax e Metallica), entrando nela (Slayer) ou tentando sair dela, caso do Tankard. Dali em diante um verdadeiro renascimento do estilo viria se sucederia, tanto com bandas da velha guarda voltando a lançar trabalhos de respeito como com o surgimento de inúmeros novos nomes que revigoraram a cena. A partir de “Disco Destroyer” o Tankard reencontrou o seu caminho e só foi crescendo, inclusive no nível das composições, culminando no excelente “Beast Of Bourbon”, do ano passado. Este aqui, por seu turno, além de fundir o thrash e o punk com competência, é divertidíssimo. Em todos os sentidos possíveis.

Formação:
Andreas "Gerre" Geremia (Vocal)
Andy Bulgaropulos (Guitarra)
Frank Thorwarth (Baixo)
Olaf Zissel (Bateria)

Site Oficial: www.tankard.org

Encore Records – Nacional - 2005 (Relançamento).

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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