Amy Winehouse: há um ano, cantora entrava no Clube dos 27

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Amy Winehouse: há um ano, cantora entrava no Clube dos 27

Postado por Breno Airan | Fonte: Rock na Velha

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Há uma velha sina no mundo artístico. Não apenas essa de que gênios roqueiros morreram aos 27 anos de idade.

JIMI HENDRIX, JANIS JOPLIN, BRIAN JONES, KURT COBAIN, JIM MORRISSON, ROBERT JOHNSON, RON "PIGPEN" McKERNAN. Esses são alguns poucos nomes que entraram no chamado “Clube dos 27”.

Muito além disso, entraram no rol dos corrompidos, dos artistas que se autoflagelam; como AMY WINEHOUSE, a pequena britânica que viu o mundo de dentro de um cachimbo de crack.

Essa concepção, de que quem vive da arte é necessariamente um ser rebelde e marginal, vem dos poetas românticos do século 19, onde a incompreensão, melancolia e isolamento dão mote à existência. Por vezes, subsistência.

Mas essa dor e caos interno renderam estrelas à diva soul. Ganhou Grammy’s, notoriedade, recordes de álbuns vendidos, fãs mundo afora, um amor para não recordar – seu ex Blake Fielder-Civil, que a introduziu nas drogas pesadas.

Toda fúria e emoção de Amy estavam nas suas letras corrosivas, irônicas. O ensaio da cegueira amorosa cantada em um funk-soul-jazzístico que se apagou no dia 23 de julho de 2011.

A vocalista e compositora foi encontrada em sua casa, no bairro londrino de Camden Town, morta. O exame toxicológico – somente divulgado meses depois – concluiu que ela foi vítima de excesso de álcool.

Amy havia parado de ingerir entorpecentes após longa estadia em uma ilha caribenha. Lá, algumas músicas foram compostas.

De acordo com seu pai, o ex-taxista Mitch Winehouse – que está lançando em agosto, no Brasil, o livro “Amy, Minha Filha” – há pelo menos espaço para dois álbuns com músicas inéditas, afora o já disco póstumo “Lioness: Hidden Treasures”.

“Vamos passar o aniversário de sua morte em seu bar favorito”, disse o genitor da diva. “Tenho certeza que isso vai deixá-la feliz. Era tudo o que ela mais amava fazer: passar um tempo ao lado da família, tomando um bom drink e ouvindo uma boa música!”, pontuou Mitch em entrevista ao tabloide The Sun.

Confira um trecho da biografia a ser lançada pela Editora Record ao preço de R$ 29,90:

"AMY, MINHA FILHA"
Capítulo 3 - Quando ela se apaixonou

"Acabou sendo bom que Sylvia Young [professora de canto] mantivesse contato com Amy depois que ela saiu da escola, porque foi Sylvia quem inadvertidamente impulsionou a carreira de Amy numa direção totalmente nova.

Mais para fins de 1999, quando Amy estava com 16 anos, Sylvia ligou para Bill Ashton, o fundador, diretor musical e presidente vitalício da National Youth Jazz Orchestra, para tentar marcar um teste para Amy. Bill disse a Sylvia que eles não faziam testes.

- Basta mandar que ela venha - disse ele. - Ela poderá se juntar a nós se quiser.

Amy foi e, numa manhã de domingo, mais ou menos um mês depois, pediram que cantasse quatro músicas com a orquestra naquela noite porque uma das cantoras não ia poder se apresentar. Ela não conhecia as músicas muito bem, mas isso não a desconcertou. Para Amy foi moleza. Um ensaio rápido, e já tinha aprendido todas elas.

Cantou com a NYJO por uns tempos e fez uma de suas primeiras gravações de verdade com eles. Organizaram um CD e Amy cantou nele. Quando Jane e eu ouvimos, quase caí duro - não podia acreditar como sua voz estava fantástica. Minha música preferida nesse CD sempre foi The Nearness Of You. Já a ouvi cantada por Sinatra, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billie Holiday, Dinah Washington e Tony Bennett. Mas nunca a ouvi cantada como Amy a cantou. Foi e continua a ser belíssima.

Não havia dúvida de que a NYJO e as próprias apresentações de Amy exercitaram ainda mais sua voz, mas foi um amigo dela, Tyler James, quem realmente deu o pontapé inicial. Os dois tinham se conhecido na escola de Sylvia Young e continuaram grandes amigos até o fim da vida de Amy. Na escola de Sylvia Young, Amy estava um ano abaixo de Tyler, de modo que eram de turmas diferentes. Já nos dias de canto e dança, frequentavam as mesmas aulas, pois tinham permitido que Amy pulasse um ano. Assim, ensaiavam e faziam testes juntos. Conheceram-se quando seu professor de canto, Ray Lamb, pediu que quatro alunos cantassem "Parabéns para você" numa fita que estava fazendo para o aniversário da sua avó. Tyler ficou abismado quando ouviu aquela menininha cantando, nas palavras dele, "como uma rainha do jazz". A voz dele ainda não tinha mudado, e ele estava cantando como um Michael Jackson ainda jovem. Tyler diz que reconheceu o tipo de pessoa que Amy era assim que avistou seu piercing no nariz e soube que ela o fizera sozinha, usando um pedaço de gelo para abrandar a dor.

Depois que Amy saiu da escola de Sylvia Young, a amizade dos dois se fortaleceu, pois passaram a se encontrar com Juliette e outras amigas. Tyler e Amy falavam muito sobre as depressões que a maioria dos adolescentes tem. Todas as noites de sexta-feira, falavam-se ao telefone, e todas as conversas terminavam com um cantando para o outro. A amizade dos dois era incrível. Não eram namorados; eram mais como irmãos. Tyler foi um dos poucos rapazes que Amy chegou a levar aos jantares de sexta-feira de minha mãe.

Após sair da escola de Sylvia Young, tornou-se cantor de soul; e, enquanto Amy estava cantando com a NYJO, Tyler se apresentava em pubs, boates e bares. Tinha começado a trabalhar com um cara chamado Nick Shymansky, funcionário de uma agência de relações públicas chamada Brilliant! Era o primeiro artista de Nick e logo procurou Amy para que ela lhe desse uma fita com uma gravação sua para ele mostrar a Nick. Amy acabou lhe dando uma fita de lugares-comuns do jazz que tinha cantado com a NYJO. Tyler adorou o trabalho e a incentivou a gravar mais umas faixas antes de enviar a fita para Nick.

Tyler vinha falando de Amy com Nick havia meses, mas Nick, que era só uns dois anos mais velho que Tyler e estava acostumado a ouvir papo exagerado a respeito de cantores, não esperava nenhuma experiência radical. Mas é claro que foi isso o que chegou a ele. Amy enviou a fita num saquinho coberto de decalques de corações e estrelas. De início, Nick achou que Amy tinha simplesmente gravado algum disco antigo de outra cantora, porque a voz não parecia ser a de uma garota de 16 anos. No entanto, como a produção era muito fraca, ele logo se deu conta de que ela não poderia ter feito nada semelhante. (Na realidade, ela gravara a fita com sua professora de música na escola de Sylvia Young.) Nick pegou o número do telefone de Amy com Tyler; mas, quando ligou, ela não ficou nem um pouco impressionada. Ele continuou a ligar para ela e por fim ela concordou em se encontrar com ele num dia em que ia ensaiar num pub, bem perto de Hanger Lane, na zona oeste de Londres.

Eram 9h da manhã de domingo - Amy conseguia acordar cedo quando queria (nessa época, ela estava trabalhando nos fins de semana, vendendo trajes fetichistas numa banca na feira de Camden, zona norte de Londres). Quando Nick foi se aproximando do pub, ouviu o som de uma "big band" - que não é o que você espera de um pub àquela hora da manhã de um domingo. Ele entrou e ficou atônito diante do que viu: uma banda de velhos entre os 60 e os 70 anos de idade, e uma garota de 16 a 17 anos, com uma voz extraordinária.

De cara, Nick e Amy descobriram uma grande afinidade. Ela estava fumando Marlboro Reds, quando a maior parte dos adolescentes da sua idade fumava Lights, o que, para ele, significou que Amy sempre precisava estar um passo à frente de todos os outros. Quando Nick estava conversando com ela no estacionamento do pub, um carro deu marcha a ré e Amy gritou por ele ter passado por cima do seu pé. Nick demonstrou preocupação e solidariedade, verificando se estava tudo bem com ela. Na realidade, o carro não tinha passado por cima do seu pé, e tudo aquilo tinha sido uma encenação para ela descobrir como ele reagiria. Era a brincadeira do engasgo de novo --ela nunca se livrou desse tipo de infantilidade. Não faço ideia do que, na mente de Amy, esse teste pretendia averiguar, mas dali em diante Amy e Nick realmente se deram muito bem um com o outro, e ele continuou a ser um bom amigo para o resto de sua vida.

Nick apresentou Amy a seu chefe na Brilliant!, Nick Godwyn, que lhe disse que eles queriam assinar um contrato com ela. Ele convidou Janis, Amy e eu para jantar fora; Amy, usando um gorro com pompom e calças cargo, com o cabelo em duas tranças. Ela parecia encarar tudo com naturalidade, mas eu mal conseguia ficar sentado.

Nick disse-nos como considerava Amy talentosa como compositora, tanto quanto como cantora. Eu sabia que ela era uma cantora muito boa, mas foi sensacional ouvir um profissional do ramo dizer isso. Eu sabia que ela estava compondo música, mas não fazia ideia se era boa ou não porque nunca tinha ouvido nada escrito por ela. Depois, no caminho de volta à casa de Janis para deixar Amy e a mãe, tentei ser realista quanto ao acordo. Muitas vezes, essas coisas não dão em nada.

- Eu gostaria de ouvir algumas das suas músicas, querida – disse eu, sem nem mesmo ter certeza se ela estava me escutando.

- Ok, papai.

Não ouvi nenhuma delas – pelo menos não naquela época.

Como tinha só 17 anos, Amy não podia assinar um contrato formal. Por isso, Janis e eu concordamos em assinar".

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Sobre Breno Airan

Acima de tudo, um forte. Ser roqueiro no Nordeste é estar cercado de olhares de soslaio. Mas ele sabe ser simpático. Começou a escutar Heavy Metal ainda na barriga da mãe. A seu pai, uma verdadeira enciclopédia do estilo, deve tudo. Aos 14 anos, pediu para uma tia R$ 12 de presente de Natal, foi a uma loja de CDs usados e catou logo o "Rust in Peace", do Megadeth - em perfeito estado, inclusive. Daí por diante, a paixão só vem aumentando. É editor do blog Rock na Velha, integrante do blog Combe do Iommi e colaborador da revista alagoana Rock Meeting. Ainda tem tempo para ser jornalista e de tocar baixo em sua banda de Hard Rock, a Azul Manteiga.

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