The Who: mais de 50 anos, um show que vai entrar para a história
Resenha - Who (São Paulo Trip, São Paulo, 21/09/2017)
Por Diego Camara
Postado em 22 de setembro de 2017
Um espetáculo incrível! A primeira vez do The Who em solo brasileiro foi mais que um show, foi uma história. Uma história para todos aqueles que estavam presentes e poderão contar que viram um dos últimos bastiões do rock clássico britânico no Brasil. O São Paulo Trip começou, sem sombra de dúvidas, com tudo. Não poderia ser melhor do que isto. Confiram abaixo os principais detalhes do show, com as fotos de Ricardo Matsukawa, cedidas gentilmente pela Mercury Concerts.
Antes de começar a falar sobre o show, falarei sobre o evento como um todo. O São Paulo Trip surge este ano como um conjunto de shows alternativos ao Rock in Rio, trazendo algumas das principais atrações do rock do evento das terras cariocas. Com uma estrutura fabulosa e impecável, o Allianz Parque – que já é o melhor local para shows de grande porte da cidade – recebeu uma roupagem incrível. O palco é um dos melhores que já vi em um show de grande porte, tendo boa visibilidade até em distância bastante razoável, e os telões nas laterais foram a melhor escolha para que todos pudessem ver o show sem o uso de binóculos.
O The Who subiu ao palco na pontualidade britânica (21h30m), levando o público imediatamente ao êxtase. Jovens e mais velhos, o show angariou fãs de diversas idades e estilos. Daqueles tiozões que ouviam a banda pelas fitas cassete e vinis até os mais jovens – como este que aqui relata – que foi curtir a banda muito depois dela ter lançado todos os seus álbuns clássicos. Com o seu setlist padrão, abriram o show com a ótima "I Can’t Explain", uma belíssima alavanca para puxar o público e fisga-lo desde a primeira música.
O som estava lindo e perfeito durante todo o show. As guitarras de Townshend estavam limpas e o vocal de Daltrey cobria o som da banda de uma maneira extremamente minuciosa. Destaco dos integrantes da banda de apoio o ótimo trabalho nas baquetas de Zak Starkey, que dita o ritmo da banda e mostrou grande entrega durante todo o show. A seguinte foi "The Seeker", muito bem recebida também pelo público, que cantou junto com Daltrey, em grande empolgação.
Em "Who Are You", os instrumentos estavam mais fortes que os vocais de Daltrey, e o destaque fica para o solo de guitarra impressionante de Townshend, que no alto dos seus 72 anos e sua surdez parcial, impressiona pelo ritmo que impõe e pelo que ainda desenvolve no palco. Sua animação foi contagiante. Que os deuses do rock o permitam continuar neste nível, para quem sabe podermos sonhar com uma segunda apresentação do The Who aqui nestas terras.
A excelente performance alavancou os principais hits da banda. "My Generation" foi como uma maestria da audiofilia. Cada instrumento no seu lugar, o som encaixadinho, dando para ouvir até a linha de baixo que corria perfeita por baixo do som alto das guitarras. A excelência deu resultado no público, que explodiu nessa música, cantando junto e dançando na pista ao som do sucesso. Logo em seguida veio "Behind Blue Eyes", no clássico "momento baladinha", aflorando as emoções do público, que cantou em alto e bom som, eclipsando até os vocais de Daltrey.
A incrível performance continuou com "Join Together", "You Better Bet" e "I’m One", que contou com a belíssima performance nos vocais de Townshend, em uma belíssima abertura acústica no violão. Em seguida, "The Rock" foi o ápice do instrumental da banda, em uma emocionante introdução e a força nas guitarras de Pete e Simon. Outra belíssima performance da banda.
O estilo mais space rock da sequência "Eminence Front", "Amazing Journey" e "Sparks", foi o momento de brilho dos teclados e sintetizadores da banda. Em um ritmo mais eletrônico, elas também encantaram o público. As músicas abriram caminho para uma das mais esperadas da noite, "Pinball Wizard". O público já foi a loucura na introdução, cantando junto a música inteira, em um dos melhores momentos do espetáculo.
Daí o show foi, já no seu ritmo final, ficando melhor e melhor. Outro destaque vai para a dupla que fechou a parte principal da apresentação. A abertura de "Baba O’Riley" levou o público mais uma vez a loucura. A relação se tornou mágica, fazendo arrepiar até o mais cético ali presente. Este, meus amigos, é um momento memorável, ver uma banda com mais de 50 anos de carreira, em sua primeira aparição por estas bandas, ainda nos seus cascos – vale ver que não houve nada durante todo o show que não valesse o rótulo de excelência – tocando o seu maior sucesso para um público realmente apaixonado.
Este é um daqueles shows que fica na memória. O público podia ter sido maior, mas não poderia ter sido melhor. Como também a banda, como também a produção. O SP Trip começou extremamente bem, mas é possível errar com uma das melhores e mais geniais bandas de rock de todos os tempos?
Setlist:
1. I Can't Explain
2. The Seeker
3. Who Are You
4. The Kids Are Alright
5. I Can See for Miles
6. My Generation (com trecho de "Cry If You Want")
7. Bargain
8. Behind Blue Eyes
9. Join Together
10. You Better You Bet
11. I'm One
12. The Rock
13. Love, Reign O'er Me
14. Eminence Front
15. Amazing Journey
16. Sparks
17. Pinball Wizard
18. See Me, Feel Me
19. Baba O'Riley
20. Won't Get Fooled Again
Bis:
21. 5:15
22. Substitute
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