Resenha: Como foi o show do Iron Maiden em Buenos Aires

Resenha - Iron Maiden (Buenos Aires, 15/03/2016)

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Por Marino de Abreu
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Venho compartilhar com vocês um pouco do que foi a experiência de, mais uma vez, ver o Iron Maiden. Antes de adentrarmos aos shows propriamente ditos, quero fazer alguns comentários sobre o “pré” e o “pós” do espetáculo. Pois bem, comprei o ingresso no dia, sem grandes problemas, pouquíssimas pessoas ainda compravam. Confesso que isso me deixou um pouco receoso sobre o público, receio que seria totalmente dissipado na hora do show. Pois bem, comprei plateia alta, arquibancada à direita do palco (de quem via o show). Cheguei por volta das 16h00min. Os portões abriram umas 17h15min, tirando o sol escaldante que iluminava Buenos Aires, foi supertranquilo.

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Fui a Buenos Aires com minha, agora, noiva e, “coincidentemente”, a data do show estava inclusa em nossa estada na terra “hermana”. Então tinha, novamente, outro receio, pois os argentinos, fomos e viemos, possuem fama de serem um tanto quanto agitados. Mas, repetindo, foi muito tranquilo.

Uma das coisas boas, diferente dos shows que já fui no Brasil, é que famílias inteiras foram ao show. Se via adultos com mais de 50 anos, bem como crianças a partir de 08 ou 9 anos, o que deixou o clima pré-show bem tranquilo.

Achei a organização satisfatória, não teve empurra-empurra nem para entrar e nem para sair, para meu alívio, tanto a entrada como a saída foi bem sossegada.

Um aviso a quem for ver shows na capital argentina. Conforme um taxista, seus colegas tem medo desses eventos, pois é show de heavy metal e nos vestimos de preto (???? - Sim, o cara disse isso). Então os que vão, desligam os taxímetros e cobram valores muito superiores ao que daria uma corrida normal. Exemplo, um táxi do estádio do Velez (local do show) até nosso hotel (ao lado do Obelisco) daria algo em torno de $200,00 pesos argetinos. O cara cobrou $500,00!!! Tivemos que dividir com um argentino e mais um casal de uruguaios. Sim, fomos de cinco no táxi. Então se forem ver um show lá, levem uns trocos a mais para o táxi da volta, até porque o metrô já estará fechado.

Pois bem, comentários e avisos dados, adentremos agora aos concertos das bandas.

The Raven Age, banda do filho do Mr. Harris, primeira a tocar, é uma banda muito competente, confesso que o som dos caras (Evanescence + Chad Kroeger do Nickelback) não é muito minha praia, mas os caras têm um excelente baterista, o próprio George Harris toca muito bem. Enfim, uma boa banda que pode manter o velho rock por mais uns anos.

Anthrax. Não há muito que dizer, apesar de não conhecer muito o som dos caras (SIIIIM PODEM ME VAIAR) os caras mataram a pau. Show enérgico. Todavia, confesso à vocês que o Slayer em 2013, abrindo para o Iron Maiden, foi mais matador. Porém, Ian, Belladona (que tirou uma foto comigo no aeroporto MEGA ENTUSIASMADO....) e cia. mandaram ver e aqueceram os headbangers presentes no estádio.

Falando neles, 40 ou 50 mil alucinados presentes no estádio fizeram bonito. Foi um clima muito legal entre os Hermanos, nesse quesito ele estão de parabéns.

E enfim, quase que pontualmente, por volta das 21h15min, o Maiden subiu ao palco. Pessoal, Steve Harris tem razão, um show do Iron Maiden é incomparável. “If eternity should fail” e “Speed of Light” fazem uma dobradinha empolgante no início do show, com fogos e luzes acompanhando.

O setlist foi o mesmo já apresentado até agora, porém me chamou atenção que, diferentemente do que li nos sites brasileiros, os argentinos não se importaram com os clássicos escolhidos pelo Maiden para essa tour. Muito se reclamou, em nossas terras, do conservadorismo da banda na escolha do set, mas lá, pelo menos na hora do “vamos ver”, a cada clássico tocado, o estádio vinha abaixo. Ou seja, para eles não importava qual música, mas sim que o Iron Maiden estava ali. A única canção que para os argentinos e pra mim poderia ter sido trocada foi “Death or Glory”, do novo álbum, pouco entusiasmou. Nesta hora um belo clássico viria à calhar.

Esta resenha merece uma atenção para Bruce Dickinson, em especial. No último show que fui, Curitiba em 2013, Bruce teve um resfriado e algumas músicas que exigiam um alcance vocal maior, ele mandava pra galera. Nesta terça-feira não. O cara cantou muito. Alguns vídeos que vi de apresentações anteriores há da capital porteña, Bruce cantou algumas músicas sem alcançar notas muito altas, por exemplo, a title track do novo álbum, “Book of Souls”. Mas neste show ele foi ao “infinito e além”. Se em Porto Alegre em 2008, a galera cantou tão alto quanto Bruce, num escaldante Gigantinho, em Curitiba ele teve problemas de voz, em Buenos Aires pude presenciar toda sua capacidade técnica-vocal. Simplesmente fantástico.

No conjunto da obra, a banda dispensa comentários, um show enérgico com todos os membros interagindo, inclusive Smith que é mais recatado, demonstrou certa “leveza” no palco. Eddie em sua nova roupagem também merece atenção, tanto aquele que entra no palco, quanto aquele que fica atrás da bateria. Ambos são fenomenais, muito legais. (É entusiasmante, ainda que clichê, ver Bruce arrancando o coração de Eddie).

O que as cidades brasileiras, afortunadas, poderão esperar? Um baita show. Foi o primeiro show de turnê de álbum que fui e lhes confesso que pode ter sido o melhor de todos!

Um ponto negativo: Michael Kenney, roadie do Steve Harris. Ele não é um cara legal! Fui, de forma muito educada, em inglês, lhe pedir para tirar uma foto. ELE NEGOU! Disse-me que não entendia porque gostavam tanto de tirar foto. Na hora só lhe respondi que era para recordação, mas depois me deu vontade de lhe dizer umas verdades. Enfim, não disse. Porém, sua atitude me deixou receoso de requerer fotos com Ashley Groom (contra-regra), Sean Brady (roadie Adrian Smith) e Colin Price (roadie Dave Murray), todos estavam no aeroporto aguardando e acabei não tirando as fotos. Mas não pensei que foi ruim, pois na mesma hora meu time do coração, Grêmio, estava em peso na mesma sala de espera, em Buenos Aires e pude conversar e fotografar com alguns heróis do jogo contra o San Lorenzo....

E ainda, durante a estada, fiz um merchandise pro Whiplash na cidade portenã...

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