Paul McCartney: vale muito a pena assistir o ex-Beatle

Resenha - Paul McCartney (Estádio do Arruda, Recife, 21/04/2012)

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Por Eduardo Bianchi Rolim
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Como toda viagem para ver o Paul (ou o Ringo), nosso retorno ao Recife foi uma “aventura” do início ao fim. Para não nos cansarmos demais, eu e minha esposa resolvemos partir já na sexta-feira (19 de abril) à noite, assim teríamos o dia 20 para descansar na Capital pernambucana. Afinal, embora fôssemos chegar de avião ao Recife, teríamos uma prévia viagem rodoviária, após um dia normal de trabalho, até o aeroporto de Viracopos (Campinas), onde embarcaríamos.

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O hotel “Beach Class Suites”, onde ficamos em Boa Viagem, deixou um pouco a desejar. Não obstante alguns funcionários tenham sido muito gentis e prestativos, sinceramente o hotel nos pareceu estar ligeiramente abaixo do que se esperaria de um estabelecimento da rede “Atlântica”, razão pela qual o custo da nossa estada se afigurou um pouco exagerado, apesar da linda vista do mar. Ao chegarmos na sexta-feira de madrugada, cansados após um dia de trabalho e uma enfadonha viagem (que da porta de casa até o hotel durou cerca de sete horas), não havia um “santo” que nos ajudasse a levar as malas para o apartamento. O café da manhã, embora não estivesse ruim, era menos variado do que vimos em outros hotéis da rede “Atlântica” (não só no Rio e em São Paulo, onde fomos ver shows do Paul e do Ringo, mas também em relação a outras cidades onde nos hospedamos por outros motivos, como Vitória, Curitiba e São Carlos). Enfiaram na nossa conta alguns itens que não consumimos (amendoim, chiclete)… e ao chegarmos do show, minha esposa ainda observou que o apartamento não estava muito bem limpo.

Na sexta-feira de manhã fomos até o “Chevrolet Hall” buscar um ingresso para o show de sábado, setor arquibancada superior – apenas um ingresso “extra” que eu havia comprado só para guardar como recordação, intacto. Foi muito emocionante, exatos cinco meses depois do show do Ringo, estar de volta àquele lugar. Quem diria que iríamos retornar tão cedo? O dia estava lindo, anunciando um belo fim de semana para todos nós. Depois do almoço, porém, o cansaço bateu e preferimos descansar, desistindo de fazer a “viagem de prévio reconhecimento” até o “Arrudão”, que havíamos planejado.

Chegamos ao “Arrudão” ainda no sábado de manhã. Já havia muita movimentação no local e o tempo, graças ao “bom São Pedro”, continuava lindo, como exatos 22 anos antes, no Maracanã. Nessas horas a ansiedade vai tomando conta e as lembranças dos shows anteriores começam a vir à mente sem pedir licença. Conforme a orientação que havíamos recebido por e-mail no dia 17, nos dirigimos diretamente ao “Portão 1″, onde seria a entrada do “Hot Sound”. O pessoal que estava trabalhando no apoio aos fãs, sob aquele sol, era muito atencioso, prestativo, dedicado e bondoso (“arretado”, como diria o Paul), mas pareceu não estar totalmente informado sobre as diversas situações possíveis. Primeiramente fomos encaminhados até a bilheteria, de onde fomos mandados de volta ao “Portão 1″. Dali nos mandaram ao “Portão 8″, de onde nos reencaminharam de volta ao “Portão 1″, embora tenha havido quem dissesse que deveríamos ir para o “Portão 2″… depois ficou esclarecido que o correto era o “Portão 1″ mesmo, onde finalmente se formou a fila do “Hot Sound”. A abertura do portão atrasou uns quinze minutos e muita gente ficou impaciente. O calor ficou mais forte e quem não está acostumado ou já foi cansado e/ou mal alimentado para o “Arrudão” deve ter sentido ainda mais. Enfim, vida de fã é a mesma, não importa em qual fila estejamos.

Quando entramos, nos foram colocadas duas pulseiras e uma credencial (crachá). Ao chegarmos ao recinto onde seria servida a refeição, ainda recebemos uma sacola contendo uma linda camiseta oficial com as datas dos shows de Recife e a revista da turnê (ao estilo daquela que recebemos no Pacaembu em 1993). O piso do local estava coberto com ramos. Havia fotos de Paul (como nos outdoors da turnê “On The Run”) por todos os lados e estavam sendo tocadas músicas dele gravadas ao vivo. As mesas, redondas, tinham seis lugares cada uma e estavam arrumadas com toalhas brancas e vasos com flores vermelhas, bem ao estilo “Kisses On The Bottom”. Naturalmente, não resisti: peguei uma das flores e dei à minha esposa, companheira de nove anos, inclusive nesses shows. Havia também mesas pequenas, no estilo “de barzinho”. Os banheiros químicos tinham o chão igualmente coberto com ramos e estavam enfeitados com pétalas. Já sentíamos sede quando começaram a servir as bebidas (água mineral e “refri”). Procuramos nos hidratar bem, pois sabíamos que o dia estava lindo, estávamos no ensolarado Nordeste e seria uma “longa e sinuosa estrada” até o retorno ao hotel. Contudo, nos pareceu que havia poucos garçons. Eles já ficavam de bandeja vazia antes de chegarem à metade do salão… algumas pessoas que provavelmente não haviam sido atendidas de pronto chegaram a pedir “Almoço! Almoço!”. Felizmente pudemos nos hidratar bem e comer alguns quitutes que foram servidos, os quais sentimos mais como “aperitivos” mesmo do que como “refeições” propriamente ditas, já que não vimos nenhum “prato” ser servido.

Depois de satisfatoriamente alimentados e, principalmente, muito bem hidratados, ficamos aguardando a chamada para a passagem de som, com a ansiedade só aumentando. Pareceu que ficamos “séculos” esperando, pois o Paul se atrasou. Estaria ele passando mal? Fiquei imaginando ele ainda recém-chegado da Colômbia, de outra altitude, outro clima, outro fuso horário, viagem longa… com que cansaço não estaria? Talvez se tivessem conseguido organizar a turnê no sentido Uruguai – Paraguai – Floripa – Recife - Colômbia ele tivesse sentido menos.

Nossa ida até o “curralzinho” destinado ao “Hot Sound” foi uma bagunça que nada ficou devendo aos famosos e emocionantes “estouros de boiada” da pista prime/premium ou de outros setores. Um portão havia sido inadvertidamente aberto antes da hora e várias pessoas – que não eram do “Hot Sound” – estavam na rampa que deveríamos usar. Foi preciso isolar essas pessoas e, como eram muitas, tivemos que passar, espremidos, por um espaço (corredor) mais estreito ao lado delas quando finalmente nos liberaram. Depois da rampa, destacaram os nossos ingressos e nos organizaram numa fila, ao lado do campo, onde aguardamos por nova liberação. Quando veio essa liberação, houve o “oba-oba” e a correria já esperados. Ao chegarmos ao campo, nos encaminharam à pista comum (gramado), onde nos posicionamos junto à respectiva grade. Depois é que resolveram nos colocar num “curralzinho” específico, no meio do campo, entre a pista comum (gramado) e a premium, como é a praxe no “Hot Sound”. Houve nova correria, desta vez com tumulto e caos, pois ouvi gente gritando para terem cuidado com as crianças presentes, que estavam correndo o risco de serem “atropeladas”. E assim nos acomodamos novamente.

Paul chegou às 17h20min, horário em que o sol já está baixo naquela região, o que nos proporcionou uma boa proteção do calor durante a passagem de som. Ele vestia camisa clara (tecido branco ou rosa claro, talvez…), calça jeans e tênis preto. Parecia estar um pouco perdido, talvez exausto como eu havia deduzido. Disse “bom dia” para nós, mas logo depois emendou um “boa noite”. Com a guitarra vermelha que usa em “Let Me Roll It”, ele logo mandou “Matchbox”, “Twenty Flight Rock” e “Blue Suede Shoes” (trocando a letra para “Black Suede Shoes” às vezes, refendo-se aos tênis que estava usando). A emoção foi muito forte, com “muitos ciscos caindo nos olhos” desde o início. Em seguida, com o lendário baixo, ele atacou de ”Coming Up”, “Ebony And Ivory” (em dueto com Abe) e “Birthday”. Entrei em colapso e, já em “Coming Up”, que achei que nunca mais ia ouvir ao vivo nesta vida, comecei a me “embananar” com as letras das músicas, apesar de saber todas elas e de tê-las ouvido em casa nos dias anteriores… depois da previsível choradeira em “Ebony And Ivory” (outra que já não mais esperava ouvir ao vivo…), foi a hora de “detonar” a garganta em “Birthday”, literalmente viajando de volta para aquele 21 de abril de 1990 no Rio, como se eu ainda fosse um garoto. A menina de Manaus que subiria ao palco durante o show, a Ana, estava perto de mim e deve ter pensado que eu ia morrer ali mesmo… em seguida, a minha esposa saiu dali e se posicionou perto de onde presumivelmente seria a nossa saída para a pista premium, já prevendo um novo “estouro da boiada”.

Enquanto isso, Paul foi para o piano e tocou ”Celebration”, que não reconheci de pronto, pois a versão oficial dessa música foi gravada pela Orquestra Sinfônica de Londres (para o CD “Standing Stone”), não por ele. Bem que o “cabra da peste” podia lançar a versão dele; é muito linda… logo depois, ainda no piano, veio “C Moon”. Eu já estava me sentindo literalmente na Lua. Na sequência, com o violão que usa em “Here Today”, “Blackbird” e outras, ele começou a tocar “Every Night”, mais uma que já não estava nem nos meus sonhos. Porém, o cansaço parece ter batido e ele se atrapalhou com a letra (tá legal, eu também me atrapalhei; estava “ocupado tirando ciscos dos olhos” e me perdi um pouco…). Paul disse “I’m losing the words” e tentou continuar, mas depois reconheceu que não ia dar (“I forgot the words…”) e preferiu encerrar. Que pena! Teríamos amado mesmo com palavras improvisadas. Ele se lamentou por não ter sido um homem atento e disse que aquilo poderia acabar em sua detenção (Sim! E que a reprimenda seja cumprida na nossa casa; um dia na casa de cada um!).

Uma palheta ainda escapou da mão de Paul, que realmente me pareceu batido pelo cansaço naquele instante. Mas em segundos ele retomou o controle da situação e mandou “San Francisco Bay Blues”. Já era tarde (que pena!…) e ele ainda fez uma versão “editada” de “Dance Tonight” (com o bandolim), a curtinha “Ram On” (com o ukulele) e “Yesterday” (com o mesmo violão que usa para tocá-la no show). Senti que, apesar do cansaço, ele estava tentando fazer o que podia para que a nossa “maratona” valesse a pena. Naquela altura, porém, muitos já estavam impacientes e esperando o momento em que teríamos que correr em direção à grade da pista premium. Paul ainda tocou “Lady Madonna” no pianinho colorido, agradeceu a nossa presença e se despediu, lembrando que nos veríamos novamente mais tarde. Eram 18h07min e muitos sequer ouviram o que ele dizia, pois a movimentação dentro do “curralzinho” já era grande. Nos liberaram e foi aquela correria para a pista premium, inclusive com direito a gente caindo e perdendo coisas no caminho, como dói acontecer.

Vencida mais essa etapa da “maratona”, era só sentar no chão, descansar e esperar, tentando comer e beber mais alguma coisa conforme possível. O show de Recife, exatos 22 anos depois da primeira vez em que vi o Paul, acabou sendo aquele em que consegui ficar mais perto dele, com apenas uma pessoa na minha frente – o que, pela minha estatura, acabou sendo praticamente o mesmo que nenhuma…

E ficam as perguntas: Valeu a pena? Faria de novo? A resposta é sim, nos dois casos, pois a vida de fã é isso aí e essas nossas “maratonas” ainda vão deixar muitas saudades!

Para ver mais fotos na matéria original do Minuto HM, acesse:
http://minutohm.com/2012/04/27/cobertura-minuto-hm-paul-mcca...

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Sobre Eduardo Bianchi Rolim

Paulistano, nascido em 1982, bacharel em Sistemas de Informação pelo Mackenzie e pós-graduado em Administração de Empresas (CEAG) pela FGV. Tem como paixão as bandas Iron Maiden e MetallicA, mas é fã de rock e metal internacional em geral. Alguns hobbies são: acompanhar o time do coração, Corinthians; doente por Back To The Future e Indiana Jones; viajar; Playstation; jogar o eterno Duke Nukem 3D. Carros em geral e F1 em especial. Tudo que pode ser relacionado à tecnologia (software e hardware). Ama os velhos receivers valvulados e aquelas maravilhosas caixas pesadas e potentes. Fã do Whiplash desde os primórdios. Criador e administrador do Minuto HM (www.minutohm.com), o blog da família do Heavy Metal (Twitter: @minutohm).

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