Rush: apresentação ainda melhor que a de 2002 em SP
Resenha - Rush (Morumbi, São Paulo, 08/10/2010)
Por Doctor Robert
Postado em 12 de outubro de 2010
Três razões para não ter ido ao show do Rush: 1 - o preço dos ingressos; 2 - show em dia de semana (péssima idéia, ainda mais para quem é de fora); 3 - o tempo chuvoso que predominou e assustou a capital paulista naquela semana. Motivos para ter ido ao show do Rush: 1 - Moving Pictures na íntegra; 2 - clássicos como "Subdivisions" e "Time Stand Still", que não foram apresentados na visita anterior ao Brasil; 3 - um repertório diferente e com músicas novas e muito boas; 4 - é o Rush no Brasil de novo, e acho que só isso já é um motivo mais do que nobre para valer qualquer sacrifício...
Numa fria noite de 6ª feira, lá estávamos nós de novo, os fieis fãs do trio canadense, à espera de mais uma grandiosa performance. O sentimento que nos esperava era mais ou menos como fala na letra de "Red Barchetta", "exciment shivers up and down my spine"(arrepios de emoção subindo e descendo na espinha). Tudo bem que o preço extremamente salgado das entradas afugentou grande parte dos que tinham a intenção de vê-los de novo (cerca de 38 mil pagantes, contra mais de 65 mil da visita anterior), e o resultado foi trechos de arquibancadas fechados para fazer mais volumes nos setores liberados, e alguns buracos na pista e ao redor do estádio todo.
Mas e daí? Se o público foi um pouco menor e mais frio do que da apresentação de 2002 (grande parte devido ao fato de estarem fotografando ou filmando os ídolos com suas câmeras digitais e celulares), o Rush em si fez justamente o contrário: brindou o público com uma apresentação ainda melhor do que a que pudemos presenciar na turnê do álbum "Vapor Trails" anos atrás. Eram precisamente nove horas e trinta minutos quando as luzes do Morumbi se apagaram e o telão começou a exibir o esquete cômico "The Story of Rash", com o trio encarnando tipos engraçados numa historinha boba, mas muito divertida envolvendo a tal máquina do tempo que dá nome à presente turnê. E o que se viu foi também um trio de muito bom humor e alto astral no palco.
Da abertura emocionante com "Spirit Of Radio", passando por "Time Stand Still" e a pérola "Presto", extraída do álbum de mesmo nome e executada ao vivo pela primeira vez nesta excursão, tudo parecia perfeito demais. Aliás, parecia não, era mesmo tudo muito perfeito. Além da iluminação, do som e dos telões de qualidade impressionante, os tiozinhos não deram sinal algum de desgaste ou cansaço e sentaram a mão nos seus instrumentos, tocando e soando, como se isso fosse possível, cada vez melhores. Alex Lifeson é um guitarrista completo e extremamente subestimado. Dá dor nos dedos só de ver Geddy Lee descendo a lenha em seu Fender Jazz, além de estar com a voz ainda perfeita e mandar muito nos teclados. Já o "deus" Neil Peart... o que mais dizer sobre o cara? Talvez o único músico no mundo do rock cujo solo seja tão aguardado a cada show (e o único baterista no mundo a fazer um solo de oito minutos sem ser chato – aliás, muito pelo contrário...).
As canções mais novas, embora empolgassem menos a galera, são excelentes: desde a já conhecida ao vivo "Workin’ Them Angels" (presente em "Snakes and Arrows Live"), até "Faithless", também do último álbum de estúdio, bem como "Far Cry" e as duas novidades (as porradas "BU2B" e "Caravan", esta aliás, um petardo ainda mais pesada ao vivo), tudo parecia se encaixar perfeitamente em meio a clássicos como "Freewill", "Marathon" e "Subdivisions". Garanto que todos os fãs gostariam que a letra de "Time Stand Still" se realizasse: "freeze this moment a little bit longer..." ("congele este momento por um pouco mais de tempo").
Emoção indescritível, porém, foi ouvir ao vivo "Moving Pictures" em sua integralidade, logo após a volta do intervalo e mais um esquete da estória do "Rash". Tudo bem que mais da metade dele já é presença obrigatória em todos os shows do Rush, mas ouvir "The Camera Eye" foi demais pra qualquer fã... Por fim, o trio ainda nos mostrou novos arranjos para "Closer To The Heart" (inclusive com direito a uma linda introdução ao violão de 12 cordas de Lifeson), relembrou a velha favorita "2112" (alguém sabe me explicar o que eram aqueles malucos fantasiados com aquela escada gigante atirando coisas no palco?), mandou ver em "La Villa Strangiato" (com uma introdução engraçadíssima) e meteu um reggae no começo de "Working Man", que fechou com chave de ouro a noite. Quero dizer, não sem antes de ver mais um filmete, desta vez envolvendo os dois personagens principais do filme "Eu Te Amo, Cara", (do qual o trio participa tocando "Limelight"), que invadem o camarim dos caras, comem o sanduíche de Neil Peart ("pronuncia-se "Piert", e não "Pert"")...
Resumo da ópera: nunca três horas passaram tão rápido, de maneira tão agradável. E por mais incrível que possa parecer, o Rush continua se superando... É de dar inveja... E de sentir pena de tantas bandas mais novas por aí que mal se agüentam por míseras uma hora e meia no palco... Se esta foi a última visita (como eu acreditava que a anterior teria sido), pelo menos os caras mais uma vez cumpriram à perfeição o seu papel... Um show perfeito e emocionante!
Set List:
1- The Spirit Of Radio
2- Time Stand Still
3- Presto
4- Stick It Out
5- Workin’ Them Angels
6- Leave That Thing Alone
7- Faithless
8- BU2B
9- Freewill
10- Marathon
11- Subdivisions
12- Tom Sawyer
13- Red Barchetta
14- YYZ
15- Limelight
16- The Camera Eye
17- Witch Hunt
18- Vital Signs
19- Caravan
20- Solo de Neil Peart
21- Closer To The Heart
22- 2112
23- Far Cry
24- La Villa Strangiato
25- Working Man
Outras resenhas de Rush (Morumbi, São Paulo, 08/10/2010)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bono e The Edge explicam o que mantém o U2 unido há 50 anos
O gênero musical que Slash considera mais vibrante que o rock atualmente
A canção de dois adolescentes que impediu "Bohemian Rhapsody" de chegar ao topo das paradas
Nicko McBrain reconhece que Iron Maiden foi injusto com Blaze Bayley
A música que Ian Gillan considera a melhor de sua carreira, acima dos clássicos do Deep Purple
Os graves erros que Mick Mars cometia no palco do Motley Crue, segundo Tommy Lee
A música que Jon Bon Jovi nunca cantaria, segundo Desmond Child
Zakk Wylde lembra breve período como guitarrista do Guns N' Roses
A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
Angra reúne Kiko, Falaschi e Akira Takasaki, do Loudness, em apresentação de "Burn", do Purple
A banda de metal que Gene Simmons dizia que iria tomar o lugar do Kiss
O guitarrista que Angus Young considera o mais superestimado do rock
O motivo que enterrou os planos do Sonata Arctica para os 30 anos de carreira
As últimas músicas tocadas por 15 bandas de rock e metal que não fazem mais shows
Nicko McBrain revela que indicou Aquiles Priester para seu lugar no Iron Maiden

Os três melhores solos do Rush segundo Alex Lifeson, incluindo um que até ele acha difícil
Por que o Rush passou a ensaiar os próprios erros antes de voltar aos palcos
As 10 bandas de hard rock com a melhor trinca de álbuns dos anos 1980, segundo a Loudwire
A curiosa e sincera opinião de Neil Peart sobre Ringo Starr
A banda soft rock americana da qual Geddy Lee (Rush) é um grande fã
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
O disco ao vivo que mostrou ao mundo o que o Rush realmente era capaz de fazer
A canção dos anos 60 que Geddy Lee diz ser "heavy metal antes de existir heavy metal"
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida


