Crosby, Stills & Nash: sem deixar o rock & roll morrer

Resenha - Crosby, Stills & Nash (Royal Albert Hall, Londres, 03/07/2010)

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Por Cécil
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O London Royal Albert Hall, um presente musical que a rainha Victoria deu ao rei Eduardo, abriga este final de semana, 3 e 4 de julho, um concerto do supertrio CROSBY STILLS AND NASH. O primeiro supergrupo se adicionarmos ainda o coringa musical Neil Young.

Rock and Roll can never die. Mas será que pode envelhecer? Com criatividade sim.

Uma semana de sol neste início de verão aqui em Londres, dias lindos. Céu belo e luminoso como uma pintura impressionista ou a capa do melhor disco e obra-prima do David Crosby - "If I Coul Only Remember My Name". A nostalgia e a grande emoção na mais perfeita tradução do espírito e da alma setentista de Woodstock. O clima inglês e o ambiente ajudam. Neste glorioso teatro de acústica duvidável e com capacidade para quase sete mil ouvintes já tocaram THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE, e em 2005, THE CREAM fez gloriosa ressurreição musical. Também foi aqui que John Lennon mandou a nobreza inglesa chacoalhar suas jóias para acompanhar a música dos Fab Four.

Fiquei muito bem localizado em um camarote superior com vista espetacular de tudo e de todos. Ao lado de minha esposa, meu vizinho neste camarote foi um inglês aposentado de Nottingham (a terra do Robin Hood). Ele e sua esposa estavam lá pela segunda vez especialmente para curtir o som do supertrio. Um amante do rock que prefere os Vinis aos CDs, conseguimos nos comunicar no idioma de Shakespeare desde que eles falassem pausadamente. De lá pude ver que a primeira fila da plateia era composta por jovens que, na maioria dos casos, sequer era nascida quando o CSN deslanchou nas paradas de sucesso musical com seu primeiro álbum ("Crosby, Stills & Nash") que foi um dos mais vendidos, mais do que trabalhos do THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE, THE CREAM, comparando-se aos grandes tubarões de vendas do rock: LED ZEPPELIN e THE BEATLES. Mas lá no canto havia um rechonchudo senhor inglês acompanhado por sua gordota esposa que se sacudiram o tempo todo e para quem o Stephen Stills adiantou-se solando sua guitarra na cara do extasiado velho roqueiro. Eu também fiquei maravilhado!

O repertório do trio, fico emocionado e com mãos geladas ao teclar, é sublime música. Abriram o show com "Woodstock", um hino emocionante ícone da geração homônima. Após vários clássicos, anunciaram e tocaram uma nova composição chamada "In Your Name", canção com mensagens pacifistas explícitas. O CSN vem sendo severos críticos da política belicista norte-americana e pacifistas convictos, dentro do espirito da geracao Paz & Amor, renovada pelos acontecimentos da história recente. Quantas mortes mais devem ocorrer "In your name" é a pergunta que Graham Nash deixa no ar.

Há poucos anos eles gravaram disco e fizeram o show "Deja Vu Live" (os quatro CSNY) totalmente voltado a criticar a política do ex-presidente Bush e a guerra no Iraque - veja no link abaixo uma resenha deste show:
1672 acessosResenha - Crosby, Stills, Nash & Young (Bethel Woods Center, 13/08/2006)

A leveza e o ritmo de "Marrakesh Express" fez muitas senhoras na platéia sacudirem os quadris. Depois tocaram tributos musicais: "Norwegian Wood" (THE BEATLES); “Midnight Rider” (THE ALLMANN BROTHERS BAND), “Ruby Tuesday” (THE ROLLING STONES). Crosby anunciou que o trio planeja grava seu próximo trabalho somente com covers sem nenhuma canção original do CSN, e fez piada dizendo: "estamos testando estas canções nas apresentações, se voces gostarem gravaremos o CD, caso contrário vamos para casa chorar... "Guinnevere", que D.Crosby dedicou a sua amada esposa. Logo essa canção que foi gravada pelo genial Miles Davis. O comentário do Crosby diz tudo: "nós nunca repetimos a mesma versão de nossas músicas nos shows, não porque somos geniais músicos de jazz, mas porque esquecemos como tocamos pela última vez". Modéstia do genial compositor que foi influenciado pelo álbum "A Love Supreme" do John Coltrane e outras obras clássicas. Crosby ainda fez outra piada: "vamos tocar todas as músicas do qual consigo me lembrar, vai ser um show curto..."

"Wooden Ships" mostrou que Stephen Stills ainda é herói da guitarra, influenciado por JIMI HENDRIX. Aliás está guardado em alguma gaveta este esperado lançamento do dueto Stephen Stills/Jimi Hendrix, guitarrada pesada para os amantes das cordas elétricas.

Um intervalo para recuperarem o gás e a apresentacao reinicia com um versão pesada de "Deja Vu", uma brilhante composição, seguida de "49 Bye Byes, Chicago". Depois de breve discurso sobre a superação do vício das drogas, quando chegou ao ponto de entregar seu piano a traficantes, David Crosby entoou "I Almost Cut My Hair" e depois o ponto forte desta noite: uma versão brilhante de "Behind Blue Eyes" do THE WHO (do álbum "Who's Next") com toda a harmonização vocal muito bem ensaiada. Uma homenagem ao rock inglês com o Stills rodando e puxando as cordas da guitarra tal qual Pete Townshend. A plateia adorou e ele atirou palhetas de guitarra para as primeiras filas, no ritual já consagrado nas apresentações de rock.

A banda de apoio contava com dois teclados, baixo e bateria em grande forma e ao nível da demanda técnica para acompanhar o cancioneiro do trio CSN. Se por um lado Stills perdeu um pouco de suas capacidades como cantor, ele ainda sola sua guitarra brilhantemente. David Crosby também mantém seus dotes vocais, e em melhor forma física está o Graham Nash que não fosse a cabeleira branca está em perfeita forma. Grandeza musical assumir a velhice, com inspiração e criatividade e nisso o trio mostra grande dignidade. O rock and roll não pode morrer!

Algumas canções com Graham Nash ao teclado em grande forma fisica e musical. O numero do bis foi "Love The One You're With" composta por Stephen Stills para seu primeiro e festejado álbum. Se alguém gosta e quer escutar Jimi Hendrix e Eric Clapton deve escutar este trabalho, pois cada um toca divinamente em duas faixas do álbum.

Neste show do CROSBY STILLS & NASH fiquei no camarote longe das primeiras filas e disposto a vivenciar e partilhar a emoção musical que os mitos do rock podem proporcionar mesmo com a velhice. Emocionado fiquei, e todos os quase sete mil ouvintes que cabem no amplo teatro puderam compartilhar esta inesquecível sensação musical. Hoje 4 de julho, data patriótica americana, o teatro deverá estar repleto de ouvintes ianques dispostos a receber a mensagem pacifista do trio - Peace. Eu não irei repetir a dose, mas de ânimo renovado vou acompanhar o trabalho deste trio que envelhece mas não deixa o rock and roll morrer.

Setlist:
Woodstock
Military Madness
Long Time Gone
Bluebird
Marrakesh Express
Southern Cross
In Your Name
Long May You Run
Deja Vu
Introductions
Wooden Ships
Helplessly Hoping
Norwegian Wood
Midnight Rider
Girl from the North Country
Ruby Tuesday
Guinevere
Delta
Our House
Cathedral
Behind Blue Eyes
Rock'n'roll Woman
Almost Cut my Hair
Love the one You're with
Chicago

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