CSN&Y: 37 anos depois de Woodstock, muito mais políticos

Resenha - Crosby, Stills, Nash & Young (Bethel Woods Center, 13/08/2006)

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Por Márcio Ribeiro
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Foi no Bethel Woods Center For Arts, na minúscula cidade de Bethel, a cerca de meio quilômetro de distancia do local onde ficava o palco onde foi realizado o festival de Woodstock original em 1969. Lá, depois de 37 anos, retornam o quarteto onde eles praticamente iniciaram. Na platéia, uma enorme parte formada por pessoas que assistiram o famoso festival de Woodstock original (ou pelo menos que afirmam isso). Muitos trazendo os filhos adolescentes ou jovem adultos. Foi muito interessante estar no meio deste povo que ainda tem bom humor e um senso de responsabilidade ecológica e política. Ou será que são apenas as vibrações do lugar?

Fotos: Divulgação (site oficial)

O show, com tons políticos bem definidos, foi de três horas de duração, divididos em dois tempos. No primeiro, os quatro tocaram juntos por cerca de uma hora. No segundo, dividiram-se em formações diferentes, ou em solo. Graham Nash vai ao piano em 'My House' enquanto Crosby e Stills fazem backing. David Crosby ao violão tem apenas Graham Nash ao seu lado para assisti-lo em 'Guennivere', os dois oferecendo uma das mais lindas interpretações da noite. Depois, é a vez de Neil Young ir ao piano cantar sua canção 'Candidate', enquanto Crosby e Nash emprestam suas vozes para auxiliá-lo.

Apesar de apresentarem uma variedade de números antigos, datando até os tempos de Buffalo Springfield, grande parte do show foi material novo, quase sempre com temas focalizados na administração Bush e porque ela desagrada. Ações que o quarteto considera assaltos aos direitos constitucionais que este presidente vem exercendo através do tal "Ato Patriótico", um documento que permite espionagem aleatória sobre os cidadãos em nome da segurança nacional. Nada como o nosso AI-5, porém um grande passo na mesma direção. Não foi surpresa que uma das canções mais aplaudidas da noite, por sinal, a única na qual a letra era estampada no telão, pedia o impeachment deste presidente.

Após três horas de show, o povo ainda pediu bis, prontamente atendido com apenas uma canção: 'Woodstock', fechando a noite com chave de ouro. Este é um show que dificilmente seria receptivo fora dos Estados Unidos. Pelo menos não exatamente da mesma maneira. O conjunto claramente tem aspirações educativas, querendo semear no povão americano questionamentos às ações do atual líder da nação Americana.

Se musicalmente muitos provavelmente queriam ouvir 'Suite: Judy Blue Eyes' e outras canções do repertório apresentado durante o famoso festival muitos anos atras, não se pode negar o valor esclarecedor que o show promove. Se vai fazer alguma diferença na conjuntura política americana atual, não se sabe; provavelmente não. Mas demonstra que aquela geração de então era mais politicamente consciente.



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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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