My Chemical Romance performa um dos shows mais aguardados por seus fãs
Resenha - The Hives e My Chemical Romance (Allianz Parque, São Paulo, 05/02/2026)
Por Bianca Matz
Postado em 14 de fevereiro de 2026
A banda estadunidense My Chemical Romance realizou duas apresentações em São Paulo, no Allianz Parque, durante os dias 5 e 6 de fevereiro. Desde 2008, o público aguarda ansiosamente pelo retorno do grupo, ícone do gênero emo, sendo um dos nomes mais importantes e inesquecíveis entres os fãs.
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Com realização da 30e e apresentada pelo Santander Brasil, ambos os shows terão a participação da banda sueca The Hives, responsáveis pela abertura. O quinteto, apesar de não fazer parte do mesmo tipo de música, é reconhecido pelo som de garage rock, performances surpreendentes e figurino único.
A turnê do My Chemical Romance traz à tona um dos álbuns preferidos pelo público em seu setlist. Chamado Long Live: Black Parade, ele foca na estética distópica e excêntrica, trazendo uma experiência imersiva ao público.
Com uma montagem de palco simples, iluminação branca e balões carregando letras que formam o nome da banda, The Hives inicia sua apresentação com a empolgação no nível máximo. O vocalista Pelle Almqvist traz canções como Enough is Enough, Rigor Mortis Radio e Paint a Picture; e pede para que os fãs batam palmas no ritmo da música e exclama que "a festa está dentro dele e está no local"
Apesar de aparentemente serem mais simples, os smokings que os integrantes utilizam, com um toque vintage e laço delicado no pescoço, chamam a atenção por serem iluminados por LED em suas linhas brancas. Tornando-se um ponto de similaridade por parecerem outrora a uniformes, como a estética que os fãs estão acostumados com My Chemical Romance.
Pelle possui uma energia surreal no palco. Ele abriu alguns botões do casaco e mostrou o peito, simbolizando um coração com as mãos, para demonstrar afeto ao público que ovaciona sem parar. Ele exclama "The Hives agora, My Chemical Romance depois", em português, e traz mais uma sequência de clássicos com Hate to Say I Told You So, Countdown to Shutdown e Legalize Living.
Era notável que o público estava poupando energia durante o show de abertura para o que estava por vir mais tarde e poucos reconheciam o que o grupo sueco tocava, como Tick Tick Boom, em que algumas pessoas sabiam a letra.
Mais uma vez, o vocalista impressiona com seu talento para idiomas, falando diversas frases completas em português. Conhecido por se esforçar por falar o dialeto local por onde a banda passa, essa foi a maior prova de amor da banda pelo país. Pelle torna a descer no pit para cumprimentar fãs e exclama no microfone apontando para ele "Gostoso!", sabendo do seu potencial.
"Senhoras, senhores e todos os demais: Mais barulho", pede o vocalista, e o público acompanha o ritmo dos acordes com palmas e gritos. O grupo sueco fecha o setlist com Come On! e The Hives Forever Forever The Hives, deixando uma atmosfera receptiva para o que estava por vir e despertando novos fãs no local.
Antes de discutirmos sobre qualquer aspecto durante a apresentação do My Chemical Romance, é necessário adiantar que: Toda a espera e expectativa alta criada pelos fãs, não foram apenas saciadas, como foram ultrapassadas com excelência. Apesar de ser divulgado que o primeiro dia (05) havia tido seus ingressos esgotados, o espaço reservado para a Pista Premium estava tranquilo o suficiente para transitar e dançar à vontade.
A ansiedade do público que encontrava-se altíssima foi se dissipando, principalmente, no fato do show começar alguns minutos mais cedo do que estava previsto. Além da banda de apoio e backing vocals, somos apresentados à uma enfermeira (que Gerard Way apresenta como Sylvia, interpretada por Charlotte Kelso; na metade do show), sendo uma personagem muito importante na história por detrás do álbum referente à turnê.
Com suas vestes retrô, tapa olho e uma capa que cobre os ombros, a cantora soprano australiana canta Over Fields (The National Anthem of Draag), reforçando um momento clássico e introdutório para o que estava por vir. Em seguida, somos surpreendidos por Gerard Way que adentra no cenário, trajando o uniforme clássico, com a sequência de The End., Dead! e This Is How I Disappear.
Como foi mencionado, é notável que o público passa a gastar toda a energia que haviam guardado desde o primeiro show (e todos esses anos), cantando a todos os pulmões. Vale lembrar que o vocalista não apenas canta, mas entrega uma performance de atuação também, pois entre as canções, a narrativa do álbum continua, em que novos personagens vão surgindo, prendendo totalmente a atenção dos fãs.
A direção de arte, assim como as vestimentas e as maquiagens são impecáveis. A egrégora dramática do show permanece no ar durante as músicas, em que Gerard Way canta atirando-se de joelhos ao chão, trazendo hits como Welcome to the Black Parade, em que precisou de apenas uma nota no teclado para todos irem à loucura; I Don't Love You e House of Wolves.
Devido ao calor, o vocalista optou em tirar o blazer, permanecendo de camiseta preta e suspensórios da mesma tonalidade. Seu cabelo passa a ficar penteado totalmente para trás, e claro, que isso foi motivo de comentários dos fãs que são apaixonados por Gerard.
Nenhuma canção até o intervalo do setlist era morna, todas as letras eram cantadas do início ao fim. E ainda que carregado de um sentimento macabro, todos os integrantes entram na brincadeira da interpretação, entregando mais sobre aquele universo com caráter distópico, quase similar ao que vemos em 1984, de George Orwell. Principalmente, na questão do idioma fictício falado nos pequenos atos entre as canções, criado pelo vocalista, e nomeado como KEPOSHKA, quase um simulacro do russo.
Houveram as performances de Mama, novamente com a participação da enfermeira Sylvia; em que o palco foi tomado por fogo, e não apenas em efeitos visuais localizados nas laterais, mas também, alguns personagens eram ateados fogo e partes do cenário eram incendiadas também. Teenagers é o único momento do setlist em que presenciamos uma canção com tom mais "alegre", por conta das letras coloridas e uma provocação juvenil.
No entanto, logo voltamos como estava antes com Famous Last Words que, ao final, trouxe uma pequena reprise de Welcome to the Black Parade, fortalecendo a atmosfera dramática do setlist.
O show contou com um intervalo de alguns minutos, enquanto a banda se preparava para a segunda parte. Blood ressoou calmamente, enquanto era acompanhado por uma apresentação de violoncelo, realizada pela banda de apoio.
Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na), The World Is Ugly e I'm Not Okay (I Promise) foi uma das músicas que compuseram o setlist, em que estávamos sentindo que a apresentação estava se encaminhando cada vez mais para algo grandioso, resultando no final. E mesmo debaixo de uma leve garoa, o público permaneceu animado, dançando e cantando sem parar, o Allianz permanecia em uníssono.
Em todos os instantes, era admirável a beleza do tratamento de imagem no telão, pois houve todo um cuidado para que o filtro utilizado fosse semelhante aos clipes, sem parecer cafona. Os fãs conseguem ter a impressão de serem transportados para os anos 2000 por simularem tão bem a estética.
Além disso, o cenário é composto por inúmeros televisores em que ora transmitem ao mesmo tempo a mesma imagem, ora propagam frequências diferentes, demonstrando a tensão que paira nos personagens durante a história interpretada do álbum.
Canções como Cemetery Drive, Headfirst for Halos e Helena compõem o setlist em seu desfecho, honrando toda a trajetória da banda e formando uma opinião popular: Valeu a pena aguardar tanto por um show que demorou mais de uma década para acontecer novamente no Brasil. Apesar de estarmos acostumados com shows internacionais, o que foi visto durante My Chemical Romance é digno de cinema, nada se compara com a estirpe dada pela banda aos fãs brasileiros.
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