Cynic e Imperial Triumphant - a obra de arte musical do Cynic encanta São Paulo
Resenha - Cynic e Imperial Triumphant (Burning House, São Paulo, 16/01/2026)
Por Diego Camara
Postado em 22 de janeiro de 2026
A segunda passagem do Cynic em São Paulo foi digna das grandes apresentações do heavy metal contemporâneo, abrindo em altíssimo nível os shows internacionais neste ano de 2026. O local escolhido foi a Burning House, nova casa de shows da cidade para públicos menores que já vai se colocando como uma grande opção na cidade. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
O público enchia a porta da Burning House faltando 30 minutos para o início da apresentação. A entrada dos fãs foi tranquila e a casa teve um bom público para a noite de sexta-feira, todos prontos para a dose dupla que faria a noite. A Burning House é uma casa pequena, estreita, mas o público tem uma boa visão do palco que, apesar de baixo, tem muita qualidade.

O Imperial Triumphant, um dos artistas mais excêntricos do heavy metal atual, fez sua estreia em solo brasileiro. A banda sem dúvidas está no seu melhor momento da carreira, após o lançamento de "Goldstar", onde a performance e o estilo art deco parecem ter encontrado as referências musicais da banda no melhor nível, com um experimentalismo que pisa no jazz, na música antiga e no estilo de vanguarda.

Já na abertura, a banda agarrou e ganhou o público, com um som bastante consistente e dois dos grandes sucessos do último disco: "Lexington Delirium" e "Gomorrah Nouveaux". O palco da Burning House respondeu muito positivamente: a qualidade do áudio estava em ótimo nível, e o público curtiu muito desde o início da apresentação, aplaudindo muito cada música tocada pelos mascarados.

"Transmission to Mercury" foi outro grande destaque da apresentação, com direito a banho de champagne no público e um som muito experimental, que transmite ruído, estática e elementos espaciais e ambientes com a potência do heavy metal. Outro destaque foi "Hotel Sphinx", extremamente técnica e cheia dos elementos experimentais da banda. É de se imaginar que, se a banda não tinha muitos fãs, ganhou muitos nesta noite de sexta-feira.

Imperial Triumphant setlist:
Intro: Goldstar
Lexington Delirium
Gomorrah Nouveaux
Devs est Machina
Transmission to Mercury
Chernobyl Blues
Hotel Sphinx
Industry of Misery
Swarming Opulence

Já aquecido, o público só tinha que esperar para a apresentação principal da noite. O Cynic foi subir ao palco com cinco minutos de atraso, para uma casa cheia mas longe da lotação máxima. E já ganhou o público desde o início, com a pegada muito bonita de "Sentiment", impulsionada pela força do progressivo e o belo trabalho de guitarra de Masvidal e Gilbert.

A banda trabalhou com um setlist de respeito, com destaque para o trabalho nos vocais de "Integral Birth", um convite para o bate cabeça do público. A qualidade do som do palco, destaque na performance do Imperial Triumphant, se manteve na apresentação principal: um som limpo, que favorece os graves e as batidas, fazendo o conjunto da banda sobressair e a casa tremer com "Veil of Maya", onde os fãs cantaram muito junto com a banda.

Outro destaque da apresentação foi "Evolutionary Sleeper", extremamente bem executada, e a fusão do progressivo com uma pitada de space metal em "Celestial Voyage" foi outro convite ao bate cabeça. Nem o calor da casa, alvo de uma breve reclamação de Masvidal, fez a banda se segurar: o Cynic ofereceu tudo.

Em uma pequena pausa, como um descanso para a banda, Paul Masvidal ficou sozinho no palco para uma performance intimista com os fãs. O público ficou em silêncio enquanto o vocalista cantava e dedicava músicas para as famílias e parentes do público, em uma homenagem para a sua própria. Primeiro foi "Wheels Within Wheels", seguida pela performance de "Last Flowers", cover do Radiohead, pela primeira vez nos palcos do Cynic, em uma performance mágica que aqueceu o coração dos fãs.

A banda voltou ao palco e a surra de progressivo começou com a intro de "Textures", em outra incrível performance do baterista Michel Bélanger. O show foi chegando ao final com uma sequência quase perfeita do "Focus", com a pegada extremamente potente e psicodélica de "Uroboric Forms" e finalizando com a lindíssima "How Could I", para deleite do público.

Vale destacar mais uma vez a impressionante qualidade da casa. A Burning House já representou muito no ano passado, e cada vez mais se torna um local importante para apresentações de rock e metal de pequeno porte, com uma qualidade de som impressionante. A Caveira Velha Produções se esmerou muito na parte técnica para reproduzir um som tão intrincado quanto o do Cynic, prezando pela qualidade do palco e pelo público.

Cynic setlist:
Sentiment
Integral Birth
Veil of Maya
Evolutionary Sleeper
The Unknown Guest
Celestial Voyage
Adam's Murmur
The Space for This
Wheels Within Wheels (Paul Masvidal ato solo)
Last Flowers (cover do Radiohead, Paul Masvidal ato solo)
Textures
I'm but a Wave to...
Uroboric Forms
How Could I
Cynic











Imperial Triumphant





































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