Kiss: Muito para se ver, explosões, fogos, melhor que a Disney
Resenha - Kiss (Anhembi, São Paulo, 07/04/2009)
Por Otávio Augusto Juliano
Postado em 10 de abril de 2009
Uma noite inesquecível. Assim pode ser definida a passagem da banda KISS por São Paulo no último dia 07 de abril, como parte de sua turnê mundial em comemoração aos 35 anos de carreira – a chamada "Alive 35 Tour".
Apesar das chuvas que tomaram conta dos finais de tarde em São Paulo nos últimos dias, parece que São Pedro se mostrou também um grande fã do KISS. Colaborando para a perfeição da noite, não caiu uma gota sequer de água, pelo contrário, até a Lua "deu as caras" no Anhembi, em meio às poucas nuvens no céu.
Dr. Sin foi o escolhido para abertura da noite, passeando por canções famosas para uns, nem tanto para outros. Dentre elas, "Emotional Catastrophe" e "Time After Time", sempre com muita competência e qualidade. Após muitos agradecimentos pela oportunidade de abrir para o KISS naquela noite histórica, segundo palavras dos próprios músicos da banda, Eduardo Ardanuy, Ivan e Andria Busic se despediram do público com o "hino" "Futebol Mulher e Rock and Roll", agitando bastante o ansioso público.
Finalizada a abertura, pouco tempo se passou até que, às 21:35hs, Paul Stanley, Gene Simmons, Tommy Thayer e Eric Singer deram início ao seu show, com a queda de uma gigantesca bandeira com a inscrição KISS que cobria o palco.
A primeira parte do show foi inteiramente baseada no disco "Alive", lançado pela banda em 1975. Praticamente todas as músicas do álbum foram executadas, com exceção de "Firehouse" e "Rock Bottom". Inclusive até a ordem das músicas foi quase que inteiramente respeitada, justamente por se tratar de uma turnê comemorativa dessas mais de três décadas de sucessos.
A última passagem do KISS por São Paulo ocorreu em 1999, na então turnê de divulgação do álbum "Psycho Circus", quando a banda trouxe toda sua parafernália audiovisual e ainda disponibilizou óculos 3D para o público. Dessa vez não foi diferente, desde a execução das primeiras músicas, "Deuce" e "Strutter", viu-se no palco muitas chamas, luminosos vermelhos de sirene, fogos de artifício e o tradicional grande luminoso central, com o logotipo do KISS em letras gigantes, piscando constantemente.
Várias foram as músicas que agitaram a platéia composta por mais de 35 mil fãs, com destaque para "Nothin` To Lose", cantada por todos, e "Parasite", anunciada equivocadamente por Paul como sendo "Watchin` You", o que despertou muitas risadas do público. Além, é claro, de "She" e "100,000 Years", a primeira com direito a solo de Tommy Thayer, com "tiros" de fogos disparados pelo braço de sua guitarra nos dois cantos do palco e a segunda tendo no meio um solo fantástico de Eric Singer, com a elevação da estrutura da bateria, para que todos pudessem apreciar suas estridentes e fortes baquetadas do alto do palco.
O fechamento da primeira parte do show se deu com a música sempre lembrada por 9 em cada 10 fãs de Rock: a clássica e imortalizada "Rock And Roll All Nite". Um verdadeiro hino como esse merecia uma festa especial, por isso a banda não deixou barato e abusou das luzes, fogos e ainda presenteou a platéia com chuva de papel picado, lançados tanto da frente do palco, quanto da divisória entre a pista Vip e a pista normal. Realmente uma festa e tanto, que poderia até parecer o fim do show. Só poderia... Porque o KISS retornou com a bandeira do Brasil empunhada por Paul Stanley e deu início à execução de mais e mais clássicos da banda. Vieram "Shout It Out Loud" e "Lick It Up", esta que já era pedida pelo público desde o início do show, única até então representante dos discos lançados na fase sem máscara do grupo, nos anos 80.
Antes de "I Love It Loud", Gene ainda cuspiu sangue e foi alçado à parte superior do palco, cantando de uma pequena base instalada juntamente com os refletores. Muito legal de se ver.
Pra fechar, "I Was Made For Lovin You", com sua polêmica batida meio disco e "Love Gun", cantada por Paul Stanley de um segundo palco menor instalado entre a pista Vip e a pista normal. Paul, como sempre faz, antes de anunciar a música que a banda tocaria, afirmou gostar muito de estar no palco, mas que queria mesmo era ir pro meio da platéia, pedindo para que todos gritassem bem alto seu nome. Feito isso, com uma espécie de tirolesa, Paul seguiu por cima do público e cantou "Love Gun" do fundo da pista Vip, fazendo com que os fãs que lá estavam ficassem de costas para o palco principal.
Mais uma vez as luzes se apagaram e a banda voltou para o "gran finale", com "Detroit Rock City", para lavar a alma de vez de todos os presentes. Todo o aparato de iluminação foi utilizado nesse final e ainda fogos de artifício foram lançados de cima da cobertura do palco, abrilhantando ainda mais a apresentação da banda e criando um verdadeiro clima de Reveillon no Anhembi.
Com sorrisos no rosto e parcialmente satisfeitos (sempre fica aquela sensação de "quero mais", é inevitável), os fãs que puderam presenciar mais esse show marcante do KISS em terras paulistanas seguiram para as saídas da pista, ao som de "God Gave Rock and Roll To You".
Como disse no início do texto: noite inesquecível. Diria mais, irretocável. Forte candidato a melhor show de 2009 e muito bem definido por um fã que estava ao meu lado, quando todos se dirigiam em fila à saída: "Show demais, que valeu cada centavo gasto. Muita coisa pra se ver, explosões, fogos, melhor que a Disney". Acho que essa frase define bem o que o público vivenciou nesse dia – uma autêntica apresentação da "banda mais quente do planeta".
O telão, ao final do show, destacava a mensagem "Thank You São Paulo". A recíproca é verdadeira: obrigado KISS, em nome de todos os fãs paulistanos.
Set List:
"Deuce"
"Strutter"
"Got to Choose"
"Hotter Than Hell"
"Nothin' to Lose"
"C'mon and Love Me"
"Parasite"
"She"
"Watchin' You"
"100,000 Years"
"Cold Gin"
"Let Me Go Rock 'n' Roll"
"Black Diamond"
"Rock and Roll All Nite"
"Shout It Out Loud"
"Lick It Up"
"I Love It Loud"
"I Was Made for Lovin' You"
"Love Gun"
"Detroit Rock City"
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