5 rockstars dos anos 70 que nunca beberam nem usaram drogas, segundo a Loudwire
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de dezembro de 2025
A imagem clássica do rock dos anos 1970 quase sempre envolve exageros - festas intermináveis, bastidores caóticos, carreiras embaladas por álcool e drogas. Mas, como lembrou a jornalista Sydney Taylor, da Loudwire, havia uma outra face dessa história: músicos que simplesmente nunca tocaram em substâncias, mesmo enquanto o mundo ao redor parecia girar em ritmo de autodestruição. "Enquanto o excesso domina a memória coletiva da época, existiram artistas que trilharam um caminho completamente sóbrio e mesmo assim mudaram a história do rock", escreveu Taylor. A seguir, os cinco músicos dos anos 70 que jamais beberam ou usaram drogas, segundo a reportagem.
Gene Simmons (KISS)
Conhecido por língua de demônio, jaquetas de couro e toneladas de pirotecnia, Simmons talvez seja a figura mais improvável desta lista. Mas, como reforça Sydney Taylor, "você nunca encontrará uma foto de Gene com uma garrafa de Jack Daniel's na boca". Em entrevista ao Backstage Pass em 2024, ele disparou: "Só por observação, nunca vi alguém bêbado ser espirituoso ou inteligente. Você já viu?".

Sua postura nasceu de respeito à mãe, sobrevivente do Holocausto. Simmons dizia que jamais queria decepcioná-la: "Sou filho único. A ideia de destruir a própria vida… é loucura." Ele também relacionava o abuso de substâncias aos conflitos internos que derrubaram Ace Frehley e Peter Criss do KISS. A única exceção foi um acidente em 1976 - brownies de maconha ingeridos sem saber.
Frank Zappa
Talvez o nome mais surpreendente da lista. "Parece quase impossível que alguém tão radical artisticamente tenha criado tudo aquilo completamente sóbrio", escreveu Taylor. Mas Zappa rejeitava drogas por disciplina, não por moralismo. Dizia que entorpecentes eram apenas "atalhos que embotam a criatividade".

Zappa vivia cercado pela contracultura psicodélica, mas guiava sua banda com precisão quase militar. Sua sobriedade extrema, segundo Taylor, "reforçava sua identidade como um outsider dentro do próprio movimento que ajudou a moldar".
Angus Young (AC/DC)
O eterno estudante de uniforme escolar sempre chocou quem descobria que sua energia absurda no palco era 100% natural. Nada de álcool, nada de drogas - apenas chocolate. "Os caras da polícia das drogas vinham me perguntar: 'O que esse baixinho usa?' E eu dizia: 'Como barras de chocolate'", contou ao Far Out.

Em meio ao caos que vitimou Malcolm Young e Bon Scott, Angus se mantinha imune. Para Taylor, ele provou que "uma das carreiras mais duradouras do rock pode ser construída apenas com consistência - e uma paixão improvável por chocolate".
Tom Scholz (Boston)
Engenheiro do MIT, perfeccionista obsessivo, inventor do Rockman - Scholz nunca combinou com o estereótipo do rock star setentista. "Ele já vivia sóbrio muito antes de Boston existir", destacou Taylor.
Enquanto outros músicos compunham 'viajando', Scholz passava madrugadas em seu estúdio caseiro, ajustando detalhes durante anos até considerar algo aceitável. Sua sobriedade não era bandeira pública, mas condição essencial para criar álbuns que se tornariam clássicos.
Ted Nugent
Talvez o mais vocal de toda a lista - e segundo Sydney Taylor, "sinônimo de 77 anos de sobriedade (e muitas outras opiniões)". Nugent afirma jamais ter tocado em drogas ou álcool. Em entrevista à Hook & Barrel em 2025, explicou: "Quando limpos e sóbrios, somos um ativo para quem amamos. Quando bêbados ou chapados, somos um problema."

Ele dizia ter testemunhado colegas perderem "fogo, paixão e capacidade de comunicação" ao se entregarem ao vício. Sua postura, controversa ou não, moldou sua persona pública tanto quanto sua música.
Com o tempo, os excessos se tornaram parte inseparável da narrativa mitológica do rock. Mas, como conclui Sydney Taylor, esses cinco músicos provam que "nem toda história dos anos 70 foi escrita sob influência química - algumas foram criadas com disciplina, foco e escolhas incomuns para a época".
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