Resenha - Kiss (Anhembi, São Paulo, 07/04/2009)

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Por Fernão Silveira
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Chame-os do que quiser: posers, mercenários, farsantes, ultrapassados, Disnelândia do rock... Mas é por causa de apresentações como a desta terça-feira (7/4/2009), em São Paulo, que o KISS chega aos 35 anos de carreira como uma das bandas mais cultuadas e requisitadas do mundo, com shows lotados por todos os cantos do planeta. Chame-os do que quiser, mas não existe título mais apropriado para eles do que "a banda mais quente do mundo" – conforme anunciaram os alto-falantes do Anhembi segundos antes da entrada triunfante para mais um show na capital paulista.

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Tudo conspirava para uma noite perfeita: o tempo agradável do começo de outono em São Paulo, o trânsito surpreendentemente bom (para os padrões da cidade), a organização civilizada no Anhembi (outro fato surpreendente), um público ávido por rever o quarteto mascarado mais querido do mundo... As expectativas eram realmente grandes, pois já contávamos uma década sem um show do KISS no Brasil.

Pontualmente às 20h30, os paulistanos do DR.SIN assumiram o palco para o show de abertura com um Anhembi ainda distante de sua lotação, mas cheio de energia para a festa de rock n' roll que estava prestes a começar. Andria Busic (baixo e vocal), Ivan Busic (bateria e vocal), Eduardo Ardanuy (guitarra) e Rodrigo Simão (teclado) tocaram por 45 minutos e tiveram uma boa recepção do público. Em um set list bem escolhido, destaques para o clássico "Emotional Catastrophe", a envolvente "Fire" e "Drowning in Sin", música do mais recente álbum do quarteto ("Bravo", de 2007). Para fechar, não poderia faltar a excelente "Futebol, Mulher e Rock n' Roll", que fez o Anhembi cantar em coro aquele famoso refrão: "Eta, eta, eta brasileiro quer... futebol, mulher e rock n' roll, meu Deus como isso é bom!". De fato, muito bom!

Quem contava os segundos para a entrada do KISS ficou ainda mais excitado ao ver o pequeno show de roadies e operários terminando de montar a gigantesca estrutura de palco da banda. Aos poucos, luzes, telões, instrumentos e muralhas de amplificadores eram testados e revelados ao público. Dava para sentir na pele a iminência de um momento tão esperado. E quando o sistema de som do Anhembi começou a tocar "Won't Get Fooled Again" (THE WHO) - a senha quase secreta para a abertura dos shows do KISS -, todos sabíamos o que estava por vir...

Pouco depois das 21h35, a imensa cortina preta com o logo do KISS em prateado caiu para marcar a chegada de Gene, Paul, Eric Singer e Tommy Thayer ao palco. Como nos velhos tempos, "Deuce" selou o reencontro da "banda mais quente do mundo" com um público igualmente ardente e apaixonado. Sim, senhoras e senhores, o grande momento havia finalmente chegado.

Logo após a execução de "Strutter", em que se evidenciaram problemas no microfone de Paul que demorariam mais algumas músicas para serem corrigidos, o Starchild chamou o público para a conversa e declarou – pela primeira vez em muitas na mesma noite – o amor do KISS pelo Brasil. "Já tocamos em muitos lugares do mundo, mas ninguém é como vocês. Nós amamos tudo do Brasil. Estávamos com saudades", derreteu-se.

Depois de "Got to Choose" vieram duas das melhors músicas de todo o show: "Hotter than Hell" (com labaredas e sirenes no palco) e "Nothin' to Lose", devidamente conduzida nos vocais pelo Cat Man, Eric Singer. Na seqüência de "C'mon and Love Me", um momento hilariante: Paul chamou, equivocadamente, "Watchin' You". Mas ele logo percebeu o erro e retomou o microfone para declarar: "...também conhecida como 'Parasite'". Risadas à parte, a execução foi perfeita e abriu terreno para o espetáculo de Tommy Thayer na música seguinte: "She". O novo Space Ace mostrou toda a sua categoria no manuseio da mítica Gibson Les Paul e ainda encantou o público com os disparos e rajadas saídos de sua guitarra.

"Watchin' You", agora no momento certo, e "100,000 Years" exibiram um Eric Singer em excelente forma, competente e bem-humorado, visivelmente feliz em fazer parte da história do KISS (seja como Cat Man ou simplesmente como ele mesmo). Depois de "Let Me Go, Rock n' Roll", um momento que jamais vai sair da cabeça dos fãs: "Black Diamond" e "Rock n' Roll all Nite" na seqüência.

"Black Diamond" começou com Paul Stanley (é incrível o carisma deste senhor...) dedilhando a intro de "Stairway to Heaven" (LED ZEPPELIN) em sua guitarra. Diante da vibração do público, ele brincou: "Vocês querem esta música? Não, hoje não..." Ele até que cantou os primeiros versos eternizados na voz de Robert Plant, mas foi o diamente negro do KISS que fez o Anhembi vir abaixo. Você acha pouco? Pois Paul voltou ao microfone para anunciar "a nossa música, o hino do Exército do KISS: Rock n' Roll all Nite, Party Every Day..." Não havia uma pessoa sequer entre as cerca de 30 mil presentes ao Anhembi sem cantar e dançar, sem se deliciar com a chuva de papel picado disparada do palco para enfeitar a festa roqueira. Simplesmente inesquecível, uma experiência difícil de ser explicada.

As luzes se apagaram por alguns minutos para que todos retomassem o fôlego, mas logo a banda estava de volta para um longo e delicioso bis. "Vocês querem voltar para casa?", provocou Paul. Diante da negativa do público, ele respondeu: "Nós também não. Então vamos tocar mais para vocês." E "Shout It Out Loud" recomeçou o espetáculo.

Paul anunciou "Lick it Up" dizendo que gostaria de "lamber" muitas das garotas bonitas presentes na platéia, o que só fez aumentar o clima de excitação geral. Já "I Love it Loud" foi marcada pelo show particular de Gene, com direito a cusparada de sangue e uma "levitação" até o topo do trilho frontal de iluminação do palco, de onde o Demon cantou tendo todo o Anhembi aos seus pés.

Todos sabiam que o show já estava para acabar, mas havia mais coisas bacanas por vir. O Starchild trouxe o clima "disco" do suingado álbum "Dynasty" (1979) ao oferecer o hit "I Was Made For Lovin' You". E não deixou a galera esfriar ao anunciar algo que todos na Pista Vip esperavam: "Eu estou aqui no palco, mas o meu coração está aí embaixo, com vocês. Eu quero chegar perto de vocês... Vocês me querem aí?". Ao ouvir a resposta óbvia, Paul sobrevoou o público pendurado em um pequeno poste e aterrissou na torre central de iluminação, de onde disparou "Love Gun". Um parêntesis importante: quem não ficou na Pista Vip (com ingressos a R$ 350,00) só conseguiu ver Paul pelo telão nesta música, pois a torre não permitia visão a quem estivesse na pista comum. Uma pena.

"Detroit Rock City", transformada em "São Paulo Rock City" ao ser anunciada pelos mascarados, foi cantada em uníssono pelo Anhembi e fechou um show simplesmente perfeito. A queima de fogos no apagar das luzes fez muitos irem embora com os olhos cheios d'água... "Foi o melhor show da minha vida!", "Valeu cada centavo dos R$ 350 que eu paguei!", "Nunca vou esquecer esta noite!" foram alguns dos comentários que podiam ser ouvidos na saída do Anhembi. Totalmente compreensível.

Qualquer que seja a sua opinião sobre o KISS, uma coisa não pode ser contestada: não existe outro grupo em todo o mundo que proporcione ao seu público uma experiência semelhante ao vivo. Um show do quarteto mascarado é único, por mais que seja repleto de clichês. Música, atitude, visual, alegria, efeitos especiais... Uma experiência sinestésica e inesquecível para pessoas de todas as idades, dos 8 aos 80. É por isso que Gene e Paul, hoje ladeados por Eric e Tommy, comemoram 35 anos de existência da marca (sim, marca) mais valiosa e adorada do hard rock. Quem assiste a um show como o de ontem entende na pele o real significado de "Rock n' Roll all Nite, Party Every Day".

KISS – Anhembi (São Paulo) – 7/4/2009

Deuce
Stutter
Got To Choose
Hotter Than Hell
Nothin' To Lose
C'mon and Love Me
Parasite
She
Watchin' You
100,000 Years
Cold Gin
Let Me Go, Rock n' Roll
Black Diamond
Rock And Roll All Nite
(BIS)
Shout It Out Loud
Lick It Up
I Love It Loud
I Was Made Lovin' You
Love Gun
Detroit Rock City

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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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