Orloff Five: The Melvins & The Hives incendiaramm festival

Resenha - Orloff Five (Via Funchal, São Paulo, 06/09/2008)

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Por Rodrigo Duarte das Neves
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Com um cast bastante heterogêneo, o Orloff Five atraiu o público por trazer atrações internacionais inéditas ao Brasil, fazendo com que diferentes ‘tribos’ participassem dessa noite. Além disso, durante a semana do festival, eventos como sessão de autógrafos, debates, shows e discotecagens aumentaram a ansiedade dos fãs, principalmente das duas atrações mais aguardadas: os americanos do MELVINS e o quinteto sueco THE HIVES. Além deles, as francesas do PLASTICINES, o brasileiro VANGUART e o DJ americano TITTSWORTH formaram o ‘cast’ do Orloff Five.

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Pouco depois das 18h, o DJ TITTSWORTH subiu ao palco e atacando com samples de clássicos do rock e batidas eletrônicas tentou animar os pouquíssimos presentes que ainda chegavam à Via Funchal. Mas mesmo os mato-grossenses do VANGUART mostraram seu folk rock para um público muito pequeno e pouco interessado no show. Além disso, o VANGUART talvez tenha sido a banda que mais destoou das demais atrações do evento, já que a enorme maioria do público esperava pela barulheira do MELVINS e pela agitação do HIVES. Mas o VANGUART mostrou que tem qualidades e fez um show curto mas honesto.

Depois de mais um set rápido de TITTSWORTH, que tocava no intervalo entre os shows, foi a vez do MELVINS subir ao palco. Ficou claro que apesar de não ser maioria, os fãs da lenda do underground eram os mais emocionados em ver a banda ao vivo pela primeira vez no Brasil, e assim que as luzes se apagaram, os fãs se aglomeraram em frente ao palco. E talvez a melhor palavra para definir o show de Buzz Osbourne e companhia seja ‘assustador!’. Com pouca luz no palco, a distorção do baixo de Jared Warren, o visual escuro e esquisito de Buzz e com as duas baterias (sim, duas baterias!) sendo impiedosamente massacradas por Dale Crover e Cody Willis, não há melhor expressão para definir a apresentação dos americanos. O set foi baseado nos dois últimos álbuns (“A Senile Animal” e “Nude With Boots”) e todas as músicas foram executadas de forma magistral. Apesar da guitarra de Buzz ter ficado um pouco baixa durante todo o show, foi impossível não se empolgar com pedradas como “The Kicking Machine”, “Nude With Boots”, “Eye Flys”, “Civilized Worm”, e a clássica “Honey Bucket” que fez a roda se formar na pista da Via Funchal. Até um cover pesado e esquisito para “My Generation” do The Who rolou. E quando o show caminhava para o seu final, uma situação desagradável: ao tocar uma versão distorcida e um tanto caricata do hino americano, alguém da platéia não entendeu e atirou um copo de cerveja na direção de Buzz Osbourne. Mas o carismático frontman reagiu com bom-humor e partiu para a última e melhor música do set, a clássica “Boris”. Com as duas baterias, a música ficou ainda mais pesada que a versão de estúdio, e encerrou de maneira perfeita o melhor show da noite.

Hora das francesas do PLASTICINES assumirem o palco, e infelizmente, ficou evidente que o fato de tocar entre o MELVINS e o HIVES prejudicou a apresentação das garotas. As músicas desconhecidas por 99,5% do público foram um balde de água fria na galera, que rapidamente começou a mostrar impaciência com o show, que chamava mais a atenção pela beleza das integrantes do que pelo rock dançante que a banda executava. Os poucos momentos de euforia ocorreram quando a vocalista perguntava se a platéia estava esperando pelo HIVES. Enfim, um show chato!

Depois do último dj set de TITTSWORTH, os suecos do HIVES mostraram porque são aclamados como uma das melhores bandas ao vivo da atualidade. Mesmo quem não é fã da banda se rende às guitarras rápidas, à bateria pulsante e à performance ensandecida do vocalista Howlin Pelle Almqvist. O cara não pára de pular um minuto sequer, chutando o ar, se debruçando em direção à platéia, rodando o microfone e gritando o tempo todo! Falando algumas palavras em português, Almqvist ficou ainda mais próximo do público, e garantiu o show. Apesar de basearem o show no seu disco mais recente (“The Black and White Álbum”, de 2007) os hits que mexeram com o público foram os do álbum “Veni Vidi Vicious”, de 2001. “Die All Right!” e “Main Offender”, a segunda do show, deixaram isso bem claro. De qualquer forma, o público dançou o show inteiro e no bis tiveram a recompensa: “Hate To Say I Told You So” fez a galera pular e gritar o refrão com a banda, que encerrou o show com o single do último disco “Tick Tick Boom”. Nada melhor para um show explosivo como o dos suecos!

A intenção dos organizadores era realmente a de misturar bandas de estilos diferentes no mesmo festival, e quem foi de cabeça aberta, com certeza viu no mínimo dois shows excelentes. Grande noite!

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Sobre Rodrigo Duarte das Neves

Rodrigo Duarte das Neves, 28 anos, paulista do ABC (nascido em São Caetano e morador de São Bernardo) é engenheiro de projetos enquanto não consegue ser remunerado para viajar o mundo cobrindo festivais de rock. Começou aos 9 anos ouvindo os clássicos, e hoje passa boa parte do seu tempo caçando boas bandas, não importa onde estejam: décadas atrás (psicodelia dos 60’s é sua grande paixão) ou nas profundezas do underground atual. The Doors, MC5, Stooges e Monster Magnet fazem parte de sua inspiração diária.

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