Rei Lagarto: doses generosas de hard rock
Resenha - Rei Lagarto (Hammer Rock Bar, Campinas, 15/09/2007)
Por Antonio Carlos Monteiro
Postado em 19 de setembro de 2007
O que leva uma banda que já encerrou atividades a voltar à cena? Em 99,9% dos casos, o motivo é um só – e nem um pouco edificante, diga-se: a grana. Porém, o que dizer de uma banda independente, que nunca ganhou rios de dinheiro (aliás, é bem capaz de nunca ter ganho direito algum) e que, após três anos de inatividade, resolve colocar uma pedra sobre suas diferenças e voltar à ativa?
Para quem acompanhou a trajetória do Rei Lagarto, grupo de hard rock de Campinas, era evidente a sensação de história inacabada e, talvez até inconscientemente, isso tenha motivado Fabiano Negri (vocais), James Twin (guitarra), Yon Berry (baixo) e Ric Matos (bateria) a reestruturar o grupo.
Mas, seja qual for a motivação da banda (que agora conta com um novo integrante, o guitarrista Guilherme Brolezi), a rapaziada que esteve no Hammer Rock Bar na noite do dia 15 de setembro viu que o quinteto continua oferecendo doses generosas daquilo que sempre prometeu e cumpriu: hard rock do mais alto nível, embalado basicamente a um interessantíssimo repertório próprio que recebe doses pontuais de covers escolhidas a dedo. Ou seja, rock’n’roll nos canos, sem conversa fiada!
Foram mais de duas horas de show, que marcava, também, o lançamento da primeira demo da nova fase, "Older", trazendo quatro faixas que perpetuam a tradição do Rei: hard rock direto, bem timbrado, com refrãos grudentos mas nada apelativos e totalmente calcado na tradição do gênero nos anos 70 e 80. Mesclando músicas da demo com outros temas novos ainda não gravados (a banda promete um CD ainda para este ano) e retomando alguns temas de seu segundo CD, Free Fall (de 2001), o Rei Lagarto fez um show consistente e maduro, provando que é uma das poucas bandas do estilo a se sustentar de fato com suas próprias composições. Já os covers foram um detalhe à parte. Músicas que pouca gente tem colhões de reproduzir nos palcos, como "Poison" (Alice Cooper) e "What It Takes" (Aerosmith), tiveram resultado surpreendente na mão do quinteto. Já "Welcome To The Jungle" (Guns N’Roses, uma das maiores influências do Rei) recebeu o auxílio do vocalista Jimi Wylde, que desafiou Fabiano para um verdadeiro duelo vocal em cena – e certamente o resultado foi um empate técnico. Dentre o repertório próprio, destaque total para "Older", "Night Watch" (ambas estão na demo), "We Need Somebody", "Lady" (belíssima balada!) e "Road Of Freedom". O Rei Lagarto já está com uma seqüência de shows marcados no interior de São Paulo e na Capital. Se tiver oportunidade, não perca a chance de vê-los.
Ah, e que fique o registro: a banda que abriu a festa, Vegas Locomotive, provou uma coisa básica, mas que nem sempre é lembrada: rock’n’roll, muito mais do que técnica, é garra, tesão e atitude. Se a garotada continuar assim, vai longe!
Antonio Carlos Monteiro
Jornalista e crítico musical.
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