Resenha - Angra (Lapa Multishow, Belo Horizonte, 21/12/2001)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Thiago Sarkis
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O Angra tinha agendado seu show em Belo Horizonte para o início de Dezembro. O grupo até chegou à capital mineira naquele período, mas teve que voltar, devido a interdição do Lapa Multshow, pela Prefeitura de Belo Horizonte.
1674 acessosAngra: Os primórdios de Angel's Cry antes da Demo Reaching Horizons5000 acessosIron Maiden: a música "Wasting Love" é um Plágio?

Mais um ledo engano de nossos governantes, que claramente queriam fazer média com o povo após o desastre no Canecão Mineiro. A casa tem segurança, é agradável, e não há muito o que se modificar ali. Até a qualidade do som surpreende. Não chega a ser uma maravilha, mas fica bem acima da média do que temos no Brasil. Em quase nada prejudica as composições, mesmo de bandas com arranjos tão ricos, como foi o caso.

Atitudes a serem tomadas no Lapa se restringem ao mandato de prisão a alguns seguranças, despreparados e desqualificados, que prejudicam quem vai a trabalho e também aqueles que compram ingresso e querem apenas curtir o espetáculo.

Problemas e embromações a parte, os fãs compareceram em peso para acompanhar o novo Angra, com Edu Falaschi, Aquiles Priester e Felipe Andreoli. Desde cedo, várias pessoas, de diversos cantos das Minas Gerais, se aglomeravam na porta, à procura de uma posição mais próxima de seus ídolos. A fila só aumentava, e o resultado superou as mais positivas expectativas. Com certeza um dos recordes de público na história do Lapa, com cerca de mil e quinhentas pessoas presentes.

O Thespian, que já havia aberto para o Stratovarius, estava lá mais uma vez, para segurar a ânsia dos ‘Angra maníacos’. Não fez feio. Set list bem equilibrado, covers escolhidas a dedo, e músicos competentes. O vocalista força demais as vezes, tentando ir além de sua capacidade, mas não chega a ser prejudicial. Vale a pena checar o trabalho dos caras, e pelo menos como banda de abertura, eles se garantem tranqüilamente.

O intervalo entre a apresentação de uma banda e outra foi consideravelmente grande. Rolaram pelo menos seis ou sete músicas do Nevermore e em seguida começou a seção clássica, que parecia não ter fim. A introdutória “In Excelsis” não surgia e esse joguinho foi exaltando os ânimos, até a explosão total com “Nova Era”.


“Acid Rain” veio em seqüência, e deixou bem claro o entrosamento já existente entre antigos e novos integrantes. A reação da platéia impressionou, mesmo com o Angra carregando a bagagem de cinqüenta mil cópias vendidas de “Rebirth”, só no nosso país. O lançamento é razoavelmente recente e o pessoal já delira com as novas músicas, como se fossem clássicos antigos.

A atuação de Edu Falaschi foi esplêndida. Nas canções do novo álbum, perfeito, não há o que falar. Nas interpretações das composições da fase Matos, impressionante. Falaschi pode até não chegar aos agudos do ex-vocalista da banda, mas supera isso com tranqüilidade e firmeza, mantendo uma regularidade assustadora. Aconteceram alguns mínimos vacilos em “Nothing To Say” e “Time”, mas nada de absurdo, apenas escorregões naturais mesmo.

O set list contou ainda com, entre outras, “Millennium Sun”, “Heroes Of Sand”, “Unholy Wars”, “Running Alone”, “Angels Cry”, “Carry On”, “Make Believe” e “Metal Icarus”. O triste mesmo é o final. O Angra, com toda a moral que tem e depois de tanto apoio e sucesso, ainda se mostra uma banda de mente pequena, com apelos banais e populistas, fechando o show com “The Number Of The Beast” do Iron Maiden. Empolga o público, é verdade, mas o grupo já tem capacidade de finalizar uma apresentação e incendiar os presentes, com suas próprias músicas, que estão marcando época e influenciando tanta gente. Todo mundo já percebeu isso, só Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt & cia que não, e insistem nessa bobagem, que soa tão falsa e apelativa quanto aquelas frases do tipo: “Políticos do Brasil, vão se f*der”. Enfim, é uma encheção de lingüiça danada, uma palhaçada desnecessária.

Independente das apelações, o Angra foi monstruoso no palco. Um dos melhores shows de metal na atualidade, realizado por um conjunto de sucesso merecido e que tem tudo para crescer inacreditavelmente mais.

Angra – http://www.angra.net
Cogumelo Records – http://www.cogumelo.com

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

AngraAngra
Banda reage à tragédia com Adrenaline Mob

1674 acessosAngra: Os primórdios de Angel's Cry antes da Demo Reaching Horizons872 acessosAngra: mais um vídeo das gravações do novo álbum1842 acessosBlind Guardian e Rhapsody: Como seria Hansi e Lione cantando juntos?2561 acessosAngra: Uma rara versão acústica de "Carry On" com Andre Matos0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Angra"

Rafael BittencourtRafael Bittencourt
Com o Aquiles eu não mantenho mais contato

Heavy TalkHeavy Talk
Andre Matos explica porque não retornou ao Angra

Metal SPMetal SP
Documentário sobre Heavy Metal em São Paulo

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Angra"

Marc Ferr?Marc Ferr?
A música "Wasting Love", do Iron Maiden, é um Plágio?

Dave MustaineDave Mustaine
"Joguei dois feitiços em pessoas, ambos funcionaram!"

A década perdida?A década perdida?
Rock Brasileiro da Década de 70

5000 acessosAndre Matos: "Fui praticamente coagido a ser vocal do Viper!"5000 acessosMike Portnoy: a reação ao ouvir garoto de 8 anos tocando cover do Dream Theater5000 acessosMalmsteen: "A 1ª vez que fui ao Brasil não consegui acreditar"5000 acessosAnitta: "Eu era roqueira. Comecei no funk por destino."5000 acessosIron Maiden: como a banda tirou o pé ao longo do tempo5000 acessosChris Cornell: Corey Taylor canta Pink Floyd em sua homenagem

Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

Mais matérias de Thiago Sarkis no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online