Max Cavalera: The Bigmouth Strikes Again
Por Daniel Junior
Fonte: PipocaTV
Postado em 22 de setembro de 2016
Max Cavalera saiu do Sepultura no final de 1996 após desentendimentos sobre como sua esposa, Gloria Cavalera, gerenciava a banda. Os outros integrantes, incluindo seu irmão, demitiram-na da função de empresária e Max saiu pela porta de trás.
São 20 anos e desde então cada um seguiu seu caminho musical. A banda mineira trouxe Derrick Green para substituir Max e o ex-vocalista fundou o Soulfly, banda com a qual fizera um relativo sucesso. O Soulfly já trazia uma mistura sonora interessante, hibridismo que o Sepultura mostrou em "Roots", no mesmo ano em que o vocalista deixou a banda.
A estreia de Derrick foi em 1998 no disco "Against", um desafio para banda que havia perdido seu front-man, o porta-voz, o cara responsável pelas ideias musicais e líricas da maior banda de metal surgida no país até então. O "Fumaça" (apelido de Derrick) não apenas se integrou à banda, como teve a difícil tarefa – de juntamente com o Sepultura – não deixar a marimba cair.
Por isso é de se lamentar, que a cada momento que tem oportunidade, Max não consiga valorizar todos os seus projetos no presente e fazer publicidade tão somente do seu trabalho, que não é ruim. Óbvio que a imprensa metal sabe que se "cutucar" o guitarrista, ele vai dizer o que pensa sobre seus antigos colegas, mas a obviedade se aplica também ao fato que ele não consegue dar o mesmo destaque ao que efetivamente ele faz em detrimento ao que um dia fez. Ninguém no Sepultura é maluco de ignorar o talento e a contribuição do criador da banda e se o músico fosse mais "carinhoso", certamente alguma colaboração musical já teria rolado entre eles. O problema é a língua do Max.
Se seu irmão opta pela discrição, Max não apenas ofende como diminui o papel dos caras. Em uma ocasião, por exemplo, chegou a dizer que Paulo Jr não sabia tocar baixo, que ele, Max, era o responsável pelas linhas do instrumento, que na verdade, quase não aparece no produto final. Isso é um outro assunto.
Numa ladainha que lembra a novela (que graças a Deus acabou) "Mustaine / MetallicA", Max há quase 20 anos não consegue se desvencilhar do Sepultura, mesmo que a banda já tenha se desligado dele, moldando seu som, reconstruindo sua identidade e curando suas próprias feridas. Já disseram em várias ocasiões o quanto foi difícil retomar o trabalho.
Pra mim, ao menos uma coisa ficou muito clara com essa história quase sem fim: tivesse conseguido o mesmo êxito em seus projetos que conquistara com sua antiga banda, Max seria menos falastrão. A "verdade" (ela está lá fora né?) é que o moço precisa lembrar ao mundo que seu maior sucesso foi justamente aquele que ele escolheu sair. Max opta – de maneira bem idiota – em não ser lembrado como o cara do Soulfly (que vai fazer 20 anos ano que vem), mas como o ex-vocalista do Sepultura. Uma dose de dignidade lhe cairia bem.
No mundo do rock existem inúmeros exemplos semelhantes. Não apenas de falastrices, mas de mudanças de rota. O início a cobrança é grande (quase ninguém pensa na pressão que o Derrick teve), mas as mudanças são quase sempre salutares. Paul Di´anno, Blaze Bayley, Ian Gillan e até o grande Dio, tiveram que fazer mudanças em suas vidas e com muito talento e profissionalismo, seguiram suas escolhas. Os exemplos que trago não apontam para os resultados comerciais, mas pela postura madura em conviver com tais alterações de rumo. "E o Portnoy?" Humm… Esse eu ainda tenho minhas dúvidas. Voltando...
Um exemplo disso é o supra citado Dave Mustaine. Depois de sair da sombra do MetallicA, o patrão de Kiko Loureiro, tem provado, disco a disco, que tem muita lenha pra queimar. Seu som tem DNA e fica difícil olhar para guitarrista como o ex-integrante do MetallicA, mas sim o fundador e mentor do Megadeth.
Temos histórias que são o avesso do avesso também. A carreira solo de Bruce Dickinson sempre teve ótimos predicados. O músico – por um tempo – desejou seguir seu caminho fazendo um som menos "steveharriano" para apostar num metal mais puro. Se não acertou em tudo (tenho minhas críticas para "Accident of Birth"), ao menos teve a coragem de ir em frente sem cuspir no prato que comeu.
Max tem bons trabalhos, não se equivalem em estilo e qualidade aos trabalhos do Sepultura (na minha opinião) mas são suficientes para mantê-lo tocando em festivais, sendo lembrado como uma ótima figura do rock e sustentando sua vida nos Estados Unidos.
Dá uma enorme vergonha alheia ver um cara experiente e talentoso sublimando sua própria postura artística para a cada depoimento apontar para o Sepultura como um vilão em Gotham City e definitivamente, Max, você não é o Batman.
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