Rock Nacional: O conflito dos 27 anos.
Por Evandro Souza
Postado em 01 de setembro de 2015
Para os nascidos no final da década de 80, assim como para aqueles que vieram ao mundo no início da década de 90, parece regra a falta de identificação com o rock nacional. Se, por um lado, a geração imediatamente anterior cresceu com a identificação e se mantém fiel à bandas como LEGIÃO URBANA, OS PARALAMAS DO SUCESSO, TITÃS E CAPITAL INICIAL, os jovens de 20 e poucos anos pouco se sentem tocados por estas, salvo em seus vários hits.
PLEBE RUDE, HANÓI-HANÓI, UNS E OUTROS e sua "Carta aos Missionários" fazem parte da trilha sonora daqueles que acompanharam o rock 80 em seu lado B. Ainda assim, o resgate à memória destas bandas é restrito àqueles que, de certa forma, fizeram parte da cena.
Se havia alguma esperança de identificação contínua com o rock nacional para quem viveu sua adolescência no início dos anos 2000, esta foi abortada com o término inesperado dos RAIMUNDOS na época, e enterrada posteriormente com a "Malhacionização" do CHARLIE BROWN JR. e suas trilhas sonoras novelísticas teen.
Somos uma geração que ao, chegar da aula, acompanhávamos as constantes reprises dos clássicos álbuns "MTV Unplugged" de NIRVANA, PEARL JAM E ALICE IN CHAINS. Estou falando dos idos dos anos 2000-2001, um tempo em que, mais do que nunca se consolidavam as boy-bands. Portanto, os que na época, não se identificavam com aquele cenário POP, acabou sendo doutrinado no Grunge, talvez com dez anos de delay em relação ao seu surgimento.
Enquanto isso, o rock nacional nos apresentava DETONAUTAS ROQUE CLUBE, CPM 22, bandas estas que tinham suas referências e inspirações nas bandas, justamente, dos anos 80. Um desamparo para aquele público que, naquele momento, já não escutava praticamente nada produzido em português.
Vale ressaltar que, longe do mainstream dos festivais "Pop Rock Brasil" havia o trabalho bastante original e quase militante ocorrendo em paralelo, mantido pela NAÇÃO ZUMBI, MUNDO LIVRE S.A, que traziam e ainda trazem a atitude de uma música que tem seu público, o valoriza, e não mendiga espaço em emissoras de rádio.
No Brasil é assim: as bandas de ‘rock’, que tocam pop rock (vejam a ironia) estão fadadas à falta de identificação de uma geração.
Toda a confusão se resume ao seguinte questionamento: Alguém consegue imaginar dois amigos reunidos sugerindo formar uma banda com uma pegada nacional? Dos anos 2000? Dos anos 90, 80? Improvável.
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