Crucificados pelo Sistema
Por Renato Carvalho
Postado em 17 de novembro de 2007
Quem curte um som underground, destes que não se encaixam nos perfis de rádios e programas televisivos comandados por grandes empresas de comunicação, sabe o quanto é difícil para bandas de rock, punk, heavy metal e afins, conseguirem espaço para divulgar seus trabalhos em meio a um mercado musical cada vez mais controlado por gravadoras e desvalorizado pela pirataria.
A verdade é que para cada estilo de música, os fãs encontram uma variedade incrível de mídias especializadas que abordam o assunto com respeito e propriedade, ou seja, revelam ao público a versão de quem pertence e conhece o assunto.
Mas, como de costume, a "grande mídia" mais uma vez reservou um espaço para retratar e atacar uma vertente musical que aparentemente desconhece em origem. O alvo desta vez: punk.
No mês passado a capital paulista vivenciou episódios de violência e covardia cometidos por grupos de pessoas que se intitulavam punks. Roubos, brigas, espancamentos e morte. Este foi o saldo de um fim de semana que mais uma vez colocou a música pesada na mira de conservadores e críticos de jornais e TVs. O problema é que, como tenho visto, as pessoas estão deformando o conceito de punk em virtude de atos que não representam o real posicionamento político do movimento. Como poucos devem saber – principalmente em razão da postura unilateral das abordagens feitas pela mídia, o movimento punk sempre defendeu a liberdade, lutou pela igualdade e pela paz e sua única revolta e discriminação foi contra governos e diferenças sócio-culturais. A bandeira levantada em São Paulo durante os atos de violência não pertence a eles, e sim a jovens que representam o estereotipo das atitudes sem sentido.
Em entrevista ao site Zona Punk, numa matéria conduzida pelo jornalista João Veloso Jr., o pesquisador Carlos Venezysky, doutor em movimentos de Contra Cultura pela Universidade de Viena, explicou que "para a mídia, (o movimento punk) é algo violento, sujo e com nenhuma relação aos movimentos que levaram a forjar o termo". E completou: "Isto é muito parecido com a deturpação para se falar em anarquismo, afinal, o que era para designar auto-gestão, virou sinônimo de baderna".
Em meio a todos estes acontecimentos infelizes, que novamente transformaram inocentes em vítimas – em vários aspectos, fica a pergunta: é mais fácil acreditar que as pessoas são movidas pelo que acreditam ser e não pelo que realmente são?
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