A joia cearense que gravou um clássico do rock nos anos 1970, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de março de 2026
Quando o assunto é rock brasileiro dos anos 1970, Regis Tadeu costuma ir além da cartilha básica. Em vez de ficar apenas em nomes consagrados, ele aponta bandas que ficaram à margem do grande público, mas deixaram discos fundamentais. Entre elas, uma nordestina ganha destaque especial: o O Peso. A entrevista foi ao jornalista Gustavo Maiato, do Whiplash.Net.

Formada em Fortaleza em 1971, a banda lançou em 1975 seu único álbum de estúdio, "Em Busca do Tempo Perdido". O disco teve repercussão modesta na época, mas se tornou cult com o passar dos anos. Para Regis, trata-se de "um clássico do rock brasileiro". O som pesado, com forte influência stoniana e pegada bluesy, destoava do que se fazia no país naquele período.
A história do grupo também é marcada por contrastes. Participaram de festivais importantes, tocaram no Hollywood Rock de 1975, mas enfrentaram as limitações de um mercado pequeno para o rock. Em 1977, encerraram as atividades. Décadas depois, o álbum permanece como registro único - e essencial - da banda.

Mas Regis não para por aí. Ao falar do período, ele amplia o leque de recomendações. A Casa das Máquinas, por exemplo, é citada como dona de discos "incríveis" nos anos 70, misturando peso e progressivo com personalidade própria. Já a Patrulha do Espaço é lembrada como uma força constante, com Rolando Castello Júnior mantendo a chama acesa e uma discografia relevante desde a década.
Regis também destaca a fase progressiva dos Os Mutantes, especialmente o álbum "Tudo Foi Feito Pelo Sol", que ele considera "sensacional", contrariando fãs que preferem apenas a fase psicodélica inicial. Na mesma linha, exalta o O Terço, apontando "Criaturas da Noite" como "um clássico não só do rock nacional, mas da música brasileira".
Outros nomes citados por ele incluem o Made in Brazil, com discografia consistente nos anos 70, e o Terreno Baldio, que ele define como "o Gentle Giant brasileiro", tamanha a sofisticação musical.
Para Regis Tadeu, o problema não é falta de qualidade histórica, mas de memória. Ele já afirmou que a lembrança do rock dos anos 70 está "praticamente inexistente" entre as novas gerações. E, nesse cenário, redescobrir discos como "Em Busca do Tempo Perdido" não é apenas nostalgia - é ampliar repertório.
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